Alunos de escola de Blumenau simularam por uma semana a experiência de cuidados com uma criança - Geral - A Notícia

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Educação17/05/2017 | 09h35Atualizada em 17/05/2017 | 10h00

Alunos de escola de Blumenau simularam por uma semana a experiência de cuidados com uma criança

Estudantes do oitavo ano da Escola Adventista de Blumenau fizeram parte do projeto Bebê de Arroz 

Alunos de escola de Blumenau simularam por uma semana a experiência de cuidados com uma criança Lucas Correia/Agencia RBS
Bebês ganharam registro de nascimento feito pelos alunos em sala de aula Foto: Lucas Correia / Agencia RBS

Com olheiras no rosto e braços cansados, os 16 alunos do oitavo ano da Escola Adventista de Blumenau encerraram ontem a aventura de cuidar, acalmar, alimentar e trocar a fralda de uma criança de cinco quilos. Não foram apenas noites mal dormidas e o peso da responsabilidade que os alunos guardarão na memória com o projeto Bebê de Arroz — que nasceu em Curitiba (PR) —, mas também o aprendizado de quem simulou as consequências de uma gravidez precoce e a importância dos pais no cuidado dos filhos.

O experimento de levar para lá e para cá um saco de arroz de cinco quilos serviu para que a turma aprendesse sobre os cuidados necessários durante os primeiros meses de uma criança. Além de administrar o orçamento familiar, puderam aprender sobre as vacinas necessárias para a faixa etária, o registro de nascimento do bebê e o abandono de menor — lição aprendida depois que eles deixaram os bebês na sala de aula enquanto foram para a Educação Física.

Projeto aborda a gravidez na adolescência

Aliás, não foram só os alunos que participaram do projeto, os pais foram incentivadores nesta ão, como conta a diretora da escola Marina Schwants, mãe de Matheus, que também passou pela experiência dentro e fora da sala de aula:

— Tivemos casos de pais que acordavam o filho durante à noite como se o bebê estivesse chorando, para ele cuidar. Eles realmente compraram a ideia, doaram o arroz e providenciaram roupas e fraldas.

A aluna Maria Fernanda Moretti, 13 anos, afirma que a experiência mudou a visão dela sobre maternidade Foto: Lucas Correia / Agencia RBS

Ao passar 24 horas cuidando do bebê de arroz — feito por eles durante a aula de Artes —, as crianças sentiram na pele o olhar e a curiosidade das pessoas na rua. Algumas vivenciaram episódios curiosos, como o de Rayanara Vitória da Silva:

Eu estava no ônibus segurando o bebê e uma senhora me ofereceu o lugar para sentar. Tive que explicar que era um projeto da escola e que não era um bebê de verdade — conta a aluna de 13 anos.

Para os estudantes da Escola Adventista foram apenas nove dias intermináveis, mas de absoluto faz de conta, que para muitas mães e pais adolescentes são realidade. De acordo com dados do DataSUS, dos 3 milhões de bebês nascidos no Brasil em 2015, 18% (546,5 mil) foram de mães adolescentes. O maior índice de gravidez, 520 mil ocorreu na faixa etária entre 15 e 19 anos.


— Além de todo o aprendizado com a criança, a questão da conscientização é o ponto principal do projeto. Falar sobre maturidade e consciência do que é ser pai nessa idade. Esta turma é a mais crítica, pois os índices estão relacionadas justamente nesta idade, entre 13 e 14 anos. Como neste ano a reprodução humana faz parte do conteúdo, a interdisciplinaridade foi possível — comenta Marina Schwants, diretora da escola, onde o projeto ocorre pela primeira vez e deve se repetir nos próximos anos.

A aluna Maria Fernanda Moretti, 13 anos, afirma que a experiência mudou a visão dela sobre maternidade. Ela conta que sonhava em ser mãe no futuro, mas diz que agora, ao sentir na pele, percebe a grandesponsabilidade de ter filhos:

— Tudo deve acontecer no seu tempo — finaliza.

O material usado na proposta pedagógica — arroz, roupas e fraldas — será doado ao Centro de Educação Infantil Professora Teresa Raquel Sabel de Araújo, no bairro Ribeirão Fresco, próximo à escola.

 
 

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