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Lista de Fachin13/04/2017 | 13h25Atualizada em 13/04/2017 | 18h19

VÍDEOS: delações da Odebrecht citam políticos catarinenses; veja

Depoimentos, concedidos após acordo de delação premiada, de funcionários da empreiteira Odebrecht, revelam negociações com políticos de Santa Catarina

Diário Catarinense
Diário Catarinense

O relator da Operação Lava-Jato no Supremo Tribunal (STF), ministro Edson Fachin, retirou o sigilo dos vídeos dos depoimentos, concedidos após acordo de delação premiada, de funcionários da empreiteira Odebrecht. Neles, são citados políticos, funcionários comissionados do governo e empresas estatais catarinenses. Com base nas delações, Fachin autorizou a aberturas de inquéritos na Procuradoria-Geral da República e em outras instâncias da Justiça. 

Abaixo, veja os vídeos envolvendo os nomes de todos os catarinenses

Raimundo Colombo (PSD)

Citados pelos delatores da Odebrecht como os intermediários do pagamento de R$ 2 milhões em caixa 2 para a campanha de 2010 de Raimundo Colombo ao governo do Estado, os lageanos José Carlos Oneda e Ênio de Andrade Branco são amigos de longa data do atual governador. Os dois atualmente são diretores das Centrais Elétricas de Santa Catarina S.A (Celesc). Oneda atua em Finanças e Relações com Investidores, enquanto Branco gerencia a área de Geração e Transmissão.

Segundo as delações premiadas, Branco teria feito o pedido do dinheiro — que não foi contabilizado — para a campanha de 2010 ao lado do próprio governador Raimundo Colombo em uma sala no aeroporto de Congonhas. Oneda teria sido o responsável por receber a quantia. 

Delação de Fernando Reis

Delação de Paulo Welzel

Leia a petição

O que diz Colombo:

"Conforme foi informado desde a primeira vez, a empresa Odebrecht não tem nenhum contrato, obra ou projeto com o Governo do Estado de Santa Catarina, não tendo sequer participado de licitações desde o início da atual administração em janeiro de 2011. O Governo do Estado aguarda a abertura do sigilo das informações para prestar todos os esclarecimentos cabíveis."

Ideli Salvatti (PT)

A petição número 6754 assinada pelo ministro Edson Fachin aponta o suposto pagamento de R$ 300 mil do grupo Odebrecht para a ex-ministra Ideli Salvatti (PT) nas eleições de 2010, quando ela era candidata ao governo de Santa Catarina. Segundo as delações dos ex-diretores da Odebrecht Valter Luis Arruda Lana e Benedicto Barbosa da Silva Júnior, o repasse teria sido um pedido do também petista Carlito Merss, ex-prefeito de Joinville. 

Delação de Benedicto Barbosa da Silva Júnior

O que dizem Ideli Salvatti e Carlito Merss 

Procurada pela reportagem, a ex-ministra Ideli Salvatti afirmou que não se encontrou com o delator, e não pediu nem recebeu dinheiro do delator. 

Sobre a delação de Cerveró, Ideli se manifestou por meio de nota:

"No que se refere a minha pessoa, a delação do Cerveró se confirmou como uma deslavada mentira e foi sumariamente arquivada. Mantenho-me absolutamente tranquila e à disposição das autoridades para prestar qualquer esclarecimento e com a certeza, de que como no caso da falsa delação do Cerveró, comprovarei que as doações à minha campanha eleitoral ao governo de Santa Catarina em 2010 foram declaradas e aprovadas pelos órgãos competentes, e que minha conduta pública é regida pelos princípios da ética, moral e legalidade."

O ex-prefeito de Joinville Carlito Merss também foi procurado pelo DC, mas, até a publicação desta matéria não havia dado retorno. 

Leia a petição

Jean Kuhlmann (PSD):

Conforme o documento do Supremo Tribunal Federal (STF), o político teria recebido dois valores distintos, nos anos de 2004 - quando ainda era vereador por Blumenau - e 2012 - já quando concorria à prefeitura da cidade. Na primeira vez, ele teria recebido o valor de R$ 65,6 mil que consistiam na facilitação de recebimento de faturas de serviços prestados e não pagos. O repasse teria sido intermediado pelo atual diretor de Desenvolvimento de Negócios da Odebrecht, João Borba Filho. 

Delação de João Borba Filho

Delação de Paulo Welzel

O que diz Jean Kuhlmann

"Não conheço e tampouco mantive qualquer tipo de contato com os 
executivos João Borba Filho e Paulo Welzel, ou qualquer outro das 
empresas citadas na Lava-Jato. No vídeo da delação, o sr. Borba Filho 
não cita qualquer nome, muito menos o meu. Além disso, é absurdo ter meu 
nome associado a pagamentos realizados em 2004 e relativos ao Porto de 
Laguna. À época, eu era vereador e concorria à reeleição em Blumenau. As 
duas cidades nada tem a ver uma com a outra, geográfica e politicamente.

"Eu era filiado ao PFL e opositor do governo municipal blumenauense e 
federal, então administrados pelo PT. Porque eu receberia então 
recursos, oficiais ou não, relativos a obras federais? E em Laguna??
Quanto à delação de Paulo Welzel, mantenho minha manifestação anterior, 
de que jamais conheci e mantive contato com esse executivo, tampouco 
pedi ou negociei qualquer valor de campanha, oficial ou não, com ele ou 
com outros representantes da Odebrecht Ambiental. No próprio vídeo da 
delação, ele afirma que nunca falou comigo e que não entregou dinheiro 
para ninguém.

"Mantenho a confiança no bom trabalho da Justiça, com a certeza de que as 
investigações irão mostrar a verdade dos fatos. Meu maior interesse é 
que toda essa situação seja esclarecida, o quanto antes."

Leia a petição

Roberto Carlos de Souza

O ex-prefeito de Navegantes, Roberto Carlos, é apontado nas delações encaminhadas pela Procuradoria-Geral da República (PGR) ao STF com receptor de "doação eleitoral não contabilizada", ou o termo mais conhecido pelos brasileiros: caixa 2. O relato está na delação de Paulo Roberto Welzel, ex-presidente da Foz do Brasil, empresa do grupo Odebrecht. Edson Fachin, ministro relator da Lava-Jato no Supremo, declinou o caso para a Justiça Federal de Santa Catarina, que analisará sobre a abertura de inquérito. As delações são referentes aos documentos encontrados em 2016 na casa do ex-diretor da Odebrecht, Benedicto Barbosa Silva Júnior. Na planilha, o nome de Welzel aparece sendo o responsável pelo pagamento de R$ 500 mil para Roberto Carlos nas eleições de 2012, através Setor de Operações Estruturas, que organizava as propinas da Odebrecht. Na lista, o tucano é apelidado de "rei".

O que diz Roberto Carlos:

Procurado pela reportagem, Roberto declarou: "No momento só posso afirmar que minha campanha foi feita dentro da legalidade sendo aprovada pela Justiça Eleitoral."

Leia a petição

Jaison Cardoso Souza (PSDB)

A suspeita contra Jaison Cardoso Souza é de recebimento de "pagamento de vantagem não contabilizada" nas eleições de 2012, quando o tucano foi eleito. A delação sobre o ex-prefeito foi feita por Paulo Roberto Welzel, ex-presidente da Foz do Brasil, empresa do grupo Odebrecht e faz referência aos documentos encontrados ainda em 2016 pela Polícia Federal na casa de um dos diretores da construtora. Com o apelido de "surfista", Jaison aparece como receptor de R$ 300 mil do Setor de Operações Estruturadas da construtora, que gerenciava a propina para políticos e partidos, entre agosto e setembro de 2012. 

O que diz Jaison Cardoso Souza

Procurado pela reportagem, Jaison disse que não mantém contato funcionários da Odebrecht e que nos últimos 12 anos a prefeitura de Imbituba não fez nenhum tipo de negócio com a empresa. 

— Posso dizer que estou surpreso, mas fico à disposição da Justiça para esclarecer qualquer situação — concluiu.

Leia a petição

Ana Paula Lima (PT), Napoleão Bernardes (PSDB), Dalírio Beber (PSDB) e Décio Lima (PT)

Segundo a delação de Paulo Roberto Welzel, ex-diretor da Foz do Brasil (atual Odebrecht Ambiental, concessionária de água e esgoto de Blumenau) nas eleições de 2012 ele havia identificado três candidatos com chances de eleição: Jean Kuhlmann (PSD), então deputado estadual e já citado em outra delação (veja o vídeo acima), Ana Paula Lima (PT), também deputada estadual, e Napoleão Bernardes (PSDB), na época vereador. Segundo os inquéritos divulgados nesta terça, os valores de Napoleão teriam sido solicitados pelo senador Dalírio Beber (PSDB), e os de Ana Paula pelo deputado federal e marido Décio Lima (PT).

Delação de Fernando Reis

Delação de Paulo Welzel

Delação de Fernando Reis

Delação de Paulo Welzel

O que diz Décio Lima

"Em relação à menção do meu nome nas investigações do Supremo Tribunal Federal, recebo com tranquilidade, uma vez que confio que a verdade prevalecerá e a justiça será feita. Declaro que sou o maior interessado no esclarecimento de toda esta situação. É importante destacar que não sou réu e nem investigado em nenhum processo da Lava Jato. A minha vida pública sempre foi pautada pela ética, lisura e transparência e a minha história demonstra a preocupação com a legalidade de todos os meus atos."

O que diz Ana Paula Lima

"Em relação à citação do meu nome nas investigações do Supremo Tribunal Federal declaro serenidade e estou à disposição das autoridades competentes para prestar todos os esclarecimentos. Afirmo que não sou ré e nem investigada em nenhum processo da Lava Jato.Afirmo que as doações à minha campanha eleitoral foram declaradas e aprovadas pelos órgãos competentes, e que minha conduta pública é regida pelos princípios da ética, moral e legalidade."

O que diz Napoleão Bernardes

Em entrevista ao Jornal de Santa Catarina, o prefeito Napoleão Bernardes disse receber com perplexidade a notícia e citou a negociação em que a Odebrecht Ambiental solicitou revisão do equilíbrio econômico-financeiro do contrato para a operação em Blumenau, quando teria solicitado uma auditoria para rever valores que anteriormente já haviam sido reconhecidos pela Prefeitura de Blumenau. 

— Nunca me envolvi em nenhuma de minhas eleições com questões relacionadas a doações eleitorais, e eleito prefeito, a primeira relação administrativa que tive com a Odebrecht foi justamente me posicionar em favor da cidade, contrário aos interesses da Odebrecht. Justamente por cumprir minha missão e meu papel que é defender os interesses da cidade — disse o prefeito.

O que diz Dalírio Beber – clique aqui.

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