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Saúde10/04/2017 | 06h02Atualizada em 10/04/2017 | 06h02

Somente 21 cidades catarinenses atingiram a meta de vacinação para HPV

Com baixa adesão, Estado tem dificuldades de reverter índices de doenças relacionadas ao vírus, como o câncer de colo de útero


Campanhas de conscientização ajudam a reverter o cenário  Foto: Felipe Carneiro / Agencia RBS

Apenas 21 dos 295 municípios catarinenses atingiram a meta de vacinação contra HPV em 2016, segundo dados da Diretoria de Vigilância Epidemiológica (Dive-SC). Ou seja, somente 7% das cidades superaram 80% de cobertura entre as meninas de nove anos. Santa Catarina pretendia imunizar 46.948 garotas nesta faixa etária ano passado, mas somente 10.091 tomaram as duas doses da vacina, o que leva a uma cobertura de 21,5%. Especialistas defendem que com essa baixa adesão, o Estado não conseguirá reduzir índices de doenças relacionadas ao vírus como câncer de colo de útero. 

A solução passa por mudança cultural, facilitar acesso aos postos e, principalmente, trabalhar a conscientização e reintroduzir vacinação nas escolas. Para Edison Natal Fedrizzi, professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e chefe do Centro de Pesquisa Clínica Projeto HPV do Hospital Universitário – um dos locais que analisaram a eficácia da imunização –  três fatores principais influenciam a baixa adesão. O primeiro é a faixa etária, adolescentes não estão acostumados à rotina de vacinação, que é mais intensa com crianças. O segundo está relacionado ao temor de injeção, que impede a busca voluntária dos jovens. Outro ponto seria o horário de funcionamento dos postos, que dificulta o acesso de pais que trabalham:

– Todos esses fatores somados levam a uma cobertura bem menor do que gostaríamos. Isso traz impactos, porque a infecção HPV é muito frequente e muitas vezes a pessoa nem sabe que está infectada pelo vírus – reforça. 

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A gerente de Doenças Imunopreveníveis e Imunização da Dive-SC, Vanessa Vieira da Silva, considera que o grande desafio nesta faixa ainda é o retorno para completar a segunda dose, essencial para eficácia da vacina:

– Nós temos um número muito grande de primeira dose, mas elas não retornam para a segunda. 

Vanessa ressalta que os dados neste ano, primeira vez que os meninos são incluídos, estão dentro do esperado. Até 30 de março, foram aplicadas 8.283 doses em meninas e 11.265 doses em meninos.

Diferentes tipos de câncer estão relacionados ao HPV, entre eles o de colo de útero, vagina, região genital externa, anal e de cavidade oral. A vacina é a forma mais eficaz de prevenção. Para Fedrizzi, a solução passa por estimular as campanhas nas escolas, como foi feito no início da vacinação em 2014. Em Palmitos, no Oeste de SC, que teve a segunda melhor cobertura vacinal no ano passado, esse tipo de trabalho surtiu efeito. Após listar todas as meninas que precisavam tomar a vacina, equipes de saúde foram nas escolas e aplicaram as imunizações em duas etapas, em março e setembro.

– Só ficaram de fora aquelas meninas que os pais não autorizaram, que foram bem poucas – explica a enfermeira da Vigilância Epidemiológica do município, Franciole Mallmann.

Em Lindoia do Sul, também no Oeste e com a melhor cobertura vacinal de 2016, a fórmula para estimular a vacinação passa por conscientização. O secretário de Saúde do município, Fabiano Frare, explica que no ano passado fizeram divulgação em colégios, reuniões com pais e campanhas de conscientização.
Vanessa lembra que durante a Campanha de Multivacinação do ano passado, em setembro, chamaram  também os adolescentes e conseguiram vacinar quatro vezes mais essa faixa etária. 

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