Santa Catarina perde 4,6 mil vagas de emprego em março, diz Caged  - Geral - A Notícia

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Trabalho20/04/2017 | 18h58Atualizada em 20/04/2017 | 18h58

Santa Catarina perde 4,6 mil vagas de emprego em março, diz Caged 

Agropecuária registrou saldo negativo de 3,5 mil postos de trabalho, o maior número entre os setores analisados 

Após registrar em fevereiro o melhor resultado na geração de empregos nos últimos três anos, o número de trabalhadores com carteira assinada em Santa Catarina voltou a cair em março. O saldo negativo de 4.638 vagas foi impulsionado, principalmente, pelo setor agropecuário, responsável pelo fechamento de 3,5 mil postos. Os dados foram divulgados pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) na tarde desta quinta-feira. 

Comércio e serviços foram as outras duas áreas com o saldo negativo mais expressivo no período, com fechamento de 1,3 mil e 1,5 mil postos de trabalho em março, respectivamente. Na outra ponta, a indústria da transformou foi a que mais abriu vagas no período: 1,3 mil vagas.

A retração na evolução do emprego na agropecuária também se percebe nacionalmente. Ao todo, no Brasil, foram fechados 3,4 mil postos de trabalho no setor. O saldo é referente às 79,8 mil admissões contra os cerca de 83,3 mil desligamentos. Em Santa Catarina, apesar de expressivo, o número segue o padrão dos últimos anos anteriores. 

Em 2016, o saldo também foi negativo em 2.194 vagas, resultado de 3,1 admissões contra 5,2 demissões. Já em 2017, o número de admitidos foi de 2,6 mil e de dispensados, 6,1 mil _ totalizando o saldo negativo de 3,5 mil postos de trabalho. Ainda assim, na avaliação de Ricardo de Gouvêa, diretor-executivo do Sindicato das Indústrias da Carne e Derivados no Estado de Santa Catarina (Sindicarne) e representante da Associação Catarinense de Avicultura (ACAV), não é normal saldos negativos nessa época do ano.

— Do que eu estava acompanhando em janeiro, fevereiro e começo de março, as empresas até estavam começando a se animar por conta das exportações. Não se via um quadro de demissões, apesar de o mercado interno não ter reagido. Costuma-se ver até uma certa estabilidade (em março). As alterações (negativas) se percebem mais no segundo semestre, no fim do ano — pondera. 

Números negativos não seriam resultado da Carne Fraca 

Gouvêa descartou que o saldo negativo de aproximadamente 3,5 mil postos de trabalho só na agropecuária catarinense estaria relacionado aos efeitos da Operação Carne Fraca, deflagrada pela Polícia Federal no dia 17 de março deste ano e que cumpriu mandados judiciais em Itajaí, Porto Belo, Balneário Camboriú e Jaraguá do Sul. Para o diretor-executivo do Sindicarne, ainda "não teria dado tempo" de os efeitos da operação impactarem a geração de empregos no Estado.

— O impacto (da Carne Fraca) deve aparecer mais em abril, porque o que estava para ser exportado foi feito ainda em março. O saldo (negativo) vem um pouco do acumulado do ano. A queda de produção acabou afetando a geração de empregos, mas por conta do consumo interno. Melhoramos muito a situação, mas ainda não atingimos o consumo de fevereiro — contextualiza.

Por fim, o levantamento do Caged ainda aponta que, no acumulado deste ano, contando a partir de janeiro, Santa Catarina segue com saldo positivo de 22.361 _ foram 262,1 mil admissões contra 239,7 mil demissões no primeiro trimestre de 2017. Apesar disso, o número caiu com relação a fevereiro, quando a soma era de 26,3 mil. Já no acumulado dos últimos 12 meses, o Estado permaneceu negativo em março. Ao todo, 18.944 postos de trabalho foram perdidos. Apesar de negativo, se comparado com o acumulado negativo de 82,3 mil vagas registrado em março de 2016, o saldo de agora mostra melhora.

O Brasil perdeu 63.624 vagas de emprego formal em março. No mesmo mês do ano passado, a retração foi de 118 mil postos de trabalho. Em fevereiro, o resultado havia sido positivo, com a criação de 35.612 vagas formais, o que levou o presidente Michel Temer a comemorar a retomada da criação de empregos depois de 22 meses seguidos de queda.


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