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Doença grave20/04/2017 | 18h40Atualizada em 20/04/2017 | 19h10

Número de casos de sífilis cresce 40% em Santa Catarina

A transmissão de mãe para filho também aumentou (13,5%). Doença causou 34 mortes de recém-nascidos e 18 abortos no Estado no ano passado

Número de casos de sífilis cresce 40% em Santa Catarina Maykon Lammerhirt/Agencia RBS
Transmissão passa por uso de preservativos, além de reforço no tratamento de gestantes Foto: Maykon Lammerhirt / Agencia RBS
Diário Catarinense
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O número de casos de sífilis avança de forma acelerada em Santa Catarina. Em 2016, 8.228 pessoas foram diagnosticadas com a doença, um aumento de 40% em relação aos 5.863 casos notificados no ano anterior. Estado também registrou aumento de 13,5% nos casos de sífilis congênita - contágio da mãe infectada para o bebê durante a gravidez e o parto. 

Como pode levar à má-formação do feto e aborto, a doença preocupa ainda mais entre as gestantes. Só em 2016, a doença atingiu 554 bebês, causou 34 mortes nesta faixa etária e 18 abortos. Caso haja o tratamento adequado da gestante infectada e do parceiro sexual a criança nasce livre da doença. O tratamento consiste na administração de  doses de penicilina benzatina durante a gestação.

O número de gestantes infectadas também segue essa linha de crescimento. Foram 1.380 gestantes diagnosticadas com sífilis em 2016, 90 casos a mais do que o ano anterior, conforme os dados da Diretoria de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Estado da Saúde (Dive/SC) apresentados nesta quinta-feira. 

— Vivemos uma epidemia da doença, com o aumento expressivo e continuado no número de casos notificados em adultos, gestantes e, por conseguinte, crianças afetadas pela doença ainda em sua vida intrauterina — alerta o médico infectologista Eduardo Campos.

Quando nasce, o bebê com sífilis pode se apresentar gravemente doente, e, nesse caso, com elevado risco de morte, além de ter consequências que podem variar entre pneumonia ou sinais de infecção generalizada, feridas no corpo e nas mucosas nasal e oral. Também poder surgir problemas até meses depois do nascimento, como cegueira, problemas ósseos, surdez, hidrocefalia ou deficiência mental.

— O pré-natal eficiente é fundamental e decisivo para tratar a gestante e salvar a vida desses bebês — enfatiza Dulce Quevedo, gerente de vigilância das DST/Aids e Hepatites Virais da Dive/SC.

Ela acrescenta que um dos desafios nesse grupo é envolver o parceiro sexual no tratamento, fundamental para evitar uma reinfecção. Outro desafio está na conscientização da população. 

Dulce reforça que muitas pessoas ainda não sabem da epidemia da doença, além da despreocupação com o uso de preservativo, fundamental para evitar a doença. A maioria dos casos de sífilis adquirida (que não é transmitida de mãe para filho, mas via relação sexual sem preservativo) é de pessoas entre 20 e 39 anos. O grupo responde por 61% dos casos registrados em 2016. O maior número de notificações foi registrado pela Grande Florianópolis (2.062), seguida pela região Nordeste (1.698) e pela Foz do Rio Itajaí (910).

— A sífilis é uma doença grave que, se não tratada, poderá causar várias complicações, afetando praticamente todo o organismo humano e podendo provocar até a morte, mas que pode ser evitada com o uso de preservativo em todas as relações sexuais – atitude que também protegerá o indivíduo de outras 11 infecções sexualmente transmissíveis, como HIV, o HPV e as hepatites B e C — reforça Eduardo Campos.

Plano de enfrentamento

A Dive/SC deu início ao Plano de Redução da Sífilis Congênita de Santa Catarina para eliminar a transmissão de sífilis da mãe para o bebê em todo o Estado até 2019. Dentre as metas estão aumentar a cobertura da testagem para sífilis nas gestantes durante o pré-natal, bem como nos casais que estão planejando engravidar; aumentar a cobertura de tratamento adequado nas gestantes com sífilis durante o pré-natal, incluindo o tratamento dos parceiros sexuais; e aumentar a cobertura de tratamento e o seguimento adequado dos recém-nascidos com sífilis congênita. 

O que é a doença

É uma doença infecciosa causada pela bactéria Treponema Pallidum, transmitida principalmente pela relação sexual desprotegida.

Contágio

A sífilis é uma infecção sexualmente transmissível (IST) e sua principal forma de contágio é através da relação sexual sem uso de preservativo, inclusive por sexo oral. Outra forma importante de contágio é a da mãe infectada para o bebê, durante a gravidez e o parto. Apesar de rara nos dias de hoje, pode ocorrer também transmissão por meio da transfusão de sangue contaminado.

Sintomas

Inicialmente, a sífilis se manifesta como uma ferida nos órgãos genitais e ínguas nas virilhas, que desaparecem espontaneamente e podem passar despercebidas. Após alguns meses, surgem manchas no corpo e queda de cabelo.

Quando não há tratamento adequado, a doença fica estacionada por meses ou anos, até surgirem complicações mais graves como cegueira, paralisia, doenças cardíaca e cerebral que podem tanto deixar sequelas importantes como levar à morte.

Diagnóstico

É uma doença infecciosa causada pela bactéria Treponema Pallidum, transmitida principalmente pela relação sexual desprotegida.Para saber onde encontrar o teste rápido de diagnóstico, que é gratuito e sigiloso, acesse aqui.

Tratamento

A sífilis tem tratamento, e se realizado corretamente, leva à cura da doença. O tratamento é realizado com antibióticos indicados por um profissional de saúde.

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