Mãe de lageano que tentou suicídio no desafio Baleia Azul orienta que pais fiquem atentos aos sinais - Geral - A Notícia

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Comportamento20/04/2017 | 10h44Atualizada em 20/04/2017 | 13h01

Mãe de lageano que tentou suicídio no desafio Baleia Azul orienta que pais fiquem atentos aos sinais

Santa Catarina registra três casos que poderiam estar ligado ao jogo

Mãe de lageano que tentou suicídio no desafio Baleia Azul orienta que pais fiquem atentos aos sinais Ver Descrição/Agencia RBS
Foto: Ver Descrição / Agencia RBS

Nos últimos dias, a polícia passou a investigar alguns casos que poderiam estar ligados à prática do jogo Baleia Azul no Brasil. Nesta semana, por exemplo, teriam ocorrido em um único dia sete tentativas de suicídio entre adolescentes em Curitiba. Também há investigações no Rio de Janeiro, no Mato Grosso e na Paraíba. Em Santa Catarina, foram registradas três tentativas nas últimas semanas: em Lages, Tubarão e Curitibanos. 

No jogo, adolescentes seriam "convidados" a participar de um grupo fechado e lá receberiam "missões" de um curador, que verificaria se os resultados alcançados são satisfatórios, e apresentariam graus de dificuldade variados: assistir a filmes de terror, acordar de madrugada, desenhar baleias, criar inimizades e se automutilar. O 50º e último desafio seria o de tirar a própria vida.

A presidente da Associação Catarinense de Psiquiatria, Lílian Lucas, afirma que pactos de suicídio são documentados desde que a internet surgiu e preocupam quem trabalha com saúde mental na adolescência há muito tempo. Ela alerta que os jovens que participam destes jogos costumam já estar vulneráveis e ter tendência a buscar este tipo de conteúdo. 

A psiquiatra explica que quando um jovem ouve falar sobre o suicídio de alguém próximo ou de um famoso, ocorre um fenômeno que é chamado "contaminação", assim, tendem a acontecer suicídios em blocos, por imitação do comportamento.

— Se os pais notam que os jovens têm apresentado mudança de comportamento, isolamento, irritabilidade, desesperança, apatia, queda do desempenho escolar, pequenos cortes nas pernas, nos braços (podem usar blusas de manga comprida para escondê-los), a recomendação é encaminhá-los para uma avaliação médica psiquiátrica. São jovens já vulneráveis que têm a tendência de buscar por esses tipos de jogos. Por isso esses grupos, sites ou jogos em que os jovens fiquem conversando sobre o assunto, aumentam o risco — destaca. 

Como antídoto ao perigo, já começaram a surgir alguma iniciativas. É o caso do Baleia Rosa, uma página de Facebook criada por dois publicitários de São Paulo. Eles tentaram fazer exatamente o oposto do Baleia Azul, propondo uma lista de tarefas do bem. A página já passou de 127 mil curtidas.

"O começo é a depressão"

O primeiro caso de tentativa de suicídio que a polícia acredita poder ter relação com o desafio no Estado foi registrado em Lages e envolveu um jovem de 15 anos. A mãe dele, que prefere não se identificar, conta que tudo começou por um grupo no Facebook, ao qual ele foi convidado a participar. Depois, o jovem foi adicionado em um grupo no WhatsApp com participantes do Brasil inteiro:

— Acredito que depois de adicionar ao grupo do Facebook, eles observam os passos da pessoa para avaliar o perfil, ver se o adolescente é deprimido ou triste. Acho que eles não mandam esse convite para qualquer um. Depois que ele foi "aprovado", entrou em grupo no WhatsApp, no qual o passe de entrada é a primeira mutilação, com cortes superficiais. Em seguida são passadas as regras e, uma vez por dia, os desafios que o jovem tem que realizar — conta. 

A mãe conta que depois que seu filho foi internado, viu as mensagens e tentou conversar no grupo para tentar entender o que houve.

— Mas na época eu estava muito transtornada e não soube lidar bem com a situação. Agora o celular dele está com a polícia, que vai investigar o caso — completa.

A mãe do garoto conta que seu filho sempre foi um menino tranquilo, não era triste e desempenhava suas funções em casa. Mas nos últimos dois meses começou a ficar mais quieto, o que ela acreditou que fosse uma característica da idade. Depois que ele se envolveu com o desafio, o temperamento mudou:

— Antes eu estava me preocupando muito com o jogo, mas hoje eu acho que essa é só uma forma de concluir a ação. O começo é a depressão, a tristeza, a mudança de comportamento, querer desobedecer, não seguir as normas da casa, da família e se afastar. Depois que eles estão assim, esse jogo, ou qualquer outra coisa que venha a aparecer, vai causar um desequilíbrio mental, que é o grande problema — diz. 

A partir disso, ela alerta outros pais para que fiquem atentos ao comportamento dos filhos e procurem ajuda. 

— Eu choro quando vejo na TV os que não tiveram a chance de uma intervenção, como o meu filho teve. Acredito que deveria haver uma prevenção, um alerta para qualquer mudança no comportamento da criança, porque depois que eles estiverem doentes, qualquer jogo desse tipo, que chega por pessoas mal-intencionadas, é o suficiente — desabafa.

* Colaboraram Itamar Melo e Larissa Roso

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