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Segurança20/04/2017 | 19h16Atualizada em 20/04/2017 | 19h16

Facção ordenava crimes em Santa Catarina a partir de SP e Paraná

Polícia Civil cumpriu 40 mandados de busca e apreensão em todo o Estado na manhã desta quinta-feira 

Facção ordenava crimes em Santa Catarina a partir de SP e Paraná Betina Humeres/Agencia RBS
Pperação contra uma facção criminosa em SC foi deflagrada na manhã desta quinta-feira  Foto: Betina Humeres / Agencia RBS

Quatro anos depois da ação que desmanchou a estrutura de uma facção criminosa criada no Estado, apontada como responsável por pelo menos quatro ondas de atentados em Santa Catarina, a Polícia Civil, através da Diretoria Estadual de Investigações Criminais (Deic), voltou a fazer uma grande operação para combater o crime organizado. 

No começo da manhã desta quinta-feira, 200 delegados e agentes prenderam temporariamente 91 pessoas e cumpriram 40 mandados de busca e apreensão em todo o Estado contra outra organização. Desta vez o alvo foi um grupo criminoso criado em São Paulo, de onde, segundo os investigadores, partiam ordens para crimes e repasse de armamento aos integrantes do grupo em SC.

As relações dos catarinenses, aponta a polícia, eram feitas com membros do bandos espalhados em todo o país. O crescimento do bando paulista no Estado trouxe nos últimos anos uma onda de criminalidade pela disputa com a facção catarinense. Comunidades de Florianópolis e Joinville tornaram-se reféns dessa busca sangrenta por espaço. Os confrontos são apontados por investigadores como motivadores de assassinatos ocorridos em território catarinense.

As investigações começaram em dezembro do ano passado. Segundo o delegado responsável pela Divisão de Repressão ao Crime Organizado (Draco), Antônio Cláudio Seixas Joca, os criminosos paulistas viram no Estado potencial financeiro para a venda de drogas. Periodicamente, o grupo enviava ordens que partiam de uma penitenciária do interior de São Paulo. O responsável pelas armas da facção era o ponto de contato com os integrantes catarinenses. Dentro da hierarquia do grupo, os membros de SC se reportavam a um líder no Paraná, que repassava as informações para a liderança paulista. Esta liderança foi identificada e teve o mandado de prisão temporário expedido.

— Identificamos que em Santa Ccatarina havia 53 integrantes da facção fora dos presídios e 173 dentro. Boa parte dos mandados cumpridos hoje (quinta-feira) foi dentro dos presídios — detalhou Joca.

No Estado, os principais de atuação da organização eram nas regiões da Grande Florianópolis e Joinville, no Norte catarinense. Através do tráfico de drogas, rentabilizavam suas ações, que eram ampliadas com roubo e até tráfico de drogas. Dois assassinatos ocorridos em Chapecó e pelo outros outros dois na Capital também estariam ligados à facção paulista. Dos 226 suspeitos de envolvimento na facção, 112 deles tiveram mandados expedidos. Através da mediação e aprovação dos paranaenses e paulistas, os integrantes catarinenses conseguiam armas e drogas que vinham do Paraguai:


— Eles são muito organizados, é como uma empresa. O forte deles é o tráfico de drogas, e enquanto houver clientela, esse crime continuará — lamentou o delegado.

O secretário de Segurança Pública do Estado, César Grubba, não descarta que parte dos envolvidos seja transferidos para unidades federais. Nestes locais eles ficam detidos em Regime Disciplinar Diferenciado (RDD), isolados em celas individuais, com duas horas de banho de sol por dia.

— Não está descartado. O grupo das agências de inteligência vai estudar a necessidade de transferência — disse Grubba.

Mesmo que parte das ordens para crimes nas ruas tenha saído de unidades prisionais, a Polícia Civil e a secretaria acreditam no impacto da operação de ontem no trabalho da facção. Segundo o diretor da Deic, Adriano Bini, os policiais cumpriram a função de "polícia judiciária" e afirmou: "nosso papel estamos fazendo".

Em SC, no entanto, ainda não há uma unidade exclusiva para atender presos de alta periculosidade. A ala construída para este fim em São Cristóvão do Sul, no Meio-Oeste ainda não foi inaugurada. Ela deveria ter sido aberta em 2016, mas até agora aguarda agentes prisionais para ser aberta. O Departamento de Administração Prisional (Deap) do Estado diz que também estão sendo feitos reparos finais na estrutura antes da inauguração. Ainda não há previsão para a abertura.

Homicídios na Capital

A ação contra a facção paulista cria a expectativa sobre o arrefecimento dos homicídios em Florianópolis, ocorrido na sua maioria pela disputa entre o grupo criminoso contra a organização catarinense. Para o secretário Grubba, não há como apontar um prazo para a diminuição dos crimes e nem apontar se haverá essa redução:

— Por mais que façamos 100, 200 ou 300 prisões, não há como assegurar.

Maior operação contra organizações

A Polícia Civil trata esta como a maior operação contra organizações criminosas já feita no Estado. A primeira delas foi em 2013, que focou no grupo catarinense. Em 16 de fevereiro de 2013, agentes cumpriram 70 mandados de prisão. O número é quase a metade dos 112 desta quinta-feira. Daquela operação, os delegados posteriormente indicaram 98 envolvidos, sendo que parte não havia sido presa. Em primeira e segunda instância, 80 deles foram condenados a penas que, somadas, passam de mil anos.

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