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HOMICÍDIOS17/04/2017 | 03h01Atualizada em 17/04/2017 | 03h01

Escalada de crimes em Florianópolis ameaça posição do Estado em ranking medidor de violência

De janeiro a 11 de abril, ocorreram 302 homicídios em SC, sendo 60 na Capital. Números superam os dos últimos anos no mesmo período

Escalada de crimes em Florianópolis ameaça posição do Estado em ranking medidor de violência Cristiano Estrela/Agencia RBS
Uma das mortes de maior repercussão em Florianópolis ocorreu nos arredores do Mercado Municipal Foto: Cristiano Estrela / Agencia RBS

Com índices de fazer inveja e que o colocaram entre os Estados menos violentos do país nos últimos anos, Santa Catarina vê a estatística criminal de 2017 subir com a escalada de assassinatos em Florianópolis. De janeiro a 11 de abril, foram 302 homicídios no Estado, sendo 60 na Capital. Os números são superiores aos do mesmo período de anos anteriores. Em comparação com 2014, por exemplo, foram 100 mortes a mais.Os dados da Secretaria de Segurança Pública (SSP) estão em relatórios a que a reportagem teve acesso. 

O DC os obteve com fontes policiais e não pela secretaria, que informou que os dados estariam disponíveis apenas em maio.O crescimento estadual dos homicídios este ano é de 8,6%. Em Florianópolis, foram ao menos 69 mortes violentas desde janeiro, cálculo que inclui mortes em confronto com a polícia, lesões seguidas de mortes e latrocínios (roubos seguidos de mortes). A queda em rankings medidores de violência fragilizam ainda mais a atual política de segurança pública catarinense, comandada pelo promotor de Justiça César Grubba há seis anos. 

Ele é um dos poucos secretários do alto escalão do governo que permanece no cargo desde o começo do primeiro mandato de Raimundo Colombo.Imbuído na retomada do controle na Capital para que Santa Catarina não perca a marca propagandeada de Estado mais seguro do país, Grubba direcionou aumento de efetivo para a Delegacia de Homicídios. Nas ruas, deflagrou a Operação Contenção para cumprir mandados de prisão e inibir criminosos.Na quarta-feira à tarde, a Capital assistiu a uma cena rara: de terno e gravata, Grubba e os chefes das polícias deram entrevistas perto de uma barricada feita por traficantes no acesso ao Monte Cristo, no Continente. 

O bairro teve dezenas de assassinatos nos últimos anos, tiroteios e moradores vivem diante de uma guerra entre o Primeiro Grupo Catarinense (PGC) e o Primeiro Comando da Capital (PCC), que busca espaço. Em abril de 2016, o Monte Cristo já era palco do sangrento conflito e pouco mudou de lá para cá.

Joinville repete cenário de execuções

Em Joinville, que desde 2016 bate recordes negativos de homicídios, pouco se alterou neste ano no cenário de execuções e tiroteios entre facções rivais apesar da mudança na chefia regional das polícias Civil e Militar. Já são 45 mortes violentas na cidade desde janeiro.Os dados da SSP sinalizam que houve crescimento de homicídios também em Balneário Camboriú. Um dos principais destinos turísticos do país, a cidade teve seis assassinatos desde janeiro e nenhum no mesmo período do ano passado. 

As outras cidades citadas no relatório com alta de homicídios são Ilhota, Barra Bonita, Blumenau, Cunha Porã, Biguaçu, Caçador e Campos Novos. Com menos mortes estão Barra Velha, Camboriú, Imbituba, Laguna, São Bento do Sul, São José, Lages, Criciúma, São Francisco do Sul e Itajaí.

Apuração de autoria de crimes em queda

Uma outra revelação no documento da SSP é a queda livre da apuração da autoria dos homicídios pela Polícia Civil, de apenas 40,4% em 2017. Em 2014, essa mesma apuração era de 72,5% dos crimes – muitos dos homicídios têm a resolubilidade alcançada com o passar dos meses, o que faz a porcentagem subir gradativamente. A Polícia Civil é comandada há pouco mais de dois anos pelo delegado Artur Nitz, ex-diretor do litoral radicado em Balneário Camboriú. Discreto e sem o perfil linha de frente nas operações, Nitz dificilmente dá entrevistas a fundo, principalmente em situações de crises. 

Um estilo de trabalhar semelhante ao do próprio secretário Grubba.Os pontos fracos da cúpula são não conseguir frear os avanços e conflitos das facções criminosas. Os bandos do crime organizado estão diretamente por trás das mortes pelo comando do tráfico de drogas como se viu na chacina da Costeira, na Capital no começo do mês. Especialistas afirmam que é preciso um plano de ação mais abrangente e que una as ações com o sistema prisional, onde líderes presos comandam crimes.


Em Florianópolis, roubos avançam, mas têm queda em SC

Um alento é a ligeira queda no índice de roubos, outro importante medidor da violência. Nos primeiros meses de 2017, houve baixa de 4,8%. Foram 5.217 delitos contra 5.481 no mesmo período de 2016, em SC.Assim como os homicídios, a preocupação também está na Capital em relação ao avanço de roubos, onde houve alta de 12,3% este ano. Foram 777 delitos contra 692 em 2016. Assaltos às pessoas nas ruas são os crimes que mais cresceram: o Centro é a região com mais ocorrências na cidade. 

Contraponto

Procurada pela reportagem, a assessoria de imprensa da SSP/SC apontou que as ações da secretaria para reduzir os números da violência já foram manifestadas pelo titular da pasta, César Grubba, nos últimos dias. Entre as medidas, a secretaria destaca o reforço do policiamento ostensivo em áreas vulneráveis, o reforço do efetivo da Delegacia de Homicídios de Florianópolis e a criação de uma força-tarefa para cumprimento dos mandados de prisão, especialmente para os crimes mais graves (homicídios, latrocínios, roubos). 

O secretário defende a mudança da Lei Penal com urgência e da Lei Processual Penal, além de defender a atualização a da Lei de Execuções Penais e de cobrar mais rigor nas saídas temporárias de presos. Conforme números apontados pelo secretário, dos 295 municípios catarinenses, 203 não registraram homicídios este ano. Em outros 51, houve apenas uma ocorrência.


 
 

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