Conheça o projeto que proporciona aulas gratuitas de violino para pais e filhos na Guarda do Embaú - Geral - A Notícia

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Música 15/04/2017 | 08h00Atualizada em 18/04/2017 | 16h35

Conheça o projeto que proporciona aulas gratuitas de violino para pais e filhos na Guarda do Embaú

Seja numa casa de veraneio, aberta à comunidade, ou na garagem de um centro espírita, um grupo de crianças, adolescentes e seus pais, aprendem a ler partituras e a tocar um dos instrumentos de som mais suave: o violino. Num futuro bem próximo, eles formarão a primeira orquestra da Guarda do Embaú, de Palhoça

Conheça o projeto que proporciona aulas gratuitas de violino para pais e filhos na Guarda do Embaú Leo Munhoz/Agencia RBS
Catarina (destaque), a mãe Mariana, e o irmão, Artur Nichnig aprendem a tocar violino na Guarda do Emabú Foto: Leo Munhoz / Agencia RBS

Há cerca de três anos, um homem com um violão adentrou as salas de aula da escola Olga Cerino, da Guarda do Embaú, para convencer a criançada a fazer aula de música, mais precisamente, para aprender a tocar violino. Este esperto musicista usou justamente a música como forma de convencimento: tocou melodias para as crianças. Assim, Gabriel Andrade Nahas, hoje com 11 anos, foi fisgado.

— Ele tocou uma música mexicana no violão e mostrou como era o violino — relembrou o menino.

A criança chegou falante em casa. Contou a história da visita para a mãe, a pedagoga Bianka Andrade, de 38 anos, e disse que ficou doido para participar das aulas que o homem oferecia: de forma voluntária, em um novo projeto social que estava se formando na Guarda.

_ Quando ele me contou, não acreditei. Violino na Guarda? — relatou a mãe.

Gabriel e Bianka procuraram conhecer o novo projeto de música, coisa que não existia antes na praia dedicada, quase que inteiramente, ao surfe. O tal musicista era Ricardo Vieira, que é técnico em piano, escultor e se transformaria no professor e maestro dessa nova orquestra.

Foto: Leo Munhoz / Agencia RBS

O musicista, que já participava de outros projetos sociais, foi convidado pelo amigo, o médico radiologista Luiz Felipe Nobre, de Florianópolis, para se juntar ao novo Instituto Casa Nobre, que tem como propósito oferecer de forma gratuita aulas de instrumentos como piano, flauta, contrabaixo e claro, o violino, para crianças e seus pais. A ideia é deixar a Guarda do Embaú, onde o médico passa os verões, mais musical. Os ensaios ocorrem duas vezes por semana e atendem cerca de 50 crianças e adultos.

As aulas começaram de mansinho, na casa do próprio Felipe. Violinos foram comprados pelo próprio médico e com apoio de doações. Para participar das aulas, Ricardo tinha apenas uma exigência: crianças pequenas, somente junto dos pais. E não estamos falando para o pai ou a mãe ficar assistindo, não. Eles tinham que tocar junto.

— A ideia é que eles também tenham responsabilidade em relação ao aprendizado do filho, e queremos reforçar este momento entre os dois. Fazer com que pai ou mãe e filho passem mais tempos juntos — explicou Ricardo.

E de fato funciona. Bianka e Gabriel são exemplo disso. Há três anos eles tocam violino juntos, pelo menos por alguns minutos, todos os dias.

— Não só isso. Às vezes recebemos outros pais e alunos para ensaiarmos e tocarmos lá em casa. A música mudou nossas vidas. É um momento que ficamos juntos, que desestressamos, e não pensamos mais em nada — revelou Bianka.

A comerciante Verônica Staats, 46, também participa da iniciativa há dois anos com a filhota Sara Serena, de dez anos, e ama o violino tanto quanto a filha.

— A Sara aprende bem mais rápido do que eu, então ela vai me ensinando em casa também. Virou o nosso momento de mãe e filha. Além de ajudar na nossa concentração diária, para tudo. É uma forma de relaxamento, de equilíbrio mental — revelou Verônica. 

Foto: Leo Munhoz / Agencia RBS

Para todas as idades

Na Casa Nobre, crianças e adolescentes de todas as idades podem participar. Mas os pequeninos, pela facilidade de aprendizado, estão ganhando uma atenção especial. O instituto até adquiriu violinos em tamanhos menores para os pequenos poderem aprender.

Os mais novinhos da turma, os irmãos Catarina, de quatro anos, e Artur Nichnig, de cinco, dividem o mesmo instrumento. Quanto menor o violino, mais caro ele é, contou Ricardo. Os dois ainda possuem uma rotina diferente nas aulas. Como são muito pequenos, o melhor é deixa-los mais livres. Cinco minutos eles tocam e aprendem, outros saem correndo para brincar. A mamãe, a advogada Mariana Nichnig, 33, no entanto, se dedica nas aulas e pode levar o instrumento para casa para ensaiar e tocar com os dois pequenos.

— A Catarina gostava de cantar, de dançar. O Artur gosta de cantar, assobiar. Achei que as aulas seriam muito interessantes para eles, até para melhorar na questão da disciplina em casa e na escola, e também na concentração, no autocontrole, e na leveza de pegar as coisas — observou a mãe.

Antes de saírem correndo pelo jardim do Centro Espírita da Guarda, onde o grupo ensaia de vez em quando, Catarina confessou que gostava muito das aulas e de mexer no violino. A pequena já sabia certinho como colocar o instrumento debaixo do queixo e ergue-lo com os braços. E deslizava o arco do violino para fazer e conhecer o seu próprio som.

Método que facilita o aprendizado

A estudante Flora dos Santos Viana, 17, estava em sua segunda aula nesta semana no Instituto Nobre. Ricardo contou que ela, mesmo no início, já consegue ler certas partituras e tocar. Mas no segundo dia?A razão para a facilidade, explica a adolescente, é o método utilizado pelo professor, o Suzuki. Um método japonês de educação musical que usa o lúdico para deixar as aulas mais prazerosas. A extrema curiosidade e dedicação da adolescente também ajudaram.

O professor e maestro, Ricardo Vieira Foto: Leo Munhoz / Agencia RBS

— E mesmo tendo que estudar para o vestibular, eu queria muito aprender a tocar violino. Nós moramos longe de tudo aqui na Guarda. Estas aulas são quase revolucionárias. Além de que ajuda em várias outras coisas, como a concentração — contou a adolescente.

Tanto Flora, como Gabriel e Bianka, Mariana e seus dois pequenos, querem participar da futura orquestra da Guarda, que já se apresentou algumas vezes, como em shows de Natal. Segundo Ricardo, o Instituo Casa Nobre pretende ir ainda mais além: eles querem construir um teatro próprio na Guarda do Embaú e oferecer não só aulas de música para as crianças da região, mas de dança, teatro, e de mais manifestações artísticas.

— Já temos o terreno comprado, só falta a liberação de algumas licenças para iniciarmos a construção — comemora o professor.

Como nasceu o Casa Nobre

 projeto surgiu das mãos de dois amantes da música: o médico radiologista Luiz Felipe Nobre e do musicista e escultor, Ricardo Vieira — ele, que é filho de um dos fundadores da Orquestra Sinfônica de Florianópolis. Ele também já participou de projetos sociais onde ensinou música para a garotada da Casa da Criança, no Morro do Mocotó, na Capital.

Ricardo trabalha como técnico e realiza a manutenção de pianos. Uma das únicas pessoas do Estado a prestar o serviço. E foi assim que conheceu Felipe. O médico comprou um piano para sua casa de veraneio na Guarda e chamou o especialista. Dali, ficaram amigos e surgiram as primeiras ideias que motivaram o nascimento do Instituto Casa Nobre.

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