Revelações da Carne Fraca têm potencial para abalar mercado exportador em Santa Catarina - Geral - A Notícia

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Economia17/03/2017 | 17h04Atualizada em 17/03/2017 | 19h32

Revelações da Carne Fraca têm potencial para abalar mercado exportador em Santa Catarina

Denúncias vieram em momento de ampliação e abertura de mercados para os produtos catarinenses

Revelações da Carne Fraca têm potencial para abalar mercado exportador em Santa Catarina Sirli Freitas/Agencia RBS
Foto: Sirli Freitas / Agencia RBS

As revelações da operação Carne Fraca, deflagrada nesta sexta-feira pela Polícia Federal, entre elas a de que gigantes como BRF e JBS maquiavam produto estragado para comercialização, preocupam o agronegócio catarinense. Parte dos mandados judiciais foi cumprida em Santa Catarina, no frigorífico Rainha da Paz, em Itajaí, e no Peccin Agroindustrial, em Jaraguá do Sul. Ambos têm sede no Paraná.  Também houve busca e apreensões em Porto Belo e Balneário Camboriú, mas os alvos não foram divulgados.

As denúncias têm alto potencial de impacto nas exportações brasileiras. O país vende proteína animal para 150 países. Santa Catarina não deve sair ilesa. Para o secretário de Estado da Agricultura, Moacir Sopelsa, certamente haverá efeitos.

— É muito cedo para a gente dizer como será o reflexo lá fora, mas pode ter certeza que vai ter reflexo. Se você pegar por exemplo o que aconteceu com o leite adulterado, aquilo abalou todo mundo. E a hora que isso refletir no mercado de frango e carne suína, o primeiro a ser afetado vai ser o elo mais fraco, o produtor — afirma Sopelsa. 

Maior exportador de frango e de carne suína do país, o Estado comemorava um excelente primeiro bimestre, com crescimento de 23% no valor dos embarques ao exterior, o primeiro aumento para o período após dois anos de queda consecutiva. O frango é o principal produto da pauta de exportações catarinense, e a carne suína ocupa o terceiro lugar, atrás da soja. 

As revelações vieram justamente no momento em que o Estado negocia ampliação e abertura de mercados para proteína animal, entre eles o da Coreia do Sul, que tem agendada a visita de inspetores a Santa Catarina ainda neste semestre. Devido à conquista de novos mercados no ano passado, a exportação de frango cresceu 36%, e a de carne suína, 74% nos dois primeiros meses de 2017.

No começo do mês, em mais um esforço de ampliação de vendas ao exterior, uma missão com empresários e autoridades, liderada pelo governador Raimundo Colombo, foi ao Japão para estreitar os laços comerciais com os importadores japoneses.
 
Notícias como essa têm grande chance de abalar laços comerciais, já que os países compradores costumam ter critérios rigorosos de sanidade animal. Em 2012, por exemplo, o Japão suspendeu a compra de carne do Brasil após a suspeita de vaca louca no Paraná. 

Em nota, a Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc) informou que só será possível avaliar eventuais efeitos da operação. Diz a nota: "depois que ficarem mais claros os fatos levantados pela Polícia Federal. A entidade defende que as investigações e os desdobramentos dela sejam conduzidos com muita responsabilidade, coibindo eventuais práticas que se provem inadequadas e oportunizando também às empresas investigadas o devido espaço para esclarecer os fatos."

Também por meio de nota, o Sindicato das Indústrias da Carne e Derivados no Estado de Santa Catarina (Sindicarne) e a Associação Catarinense de Avicultura (ACAV) afirmam que "os fatos apurados pela Polícia Federal são isolados e representam lamentáveis exceções dentro da cadeia produtiva."

Contatado, o frigorífico Peccin informou que ainda não tinha declarações a fazer sobre o caso. O Rainha da Paz não retornou até a publicação desta reportagem.

Como é feita a fiscalização em SC

Conforme informações do secretário de Agricultura, em SC todo o rebanho é cadastro e acompanhado pela Companhia Integrada Agrícola (Cidasc) até o momento em que os animais entram  na agroindústria. 

Já na indústria, o animal é recebido e inspecionado por um veterinário do Ministério da Agricultura, com uma equipe de técnicos, que avaliam a saúde e acompanham o abate. Caso o animal não esteja dentro das exigências, ele é descartado para consumo humano antes mesmo do abate. A carne é processada e o produto é mais uma vez inspecionado por um veterinário. Só então é embalado e recebe o selo de inspeção do Ministério da Agricultura. 

O que é a operação Carne Fraca

Uma força-tarefa detectou, em quase dois anos de investigação, que as superintendências regionais do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Paraná, Minas Gerais e Goiás atuavam para proteger grupos empresariais ao emitir certificados sanitários sem fiscalização efetiva.  Hoje, o Ministério anunciou o afastamento de 33 servidores do órgão que são alvo de investigação.

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