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Nova polêmica15/03/2017 | 10h11Atualizada em 15/03/2017 | 10h11

Ministro associa obesidade a crianças não descascarem alimentos "com as mães"

Ricardo Barros afirmou que as mulheres não ficam mais em casa como antigamente

Ministro associa obesidade a crianças não descascarem alimentos "com as mães" Lucio Bernardo Junior/Divulgação
Foto: Lucio Bernardo Junior / Divulgação
Estadão Conteúdo
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Uma semana depois de o presidente Michel Temer ser duramente criticado por seu discurso no Dia Internacional das Mulheres, em que disse ter "convicção do que a mulher faz pela casa", foi a vez de seu ministro da Saúde, Ricardo Barros, provocar polêmica sobre o mesmo tema. Ao fazer o anúncio sobre um plano de metas para reduzir a obesidade no país, Barros associou o problema ao fato de crianças "não terem a oportunidade de aprender a descascar alimentos" com suas mães.

— É preciso qualificar essas crianças para manipular os alimentos. Muitas delas não ficam em casa com as mães e não têm oportunidade de aprender a descascar os alimentos — disse.

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Em nenhum momento ele faz referência à figura paterna:

— É preciso descascar mais e desembalar menos.

Em sua fala, o ministro afirmou ainda que, como as mães não ficam em casa, crianças não têm oportunidade de acompanhá-las nas tarefas diárias, como ocorria no passado. As declarações foram dadas no momento em que o ministro justificava uma parceria com o Ministério da Educação para ensinar hábitos saudáveis para crianças e incentivar o consumo de alimentos in natura em substituição aos processados.

Não é a primeira vez que Barros comete esse tipo de gafe. Em agosto, o ministro afirmou que homens vão menos ao médico porque trabalham mais. Na época, as declarações arrancaram críticas até de sua filha, Maria Victoria Barros.

— Trabalhamos 5 horas a mais na semana que os homens — reagiu a filha.

O plano do Ministério da Saúde apresentado tem três metas, a serem alcançadas até 2019: deter o crescimento da obesidade até 2019, reduzir o consumo regular de refrigerantes e de suco artificial em pelo menos 30% e ampliar para no mínimo em 17% o porcentual de adultos que consomem frutas e hortaliças regularmente. O programa é uma forma de apoio do ministério à agenda de nutrição adotada pela Organização das Nações Unidas, para assegurar o acesso universal a dietas mais saudáveis e sustentáveis até 2025.

Ao anunciar as medidas, no entanto, o ministro não disse como elas serão alcançadas. Citou parceria já existente com o Ministério da Educação para o programa de Saúde na Escola e o projeto de que, nessas atividades, sejam incluídas noções sobre como preparar alimentos. Afirmou ainda que aplicativos serão lançados para auxiliar a população a controlar o consumo de alimentos e incentivar a prática de exercícios.

 
 

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