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Quanto tempo a saúde pode esperar?11/03/2017 | 07h37

Filas da saúde: Doroteu Arrua aguarda transplante para ter mais qualidade de vida

Enquanto aguarda por um chamado na lista de espera por rim, morador do Passo Manso faz sessões de hemodiálise

Filas da saúde: Doroteu Arrua aguarda transplante para ter mais qualidade de vida Patrick Rodrigues/Agencia RBS
Foto: Patrick Rodrigues / Agencia RBS

O diabetes sempre despertou preocupação sobre uma possível insuficiência nos rins em Doroteu Romero Arrua, 52 anos. Após a cirurgia de catarata em 2010, o oftalmologista que o atendeu chegou a antever um problema renal futuro. Mas foi na volta de uma viagem ao Paraguai para visitar os pais, em abril de 2016, que o supervisor de entrega dos Correios de Blumenau começou a sentir de fato os efeitos de que algo não ia bem.

Mesmo sem comer Doroteu tinha enjoos durante o dia. Estava inchado e tinha a pele tomada por um tom amarelo. Em junho passado fez exames que não apontaram alterações na função renal. Em setembro, repetiu os exames e o problema apareceu.



– A médica do posto de saúde me ligou quando pegou os resultados. Ele estava com a creatina e a ureia muito altas.  Ela disse: vão direto para o hospital se não ele pode morrer sem saber nem do quê – relembra a esposa Lorete Aparecida Arrua, 49 anos.

O susto ocorreu em 10 de setembro e, no dia seguinte, Doroteu já padecia nas máquinas de hemodiálise do Hospital Santa Isabel. Desde então, foi afastado do trabalho e passou a fazer sessões de filtragem do sangue de três a quatro horas, três vezes por semana.

A qualidade de vida melhorou. Doroteu chegou a perder 11 quilos que, segundo ele, eram só líquido retido. Os enjoos se foram, a pressão que era alta agora chega a ficar abaixo do normal nas saídas da hemodiálise.

Mas o bem-estar é conquistado a duras penas. No sofá da casa em que mora no bairro Passo Manso, Doroteu descansa na companhia de dois filhos, mas manobrando o pescoço com cuidado com o cateter usado para a filtragem do sangue – instrumento que já deixou marcas em outros pontos das veias no peito e no pescoço.

No dia a dia os hábitos também mudaram. Doroteu praticamente não toma líquidos – cortou o café, o adorado chimarrão e reduziu a água a meio copo por dia, quando o calor sacrifica demais. Frutas como banana, laranja e uva, com muito potássio, deram lugar a pêssego, maçã e pera. Embutidos e leites, nem pensar. E carne somente uma vez por semana.

Doroteu quer viver muito melhor, de preferência livre da hemodiálise. Para isso, o caminho é o transplante de rim, responsável pela maior fila para transplantes em SC. No dia 16 de janeiro, após passar por uma série de exames, ele entrou oficialmente na lista de espera por um órgão. Segundo a Renal Vida,  167 pessoas aguardam por transplante e são feitos cerca de 100 procedimentos por ano em Blumenau – em 2016, o município registrou o recorde de 115 cirurgias.

– Agora vou passar pela preparação, que envolve palestra com psicólogo, nutricionista. Fiquei muito contente só de entrar na fila porque esse tratamento não é nada fácil de suportar. Já que tem uma saída, vamos acreditar. Agora é esperar e torcer – anseia.

Doroteu Romero Arrua, 52 anos
Passo Manso
• Quadro: insuficiência renal crônica
• Aguarda por: transplante de rim
• Desde: janeiro de 2017
• Posição: indefinida
• Panorama da fila: segundo dados da SC Transplantes, 535 pessoas esperavam na fila até o final de 2016 por sete tipos diferentes de procedimentos. Durante todo o ano passado, foram feitas 1.113 cirurgias de doações. O órgão com maior demanda é, de longe, o rim (333 pessoas à espera no Estado), seguido por córnea (70) e medula (62). Em Blumenau, segundo equipe da Associação Renal Vida e do Hospital Santa Isabel, a lista de espera até esta semana era de 167 pacientes. Anualmente são feitos em média 100 transplantes no município – em 2016, a cidade alcançou o recorde de 115 transplantes de rim. A lista não funciona exatamente como uma fila de espera, já que quando aparece um doador é preciso avaliar se há compatibilidade sanguínea e genética e também a quantidade de anticorpos dos pacientes. Em razão disso, não há ordem na fila e o tempo de espera é irregular: pode levar apenas dias ou anos.


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JORNAL DE SANTA CATARINA - Blumenau

 
 

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