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Opinião29/11/2016 | 11h09Atualizada em 29/11/2016 | 12h50

Nosso eterno respeito 

Embora a morte seja um fato presente no nosso cotidiano, nunca estamos preparados para lidar profissionalmente com a tragédia quando ela, sorrateira e repentinamente, nos atinge em cheio

Embora a morte seja um fato presente no nosso cotidiano, nunca estamos preparados para lidar profissionalmente com a tragédia quando ela, sorrateira e repentinamente, nos atinge em cheio. Seja porque estamos em constante movimento, porque testemunhamos tiroteios, brigas e manifestações violentas ou porque, às vezes, somos os únicos a querer entrar em lugares de onde todos querem sair, profissionais da comunicação sentem com frequência a mesma dor das pessoas que protagonizam coberturas trágicas.

Além da sombra dos acidentes e dos conflitos, jornalistas são alvos com triste regularidade de agressões por quem quer calar a verdade e a liberdade de expressão. Mesmo assim, o risco de morte é raramente comentado entre nós. Trata-se de uma espécie de superstição: imaginamos que, quanto menos falarmos dela, mais distante ela deverá se manter.

Infelizmente, nada mais falso. A morte de 20 profissionais em um acidente é uma das maiores tragédias que já atingiu a imprensa mundial na história recente. Em todas as latitudes e longitudes, o mundo do jornalismo está abalado e consternado como raramente se viu antes.

Os 20 profissionais da comunicação que estavam no voo charter haviam sido escolhidos a dedo para a missão. Participar da cobertura de uma final internacional é uma pauta reservada a poucos — uma espécie de condecoração jornalística ansiada por todos que atuam na imprensa esportiva. Os cinco queridos colegas da RBS que morreram na Colômbia eram exemplos dessa estirpe — combinavam seu talento com um dos momentos mais gloriosos do futebol catarinense e a paixão de informar.

Em nenhuma atividade há morte nobre — só há mortes e dramas pessoais e familiares a se lamentar e se solidarizar. Mas as duas dezenas de profissionais que perderam a vida nas montanhas colombianas deixam a suas famílias, amigos e colegas a eterna admiração e respeito por quem, como eles, não mediam esforços por levar informação ao público. Essa sim é uma missão nobre e fundamental para a sociedade e, por isso, os colegas mortos permanecerão para sempre como uma luz a inspirar a profissão e as próximas gerações de jornalistas.

* Marcelo Rech é vice-presidente Editorial do Grupo RBS, presidente da Associação Nacional de Jornais e presidente do Fórum Mundial de Editores

 
 

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