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Fim da idade reprodutiva18/11/2016 | 15h57Atualizada em 19/11/2016 | 18h52

As dúvidas mais comuns das mulheres durante a menopausa

Inevitável e causador de uma série de incômodos, o período de mudanças no corpo da mulher gera insegurança e mexe com a feminilidade

As dúvidas mais comuns das mulheres durante a menopausa Gonza Rodrigues / Arte ZH/Arte ZH
Foto: Gonza Rodrigues / Arte ZH / Arte ZH

Transformações costumam ser acompanhadas de muitas dúvidas. Para a maioria das mulheres que chega à menopausa, essa fase delicada de mudanças no corpo não gera apenas incertezas, mas também incômodos físicos difíceis de conviver. O que está acontecendo comigo? Como faço para dormir bem novamente? Devo fazer terapia hormonal?

Cerca de 80% das mulheres sentem os sintomas do período que marca o fim da idade reprodutiva: elas têm o fogacho (o famigerado calorão), atrofia vaginal, oscilações no humor e insônia. Ainda que seja parte do ciclo biológico do corpo feminino, essa fase ainda é vista como um tabu e, para algumas pessoas, representa a perda da feminilidade. Mas com os métodos adequados e respeitando as características de cada mulher, é possível passar pela menopausa de forma mais leve.

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Reunimos as principais perguntas que surgem nesse período.

O que está acontecendo com meu corpo?

As alterações no corpo da mulher que caracterizam o climatério e a menopausa acontecem devido à falta de hormônios femininos, especialmente o estrogênio. Tudo começa no cérebro, mais especificamente no hipotálamo e na hipófise. São as regiões responsáveis por estimular os ovários a produzir os folículos (cuja função básica é gerar um óvulo) e os hormônios. A menopausa representa o fim do período reprodutivo da mulher.

— Com a idade mais avançada, há maior risco de doenças e problemas genéticos na gestação. É uma forma de proteção, a natureza impõe essa idade fisiológica por meio da menopausa — explica a ginecologista especialista em climatério Elaine Sangalli Mallmann.

A principal causa dos sintomas que marcam o período é a diminuição do hormônio feminino estradiol, um tipo de estrogênio. Essa substância é essencial para a função reprodutiva das mulheres e também responsável pela manutenção de alguns tecidos do corpo, como os da vagina, do útero e das mamas, mas também interfere no funcionamento do cérebro, do sistema cardiovascular e dos ossos.

— A mulher não fica zerada de hormônios, mas produz um estrogênio fraco — diz o médico Sheldon Rodrigo Botogoski, professor adjunto da Universidade Federal do Paraná e autor do livro Menopausa: o que você precisa fazer.

A irregularidade menstrual costuma ser o primeiro sinal do início do climatério (entenda o que é abaixo). Nem todas as mulheres apresentam os sintomas desta fase, mas todas passam pelo climatério. Os incômodos duram, em média, cinco anos, mas esse tempo é bastante variável.

— Não se sabe por que algumas mulheres têm mais sintomas do que as outras. O que se sabe é que os hormônios se estabilizam com o tempo e, então, os sintomas cessam. No começo desse processo, há uma flutuação muito grande, por isso os incômodos surgem — afirma Elaine.

As mudanças no corpo causadas pela menopausa tornam-se frustrantes. Com os avanços da liberdade feminina, muitas mulheres chegam a esta etapa superativas na vida profissional e amorosa. Sintomas como calorões, perda da libido e alterações de humor tornam-se obstáculos difíceis de aceitar e enfrentar.

— A expectativa de vida aumentou, mas não conseguimos mudar a idade da menopausa. Não podemos frear a natureza. Hoje, a mulher de 50 anos é jovem e se vê surpreendida pela menopausa batendo à porta. Ela não quer ficar mal, viver sem libido — comenta Elaine.

Qual a diferença entre climatério e menopausa?

Menopausa: é a última menstruação da mulher. Costuma ser diagnosticada um ano depois que aconteceu. Se não houve mais fluxo desde então, a mulher passou pela menopausa.

Climatério: é o período que antecede a menopausa e segue até o fim da vida da mulher, ainda que os sintomas desapareçam posteriormente. As primeiras mudanças no corpo costumam ocorrer por volta dos 40 anos. Os sinais variam de mulher para mulher e não têm tempo determinado de duração. Os mais comuns são ciclos menstruais irregulares, com variações no fluxo, e alterações no humor.

Devo fazer terapia hormonal?

A terapia hormonal consiste em inserir no corpo as substâncias que pararam de ser produzidas naturalmente pelo organismo. Geralmente, o tratamento começa depois da menopausa.

— Não existe remédio que adie ou antecipe os sintomas, é um evento fisiológico. Nessa fase, a consulta médica e a informação são essenciais para deixar a mulher mais tranquila, desmistificar o que vem por aí — diz a ginecologista Elaine Sangalli Mallmann.

Antes de iniciar um tratamento com hormônios, é preciso levar em consideração uma série de questões: mulheres com histórico de câncer de mama, doenças hepáticas ou derrames não devem optar pela reposição, que pode aumentar os riscos de desenvolver esses problemas. Independentemente do histórico, é fundamental manter contato com o médico periodicamente — nada de esquecer do check-up básico.

Além de aliviar os sintomas, a terapia hormonal evita a perda óssea e protege de doenças que podem aparecer mais tarde. Em alguns casos, a reposição é feita de forma mais pontual, para tratar sintomas específicos, e nem sempre a ingestão é o meio mais indicado. Se, por exemplo, a paciente sofre com ressecamento e atrofia vaginal, é possível receitar apenas hormônios de aplicação local ou procedimentos a laser para amenizar o problema.

Segundo Elaine, os hormônios sintetizados disponíveis hoje no mercado são mais seguros e parecidos com os produzidos naturalmente pelo corpo. Ainda assim, o tratamento pode aumentar o risco de câncer, principalmente de mama, e de tromboembolismo (coagulação do sangue).

A duração da terapia é variável e deve ser estabelecida em um acordo entre médico e paciente.

— Não há regra, conversamos para ver as vantagens de manter a terapia. A maioria das mulheres faz o tratamento até cessarem os sintomas, mas existe uma tendência de continuar o tratamento por até 10 anos para prolongar o período de proteção — afirma a ginecologista.

Além da terapia hormonal, outros medicamentos podem ajudar a tratar os incômodos do climatério. Para as oscilações de humor, o uso de remédios antidepressivos pode ser receitado pelos médicos. As substâncias agem diretamente no sistema nervoso central e são capazes de promover melhora no bem-estar físico e emocional. Praticar ioga também é benéfico: já está cientificamente comprovado que ele melhora o sono e a qualidade de vida da mulher durante o climatério.

Como posso me preparar?

Atenção ao corpo e à mente, acompanhamento médico e informação são fundamentais na preparação para a menopausa e o climatério.

Bons hábitos de saúde são a chave para a transição tranquila — e não tem idade para isso começar. Mesmo que a mulher tenha passado os primeiros 40 anos de vida de forma sedentária e acima do peso, é possível mudar a rotina e sentir os benefícios. Os médicos são unânimes: alimentação adequada, exercício físico regular e cuidado com o bem-estar emocional são muito benéficos.

De acordo com o ginecologista Sheldon Rodrigo Botogoski, mulheres em dia com a saúde atravessam o climatério com mais disposição e menos sintomas.

— Manter hábitos saudáveis é extremamente importante. Pacientes que sempre fizeram isso passam com tranquilidade pela menopausa, muitas vezes dispensando a terapia hormonal. Os exercícios conseguem promover uma melhora metabólica, o que pode amenizar os sintomas. Quem não tem sintomatologia intensa normalmente não precisa fazer o tratamento com hormônios — afirma Botogoski.

Ajuda dos alimentos

Durante a menopausa, os cuidados com a alimentação são essenciais para dar ao corpo o que ele precisa. O período aumenta o risco de perda da massa magra e aumento da massa gorda.

Segundo a nutróloga Claudia Hallal Gazal, do ambulatório de climatério do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, recomenda-se que a mulher tenha uma leve restrição calórica, já que há uma redução no gasto energético, o que pode ser acentuado com o sedentarismo.

— Consumo de grãos integrais, legumes, verduras, carnes brancas magras, oleaginosas, óleo de oliva e a restrição de açúcares simples e carnes vermelhas é bastante eficaz — afirma Claudia.


 
 

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