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Esperança02/01/2016 | 09h05

Conheça as pessoas que fazem a diferença para construir um Jardim Paraíso melhor

Após um ano marcado pela violência em 2015, bairro quer construir um futuro melhor

Conheça as pessoas que fazem a diferença para construir um Jardim Paraíso melhor Salmo Duarte/Agencia RBS
Miriam e Mariza criaram um espaço cultural para crianças do bairro Foto: Salmo Duarte / Agencia RBS
Um Jardim Paraíso formado por pessoas que promovam a paz, vivam dignamente e procurem fazer a diferença com a esperança de fazer do amanhã um dia sempre melhor. Esse é o sonho dos moradores de um bairro que em 2015 foi marcado pela violência, mas que veem em 2016 a possibilidade de reconstruir o seu cotidiano para acreditar em um futuro inspirador.

O bairro, localizado na zona Norte de Joinville, esteve em evidência no último ano por causa da violência. Uma onda de assassinatos provocada, principalmente, pelo tráfico de drogas; a morte de uma criança – vítima de uma bala perdida; e as rotineiras operações policiais, que foram intensificadas em consequência dos acontecimentos, foram duras realidades com as quais os moradores precisaram se habituar, mas que não fazem parte das planos para o ano que chegou.

O Jardim Paraíso é muito mais do que este recorte. Há voluntários que investem tempo, dinheiro e sentimento para transformar o local em um ambiente mais favorável para as futuras gerações. "AN" foi em busca dessas histórias que fazem acreditar que amanhã será, sim, um dia melhor.

Incentivo à leitura

Espaço Criativo e Literário Júlio Emílio Braz é o nome de um projeto que leva leitura e conhecimento às crianças carentes do bairro Jardim Paraíso. Com nome de um reconhecido escritor carioca, parece se tratar de um espaço cultural amplo, com muitas pessoas trabalhando. Mas é o contrário. O projeto de nome grande é timidamente levado adiante graças à força de vontade de duas mulheres que sonham grande.

O desejo da professora de português Mariza Schiochet e da moradora Miriam Padilha é salvar vidas, tirar crianças das ruas e proporcionar momentos de aprendizado. Foi acreditando neste sonho que, há quase quatro anos, elas reúnem periodicamente cerca de 15 crianças em um espaço improvisado na casa de Miriam.

O projeto começou com apoio da Associação Instituto Moriá, que promove atividades para crianças carentes. A professora Mariza levou uma de suas caixas de leitura para a garagem da casa da Miriam. Com o tempo, a pequena biblioteca foi criando corpo e passou a funcionar em outro espaço – um pouco melhor do que a garagem –, mas igualmente improvisado. Durante o dia, o pequeno metro quadrado, com paredes de madeira e mesas reaproveitadas, fica disponível para as crianças. Durante a noite, é o espaço onde Miriam vende seus lanches e ajuda a sustentar a família.

Hoje, o Espaço Criativo continua improvisado. Bem que as duas gostariam de ampliá-lo, mas o que importa mesmo é reunir as crianças.

Com ajuda de doações e com investimento do próprio bolso, a professora providencia material escolar e livros. Ela também doa tempo e conhecimento. Faz contação de histórias e ensina português e literatura. Toda vez que um artista ou escritor aceita acompanhá-la até o espaço, o encontro se torna ainda mais enriquecedor. Mas o Espaço Criativo não sobrevive apenas de conhecimento. Amor, carinho e atenção são outros ingredientes que adoçam o café preparado no final de cada encontro.

– O melhor incentivo é tirar essas crianças da rua, porque a rua não ensina nada de bom. A gente procura ensinar um pouco sobre leitura, desenho, entreter a cabeça delas e ensinar o que é certo – diz a moradora.

Para Miriam, as crianças do Jardim Paraíso se contentam com pouco e o que elas precisam mesmo é de instrução. O material escolar que recebem no espaço já é suficiente para deixá-las felizes. O Jardim Paraíso que a moradora e a professora procuram proporcionar aos alunos é o Jardim Paraíso que as próprias crianças idealizam em seus desenhos coloridos.

– Nós somos a água que tenta regar esse jardim. Vocês são as flores do jardim e eu acredito em vocês – incentiva a professora. 

Liderança

Inês Gonçalves, 47, é conhecida como a porta-voz do bairro. É ela que os moradores procuram toda vez que precisam de ajuda. Inês mora há 30 anos no Jardim Paraíso. Trabalhou como agente comunitária da saúde e foi presidente da associação de moradores. Hoje, ela coordena o Conselho Comunitário – uma espécie de fórum da comunidade. Faz 15 anos que o conselho une forças em busca de melhorias para o bairro.

Representantes dos setores de saúde, educação, assistência social, de entidades e do Conselho Comunitário de Segurança se reúnem mensalmente para discutir os problemas do bairro. Um dos assuntos que foi pauta recentemente é a obra de infraestrutura da avenida Plutão, que ainda não saiu do papel. A partir desta reunião é que o conselho cobra medidas do poder público.

Inês acredita que muitas causas já foram ganhas. O Jardim Paraíso começou com pequenos loteamentos que pertenciam a São Francisco do Sul e, por causa da distância com o município de origem, não recebia investimentos. De acordo a moradora, a comunidade participou de várias audiências na Câmara de Vereadores até que o bairro fosse integrado a Joinville. Na sequência, vieram programas de habitação, pavimentação, escolas e unidades de saúde.

Embora o bairro já tenha recebido algum tipo de investimento, Inês acredita que ainda há muito o que se fazer.

– Não podemos desistir, temos muitas conquistas aqui dentro que nos dão energia (para continuar) e entender que esse é só um momento que estamos passando (sobre a violência).



Referência social

Desde que se mudou para o bairro Jardim Paraíso, há cinco anos, Leandro Rodrigues da Silva, 28, procura unir forças para melhorar a vida das pessoas que o cercam. O trabalho dele é voltado para as famílias carentes que vivem na ocupação da rua Vulpécula. Leandro é voluntário na Associação Instituto Moriá – entidade sem fins lucrativos que promove atividades para pessoas carentes. Ele é o responsável por organizar os eventos patrocinados por empresas parceiras, voltados para as crianças e os idosos.

As atividades normalmente ocorrem em datas comemorativas. No final do ano, por exemplo, ele levou cerca de 100 crianças em um café com recreação realizado por uma empresa. Ele também organiza as doações recebidas pela instituição.

Além de atuar como voluntário no Instituto Moriá, o morador é conhecido por multiplicar ações. Foi ele quem ajudou a criar a biblioteca da casa de Miriam que se transformou no Espaço Criativo e Literário Júlio Emílio Braz (página ao lado). Leandro também apoia os moradores que trabalham com reciclagem e os ensina a gerar renda.

– O que me move é a esperança de ver as pessoas que estão próximas a mim ainda mais felizes do que estão.

Valores além da escola

O grupo Amigos do Jardim Paraíso é um dos braços voluntários que apoiam as crianças carentes do bairro. O projeto existe há oito anos e funciona numa localidade conhecida por Ribeirão do Cubatão. O grupo não é uma organização formal e muito menos uma instituição com grandes investimentos. É uma iniciativa de três mulheres que doam tempo e amor. Uma das voluntárias é Mônica Hellmann, 30 anos, que entrou no grupo há dois anos. O pai dela ofereceu o espaço em que hoje elas recebem as crianças. Até então, as atividades ocorriam em uma sala menor.

– A gente canta, brinca e faz um lanche porque muitas crianças chegam famintas. É um momento de recreação, coisa que muitas delas não tem. O nosso objetivo principal é ensinar valores como a obediência, o respeito e o convívio social. Também ensinamos princípios bíblicos.

As atividades acontecem todas as quartas-feiras, das 19 às 21 horas. Cerca de 50 crianças participam religiosamente de todos os encontros. Elas se deslocam até o espaço, acompanhadas dos irmãos mais velhos. A condução de volta para casa fica por conta das professoras mesmo, que oferecem carona nos carros particulares. A aproximação com os pais é tímida e leva tempo até conquistar a confiança. De acordo com a voluntária, a maioria das crianças é acostumada a conviver com a violência.

– Uma vez, um menino chegou para mim e disse: ‘Profe, sabia que mataram meu pai na frente da minha casa?’. Eu abaixei (na altura dele) e o ouvi, porque eles querem desabafar. Eles nos veem como um ponto de apoio.

Esse é um dos episódios com que Monica e as outras professoras se deparam toda semana. É a realidade dura que as voluntárias procuram amenizar.

– O que me move é a esperança e o desejo de transformação. Olhar para a necessidade e trabalhar para mudar isso.

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