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Segurança09/02/2015 | 06h03

Você se reconhece em alguma dessas situações de violência contra a mulher?

Em alguns casos, depois que o agressor fragiliza a mulher, começam os abusos e a violência

Você se reconhece em alguma dessas situações de violência contra a mulher? Salmo Duarte/Agencia RBS
Entrevista com Cristina Maria Weber, psicóloga da Delegacia de Proteção à Mulher, à Criança, ao Adolescente e ao Idoso Foto: Salmo Duarte / Agencia RBS

Na maioria dos casos de violência doméstica, o homem dá sinais de agressividade ao longo do relacionamento. O homem agressivo normalmente tem problema de autoestima e, para se sentir superior, procura isolar a parceira do mundo exterior e prejudicar a sua autoconfiança. Porém, há exceções. Nos casos dos crimes passionais, por exemplo, nem sempre há histórico de agressão. Um sentimento muito forte pode levar o ser humano a cometer atitudes cruéis. Confira o que diz a psicóloga Cristina Maria Weber, da Delegacia de Proteção à Mulher, Criança, Adolescente e Idoso.

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Sinais de violência

Existe uma cultura machista que coloca a mulher como dependente, objeto de posse, submissão. O homem agressor normalmente tem baixa autoestima. Para ele se sentir superior à mulher, ele vai minar a confiança dela e torná-la submissa. Primeiro, ele vai conquistá-la e, aos poucos, vai fazer com que ela se afaste de amigos e talvez saia do emprego. O homem possessivo, que tem ciúme, procura isolar a mulher, a subestima, humilha, age gradativamente com o objetivo de deixá-la frágil.

Escolha errada e inconsciente

É comum a mulher que sofre agressão ter sido criada num contexto de um pai alcoólatra ou que agredia a mãe. Ela inconscientemente se identifica com esse tipo de homem. Não que a mulher escolheu sofrer. Isso vai além da percepção dela. Acaba escolhendo esse tipo de parceiro e fica nesse ciclo.

Dependência emocional

Hoje, as mulheres já são mais independentes financeiramente, mas dependem emocionalmente do marido. É um apego, necessidade de ter um parceiro, faz parte da cultura machista e que a mulher perpetua por meio de suas atitudes. A própria mulher é machista na criação do filho e só se sente valorizada a partir do momento em que ela tem um parceiro. Quando se dá conta, já se apegou e teve filhos.

Crime passional

O caso da mulher queimada pelo ex-companheiro que não tinha histórico de violência não é isolado. São os crimes passionais que chocam. Não existe um perfil predeterminado, um psicopata, em que foi percebido algum sinal. O que motiva o crime é um sentimento muito forte. Pode ser a dor da separação, frustração, humilhação ou a perda do amor do outro. Como ele tem esse sentimento de posse, pensa que a mulher não pode ser de mais ninguém. A pessoa pensa em destruir o outro porque ele já não lhe pertence mais. Por outro lado, existe uma preparação para cometer esse crime.

Ciclo da violência

Depois que o homem mina a confiança da mulher, inicia o momento de tensão e violência. A agressão pode ser psicológica, física ou sexual. Depois da agressão, vem o pedido de desculpa. Esse é o período chamado de lua de mel. A reconciliação e as promessas de mudança. O que as mulheres querem não é que o marido seja preso ou punido, mas sim que ele mude. E acreditam que ele realmente vai mudar. Mas ele não se dá conta das atitudes dele e do quanto ele prejudica a relação. Possivelmente porque já vivenciou isso na criação. Porém, isso não quer dizer que esse parceiro um dia vai matá-la. Também não significa que um parceiro que nunca demonstrou violência nunca cometerá um ato desses.

Problema social

A violência doméstica é um problema muito mais social do que criminal. Vem da educação e da cultura. Elas buscam na delegacia uma forma de reconciliação. São problemas sociais que precisam da intervenção do Estado. Hoje, essa intervenção ocorre por meio da Lei Maria da Penha, que foi criada para proteger a vítima. É enxugar gelo. Ao invés de se trabalhar com a consequência, deveria se trabalhar a causa.

Falta de estrutura dificulta atendimento

Delegada Tânia Harada / Foto: Salmo Duarte

A falta de estrutura e de efetivo na Delegacia de Proteção à Mulher, à Criança, ao Adolescente e ao Idoso de Joinville é obstáculo para melhorar o atendimento de vítimas de violência. O volume imenso de medidas protetivas registradas na delegacia impede que os casos mais graves que envolvem violência sexual contra crianças, por exemplo, tenham prioridade.

O desmembramento da Delegacia da Mulher das demais especialidades é uma das medidas que amenizariam o problema, segundo a delegada Tania Harada.

— Aqui é uma delegacia que atende tanto a adolescentes infratores quanto a mulheres e adolescentes na condição de vítima. A forma de lidar com esses públicos é muito diferente — avalia.

O segundo problema na escala de prioridades é a falta de profissionais para dar assistência psicológica. Hoje, a delegacia especializada conta com apenas uma psicóloga, que ainda precisa dar conta da demanda de outras cidades da região.​

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