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Violência 09/02/2015 | 06h03

Norte de SC tem 19 casos por dia de violência contra a mulher

17.560 casos foram registrados em oito cidades entre 2012 e o primeiro semestre de 2014

Norte de SC tem 19 casos por dia de violência contra a mulher Rodrigo Philipps/Agencia RBS
'Se nãor for minha, não será de mais ninguém' é a frase que mulheres agredidas mais escutam Foto: Rodrigo Philipps / Agencia RBS

Com os olhos vendados por uma compressa de gaze e o rosto coberto por queimaduras provocadas por óleo fervente arremessado pelo ex-companheiro, Maria de Fátima Cecílio, 49 anos, não está mais enxergando o mundo. Sofre com dores em todo o corpo, pois teve 40% dele atingido por queimaduras de até terceiro grau. A possibilidade de sequelas na visão e a incógnita do resultado estético das cirurgias plásticas são a nova realidade a ser encarada.

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Maria é mais uma entre milhares de mulheres que são vítimas dos seus parceiros ou ex-companheiros. Levantamento feito pelo “A Notícia”, com base em dados divulgados pela Secretaria de Segurança Pública, revela que 19 casos de violência contra mulheres foram registrados por dia entre 2012 e o primeiro semestre de 2014 em oito cidades da região Norte. São 17.560 registros envolvendo meninas, adolescentes, adultas e idosas. Entre os mais graves, estão 4,5 mil casos de lesão corporal, 616 vítimas de estupro e 20 mulheres mortas. Destes, 8.429 ocorreram dentro do lar, o que caracteriza a violência doméstica.

Apesar de haver redução de registros de 19% de 2012 para 2013, o índice de violência contra mulheres é considerado elevado pela delegada Tânia Harada, que responde pela Delegacia de Proteção à Mulher, à Criança, ao Adolescente e ao Idoso de Joinville. Só no ano passado, a maior comarca da região registrou praticamente o mesmo número de casos do levantamento. São cerca de 20 boletins de ocorrência diários, dos quais quatro são pedidos de medida protetiva. Os dados do primeiro semestre de 2014 são compatíveis com a realidade da delegacia de Joinville, já que apresentou 342 ocorrências a mais do que a metade do ano anterior. Porém, a SSP ainda não divulgou os números do 2º semestre de 2014.

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A não aceitação do fim do relacionamento é o principal motivo da violência, na avaliação de Tânia. Na sequência, vem o álcool e, depois, drogas. Foi o que aconteceu com Maria de Fátima. O homem com quem viveu por sete anos e nunca demonstrou agressividade não aceitou a separação. 

— Se não for minha, não será de mais ninguém — teria dito Lauri Amado de Souza Nery após jogar o líquido na mulher, segundo relato da filha da vítima. O crime aconteceu em 28 de janeiro. O suspeito foi preso preventivamente por tentativa de homicídio. Lauri alegou acidente.

Quatro dias depois, a vítima foi Eliane Aparecida Aresi Sbachiero, 39 anos. Ela foi morta pelo parceiro, com quem morava havia dois meses. Ademir Campos de Oliveira acertou dois tiros na cabeça da mulher e depois se matou.

De acordo com um amigo da família, o homem já tinha histórico de violência e vinha de uma família desestruturada. O sentimento de posse tomou conta das emoções de Ademir, que também não aceitou a separação. Eliane havia decidido terminar a relação porque sentia-se sufocada.Para os profissionais que atuam na área,as histórias se repetem. 

— “Não vai ser minha, não será de ninguém mais” é a frase clássica dos agressores — diz Tânia.​

Desistência de denúncia

A delegacia especializada de Joinville encerrou 2014 com 1.250 inquéritos (investigação) de violência doméstica. Porém, apenas 20% deles tiveram continuidade, já que boa parte das vítimas desiste da denúncia e acaba reatando o relacionamento.

— Normalmente, as agressões vêm de muito tempo, até que a mulher venha procurar a delegacia. Há exceções, como este caso tenebroso (Maria de Fátima).

A dependência econômica não é o fator predominante nos casos de reconciliação em cidades do litoral. A atitude, muitas vezes incompreendida pela sociedade, tem a ver com cultura, autoestima e dependência emocional. Diferente de cidades do interior, como Mafra, no Planalto Norte, onde a situação financeira ainda é predominante, avalia a delegada.

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Falta de estrutura dificulta atendimento


A falta de estrutura e de efetivo na Delegacia de Proteção à Mulher, à Criança, ao Adolescente e ao Idoso de Joinville é obstáculo para melhorar o atendimento de vítimas de violência. O volume imenso de medidas protetivas registradas na delegacia impede que os casos mais graves que envolvem violência sexual contra crianças, por exemplo, tenham prioridade.

O desmembramento da Delegacia da Mulher das demais especialidades é uma das medidas que amenizariam o problema, segundo a delegada Tania Harada.

— Aqui é uma delegacia que atende tanto a adolescentes infratores quanto a mulheres e adolescentes na condição de vítima. A forma de lidar com esses públicos é muito diferente — avalia.

O segundo problema na escala de prioridades é a falta de profissionais para dar assistência psicológica. Hoje, a delegacia especializada conta com apenas uma psicóloga, que ainda precisa dar conta da demanda de outras cidades da região.​

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