Menina de 11 anos diagnosticada com tumor cerebral realiza sonho de virar escritora em São Francisco do Sul - Geral - A Notícia

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Superação05/12/2014 | 06h05

Menina de 11 anos diagnosticada com tumor cerebral realiza sonho de virar escritora em São Francisco do Sul

Beatriz Peres de Oliveira já lançou seu primeiro livro e planeja outras duas publicações

Menina de 11 anos diagnosticada com tumor cerebral realiza sonho de virar escritora em São Francisco do Sul Leo Munhoz/Agencia RBS
Beatriz tem 11 anos e sempre cultivou dois sonhos: cuidar de cachorros e escrever livros Foto: Leo Munhoz / Agencia RBS

Em São Francisco do Sul mora a “menina das três certezas”. Beatriz Peres de Oliveira, de 11 anos, sempre cultivou dois sonhos: cuidar de cachorros e escrever livros. Com cinco anos, já decodificava as palavras. O carinho aos pais era declarado em bilhetes e mensagens de celular. Cartinhas chegavam por debaixo da porta enquanto a menina corria para longe.

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Toda essa intimidade com as palavras fez com que ela escrevesse, aos seis anos, seu primeiro livro, Tob, um Cão Campeão, um sonho lançado no dia 25 de setembro que marca a vida recomeçada após um tumor cerebral.

Você deve estar se perguntando qual é a primeira certeza de Beatriz. No início de 2013, seus pais, a dona de casa Fabiane Peres e o estivador Artur Oliveira, descobriram que a menina teria de enfrentar um tumor de grau quatro no cérebro.

O diagnóstico veio depois de seis meses de fortes dores de cabeça, manchas pelo corpo, ínguas, palidez e mudança na fisionomia. Síndrome de filho único, artrite e virose foram algumas das inconclusões médicas, desmentidas pela insistência da mãe, que pediu a recomendação de uma tomografia até ser atendida. A primeira certeza de Bia se tornou a de que um dia ela iria morrer.

Mas a menina continua a contrariar a própria certeza e se recupera em casa. Boa parte do dia ela passa recostada em uma poltrona, como aquela reclinável “cadeira do papai”. A cadeira vem depois da fisioterapia, da equoterapia, do estudo de inglês e do aprendizado das matérias escolares que acontecem em casa mesmo.

Assim como se mantém estudando, Bia está sempre bem vestida e de unhas feitas. Roupas e maquiagens das bonecas Monster High, inspiradas em monstros lendários e personagens de filme de terror, não podem faltar para a escritora.

Beatriz tem “tiradas” de deixar qualquer artilheiro das palavras procurando a bola – ou as vírgulas. Mas o maior drible da escritora foi o chapéu que ela deu na vida. Ou seria a maior boina da Monster High, para combinar mais com o estilo dela? Em abril de 2014, ela permaneceu 31 dias em coma, internada na UTI pela segunda vez, com infecção generalizada. Desacreditada pelos médicos, Bia voltou.

—Uma menina do hospital chegou a perguntar: Mas a Beatriz não tinha morrido?—, contou Fabiane.

—A-ham. Olha aqui—, ironizou Bia, interrompendo a fala da mãe, apontando para si mesma e revirando os olhos de enfado.

 
Da UTI para a Academia Francisquense de Letras

Bia saiu da UTI não para as mesmas possiblidades que tinha antes do câncer, mas para a carreira de escritora, com livro lançado e planos para mais duas publicações. A continuação de Tob está por vir. Wendy na Selva é sua nova criação. Do tumor, resta a cicatriz, além de sequelas na fala e movimentos. Depois do segundo susto, a menina não andou mais e também não pronunciava uma só palavra.

— Ela tinha consciência. Nos entendia, mas estava presa no próprio corpo—, lembra a mãe.

Depois de três meses de tratamento com os mais diversos médicos e especialistas, Bia voltou a falar. O presente no dia das mães de Fabiane em 2014 foi um sonoro: “m-ã-e”.

Quando a certeza parecia se concretizar, Bia pediu aos paisque não deixassem seu sonho morrer. Nem eles nem os médicos que a trataram deixaram de lutar pelo sonhos dela. A Beatriz que enfrentou o câncer agora é “escritora renomada” e, para ela, todos a volta são “sonhadores”. Em 2015, Bia entra oficialmente para Academia Francisquense de Letras, a convite da professora Lúcia Helena Bezerra.

E as duas outras certezas da menina, quais são? De que todo fim de ano, até acabar a eternidade, existirão a música da Rede Globo e o show do Roberto Carlos.

 
A história de Tob

Beatriz não teve um cachorro Tob. A mascote da família era a Minnie, que está afastada do lar, na casa dos avós da menina, por causa do tratamento em casa. A história foi uma adaptação de folhas manuscritas em papel almaço e letra de forma.

Em 2011, Bia passou a história a limpo assim que ficou com a letra cursiva bem desenhada. Na terceira versão da história, o sonho se materializou. O texto diminuiu e perdeu alguns diálogos para dar espaço a ilustrações.

Assim como Beatriz queria que os pais vendessem a casa em que moram para comprar um sítio, onde haveria espaço para ela resgatar vários cães, o livro narra a história de Tob, que é adotado e se torna um campeão.

O engajamento de Bia sempre foi presente, a ponto de os textos escritos por ela e entregues aos pais se transformarem em dinheiro para os cães abandonados. Cada linha era vendida a Fabiane e Artur por dez centavos. Hoje, quem quiser comprar o livro paga R$ 15 e pode encomendá-lo pela página de Bia no Facebook.

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