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Vidas refeitas23/11/2013 | 11h49

Dois sobreviventes da enchente de 2008 em Jaraguá do Sul reencontram os profissionais que os resgataram

Na cidade, 13 pessoas perderam a vida na catrástrofe. Em Guaramirim, foi uma vítima

Dois sobreviventes da enchente de 2008 em Jaraguá do Sul reencontram os profissionais que os resgataram  Germano Rorato/Agencia RBS
Ariel (D) agradece o bombeiro Eduardo Cavagnolli Foto: Germano Rorato / Agencia RBS
DAIANE ZANGHELINI

daiane.vieira@an.com.br

Correção: Diferentemente do publicado na legenda da foto da reportagem, o nome do bombeiro ao lado do sobrevivente Ariel Marlon Ronchi é Eduardo Cavagnolli. O texto original já foi corrigido.

Jaraguá do Sul foi uma das cidades mais atingidas pela enchente de 2008. A chuva que caiu quase sem parar por cerca de dois meses deixou o solo encharcado. Treze pessoas perderam a vida, 7,3 mil casas foram atingidas, 1.790 pessoas ficaram desalojadas e 95 desabrigadas. Em Guaramirim, um menino de dois anos morreu enquanto dormia. A tragédia ficou na memória dos moradores da região e será lembrada principalmente pelas pessoas que trabalharam no resgate das vítimas.

Cinco anos após a tragédia, “A Notícia” promoveu o reencontro entre dois sobreviventes da catástrofe no Vale do Itapocu e os profissionais que ajudaram a resgatá-los. Os relatos dos socorristas dão uma dimensão da tragédia que contou com o apoio de milhares de heróis anônimos em todo o Estado.

Renan Lescowicz, 24 anos, que sobreviveu ao desmoronamento ocorrido em 24 de novembro, no bairro Barra do Rio Cerro, em Jaraguá do Sul, e Ariel Ronchi, 21 anos, que ficou soterrado num deslizamento no bairro Imigrantes, em Guaramirim, no dia 23, tiveram a oportunidade de agradecer algumas dessas pessoas que não mediram esforços para socorrê-los e que, mesmo correndo riscos diariamente, continuam salvando vidas.



Agradecimento aos “anjos”

Reencontrar o bombeiro Robson Manske e o diretor da Defesa Civil, Maicon Leandro da Costa, despertou em Renan Lescowicz, 24 anos, um sentimento de profunda gratidão. Eles estão entre os socorristas que ajudaram a resgatar Renan dos escombros em 24 de novembro de 2008, no desmoronamento da rua Feliciano Bortolini, na Barra do Rio Cerro. O jovem foi o único sobrevivente da tragédia que matou nove pessoas da família.

O desmoronamento soterrou o terreno e a casa onde ele morava com os pais e o irmão mais novo. O terreno ao lado da propriedade abrigava as casas dos tios e primos e dos avós, que também foram atingidas. Renan quebrou as duas pernas e chegou a ficar dois meses numa cadeira de rodas e outros seis andando de muletas.

— Eu costumo dizer que, quando você passa por um momento de apuros e escuta a sirene dos bombeiros, este é o som de um anjo chegando. Eu só posso agradecer, pois enquanto estava soterrado eles deram o melhor de si e tentaram me resgatar de todas as formas possíveis — diz o jovem.

Quando a saudade aperta mais forte, os momentos difíceis são enfrentados ao lado da mulher e do filho de quatro anos.

Segundo Robson, o episódio alertou os órgãos de segurança pública para a necessidade de se capacitar as corporações de SC.

— Queríamos ter salvado todos, mas não foi possível. Mas ver que o Renan está bem hoje é muito gratificante — diz Robson.

Oportunidade de recomeçar

Chovia torrencialmente na manhã de 23 de novembro de 2008, em Guaramirim. Por volta das 11h45, o jovem Ariel Marlon Ronchi, então com 16 anos, decidiu fechar a madeireira onde trabalhava com os pais alguns minutos mais cedo. Depois de Ariel desligar o computador e pensar em sair da empresa, o barranco nos fundos do terreno desmoronou sobre a construção às margens da BR-280, no bairro Imigrantes.

Ariel ficou soterrado nos escombros da madeireira e só não se feriu com gravidade porque as portas do mostruário serviram de barreira, impedindo que mais peso caísse sobre ele. Antes dos bombeiros chegarem, vizinhos começaram a tentar resgatá-lo. Ariel sofreu apenas arranhões nas costas e nem quis ir ao hospital. Ele lembra que a madeireira tinha sido inaugurada há poucas semanas e que a família precisou trabalhar para recomeçar.

— Depois do que aconteceu, comecei a aproveitar mais a vida — diz o jovem, que hoje tem 21 anos.

O socorro foi prestado por uma equipe de seis bombeiros. Os socorristas Joannes Spezia, Eduardo Cavagnolli e Maicon Rodrigo Ewald, que atuaram na ocorrência, lembram que se assustaram quando viram o cenário no terreno da madeireira, pois não havia sobrado nada em pé.

O comandante Laury Carlos Leite lembra que, 12 dias antes da madeireira vir abaixo, uma equipe da corporação participou do resgate do menino Raul Marcarini Neto, de dois anos, que morreu. O morro atrás da casa do garotinho cedeu e invadiu o quarto onde ele dormia, soterrando a criança.

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