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Mobilidade31/08/2013 | 09h13

'AN' reedita teste realizado em 2009 de atravessar Joinville em quatro meios de transporte em horário de pico

Quatro anos depois, velocidade média de ônibus, carro, bicicleta e moto caiu 52% no trajeto de 8,5 km

'AN' reedita teste realizado em 2009 de atravessar Joinville em quatro meios de transporte em horário de pico Diorgenes Pandini/Agencia RBS
Equipe do "A Notícia" que produziu o teste de mobilidade Foto: Diorgenes Pandini / Agencia RBS

Ir do terminal Norte ao terminal Sul de Joinville às 18 horas não é tarefa fácil, seja para carros, motos, ônibus ou bicicletas. Condutores e passageiros devem sentir na pele a piora do trânsito no trecho nos últimos anos. Para transformar esta sensação em dados, “AN” repetiu em 20 de agosto o mesmo desafio de modais de transporte que realizou em setembro de 2009, para a Semana Nacional do Trânsito.

O teste, como há quatro anos, foi feito por jornalistas e consistiu em percorrer de carro, moto, ônibus e bicicleta os cerca de 8,5 km que separam o terminal Norte, no Santo Antônio, do terminal Sul, no Floresta, em plena confusão das 18 horas. O trajeto abrange as ruas Blumenau e 9 de Março, avenidas JK e Getúlio Vargas e rua Santa Catarina.

A constatação é de que ficou 52% mais lento fazer o mesmo trajeto quatro anos após o primeiro desafio. A velocidade média, considerando todos os quatro tipo de transportes, caiu de 25,8 km/hora para 17 km/hora. Em média, levaram-se 30 minutos para percorreros 8,5 km neste ano. Em 2009, o mesmo percurso foi feito em 19 minutos e 45 segundos, em média.

A experiência também foi mais tensa do que há quatro anos — e olhe que, em 2009, os relatos já eram de trânsito lento e complicado. O crescimento da frota em 37% no período, indo de 258 mil para 353 mil nos quatro anos, é tido como a principal causa do problema.

Entre quem “ganhou” ou “perdeu” o desafio, as ordens foram as mesmas. A moto chegou na frente, fazendo o percurso em 23 minutos. A bicicleta veio em seguida, com 28 minutos. O carro de novo ficou em terceiro, com 32 minutos. O ônibus ficou por último, com 37 minutos.



Diferenças

Todos os modais demoraram mais neste ano em relação a 2009. O ônibus, porém, foi o que teve o menor aumento de tempo (32%), indo de 28 minutos para 37 em quatro anos. Não houve mudanças nos corredores de ônibus no trecho no período.

O presidente do Ippuj, Vladimir Constante, diz que tempos acima de 30 minutos para ônibus no trajeto são inaceitáveis e que a redução virá com a qualificação dos corredores do PAC Cidades Médias, com obras a partir de meados do próximo ano.

O carro, por outro lado, teve a maior diferença de tempo: 12 minutos. Moto e bicicleta tiveram diferença de 9 e 11 minutos, respectivamente. Proporcionalmente, a bike foi a que teve maior aumento de tempo, mas pelo fato de obedecer a mais regras que há quatro anos, como parar em semáforos.

CARRO — Vale a pena ser gentil e dar a vez (Rogério Kreidlow)

Exercício de paciência e bom senso é como encaro o trajeto do desafio no carro. Em 2009, fiz o teste de carona e anotando impressões minhas e do motorista Vilmar de Abreu, de “AN”. Lembro que anotei “estresse” pensando nos outros motoristas. Agora, fui com carro próprio e outra visão. É claro que encarar a confusão do trecho às 18 horas para um teste, com cuidados, é diferente de fazer o mesmo no dia a dia, cansado, disperso, atrasado. Mas ilustra o que qualquer motorista vive na prática – piorar ou melhorar vai do comportamento.

Os trechos da rua Blumenau em frente ao Hospital Dona Helena e da Santa Catarina entre a Sociedade Floresta e a rua Barra Velha foram os de maior lentidão. Na Blumenau, perto da clínica Iot, carros à frente desrespeitaram pedestres que atravessavam na faixa. Xingões.

Filas pioraram antes da Max Colin. No trecho do Dona Helena, tudo parado. Carro à direita cortando para a 15 de Novembro. À esquerda, para acessar a Otto Boehm. Sinal fechou, abriu, fechou e ficamos na mesma.

Na 9 de Março e JK, tirando semáforo, fluiu. Na Getúlio Vargas, porém, foi um festival de moto, carro, bicicleta e pedestre saindo das laterais. Demos sorte de pegar sinais abertos em sequência. Mas é um desafio não atravancar cruzamentos. Tentei respeitar ao máximo, mas ouvi buzinas atrás. No início da Santa Catarina, deu para esticar. Mas a partir da Sociedade Floresta até a Barra Velha, só na primeira e segunda. Após a Barra Velha, trânsito intenso, mas fluindo.

Tem estresse? Tem. Tem demora? Cada vez mais. Mas chegamos bem, sem os perigos da moto ou da bike, com mais conforto que indo em pé no ônibus. Pesar isto ajuda a ver que não é o fim do mundo esperar um pouco, conter bufadas, ser gentil e dar vez a ônibus, ciclistas e pedestres.




MOTO — Ficou mais tenso fazer o percurso (Leandro Junges)


Não sei se há um fator único que explique tamanha diferença no tempo feito entre os dois terminais. O fato é que, em quatro anos, uma moto de igual potência, com o mesmo motociclista e o mesmo jeito de pilotar demora 60% mais tempo para chegar. Em 2009, a maior dificuldade talvez tenha sido a chuva fina que caía e ofuscava as luzes, os veículos, os pedestres. No dia 20 de agosto, sem a chuva, o que mais chamou a atenção foi a quantidade enorme de carros e motos passando de uma pista para a outra e o fluxo das vias transversais, que jogava dezenas de novos “participantes” do mesmo trecho da nossa experiência. Como há quatro anos, houve pequenos sustos, fechadas, manobras inesperadas, o que tornou muito mais tenso fazer o percurso.

Aparentemente, para a moto, mais do que o volume de carros, foi a quantidade de vezes que o trânsito parou completamente (ou em sinaleiros ou em filas únicas, como ocorre na rua Barra Velha, em que passa apenas um veículo por vez, seja carro, moto, ônibus ou bike) que causou uma diferença tão grande. Os dois trechos mais complicados foram do Hospital Dona Helena até a João Colin (passando pela 15 de Novembro) e da Sociedade Floresta até a rua Barra Velha.




BICICLETA — Os perigos e a falta da ciclofaixa (Leo Munhoz)

Assim que avistei o ônibus da linha Norte/Sul deixando o terminal, comecei a pedalar pela rua Blumenau. A via foi justamente o trecho que achei mais perigoso ao ciclista. Pedalar pela faixa do ônibus só é interessante quando não há nenhum por perto. Quando ele vem, sai da frente. O ciclista precisa subir na calçada ou ir para o meio da rua, torcendo para não vir um carro.

Pela rua Santa Catarina, já na zona Sul, olhos bem abertos, porque a velocidade dos carros é maior e o trânsito flui melhor. Ir pela calçada não parece ser uma boa ideia por causa do grande número de pedestres.

No caminho, passei diversas vezes pelos colegas de “AN”, menos pela motocicleta. Era o transito parar, que eu passava dos demais. A última vez que vi o carro da reportagem eu estava a cerca de cinco quadras do terminal Sul. Aos 28 minutos, cheguei ao destino.

Não existe nenhuma ciclofaixa durante todo o percurso. Talvez por isso praticamente não vi ciclistas pelo caminho.



ÔNIBUS — Paradas tornam viagem cansativa (Caroline Stinghen)

Eu e o fotógrafo Diorgenes Pandini embarcamos na linha 0200 – Norte/Sul. Já no terminal, o ônibus que chegou vazio lotou. Metade estava em pé, inclusive nós. O início de nosso percurso, a rua Blumenau, foi o mais complicado. Foram oito paradas em pontos de ônibus e tantos semáforos fechados que perdemos a conta.

A cabeça e o corpo iam para frente e voltavam. Foi em frente ao Dona Helena, na esquina com a rua dos Ginásticos, que ficamos parados por mais tempo: cerca de seis minutos. A sinaleira abriu e continuamos no mesmo lugar – mesmo no corredor de ônibus. Na avenida JK, o cruzamento com as ruas Ministro Calógeras e Getúlio Vargas também atrasou a viagem, assim como a região da Estação da Memória, no início da zona Sul. Quando entramos na Santa Catarina, completamos 28 minutos de trajeto – o mesmo tempo que a reportagem levou para chegar ao terminal Sul em 2009. Nesta altura, o ônibus já estava menos lotado. Quando completaram-se 36 minutos, avistamos o terminal. Descemos exatamente um minuto depois. Chegamos por último, mas isso já prevíamos.

O que sentimos durante o trajeto é que as paradas nos pontos de ônibus causam a impressão de que a viagem é muito mais longa do que o tempo cronometrado. A chateação em parar, andar e parar novamente causa a sensação de que estamos há horas fincados no mesmo lugar. A viagem também não se tornou mais rápida com os corredores. Se o zarcão precisa parar em todos os pontos, e, no nosso caso, paramos 19 vezes, o trajeto continuará demorado. No entanto, ainda acho bem menos estressante do que ir de carro, onde o trânsito congestionado é encarado de frente. A diferença é pequena e se colocar um fone de ouvido, a viagem de busão pode ser até agradável – desconsiderando, claro, o empurra-empurra usual.

“Obras devem começar no ano que vem”

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