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Mobilidade16/07/2013 | 06h02

Confira, na íntegra, as soluções para o trânsito de Joinville apontadas por especialistas


SÉRGIO GUILHERME GOLLNICK

Arquiteto e Urbanista

Nas últimas duas décadas, o tema da mobilidade urbana ocupou um grande espaço no debate sobre os problemas sociais, econômicos e ecológicos das cidades. A necessidade de diversificação dos modos de transporte, ou a multimodalidade, veio sendo apontada como estratégia indispensável para a sustentabilidade dos transportes urbanos e da própria competitividade das cidades.

Para que diversos modos de transporte possam funcionar como um sistema de vasos comunicantes, cada um precisa absorver o excedente do outro de forma planejada promovendo aquilo que tecnicamente chamamos de intermodalidade. No entanto, este raciocínio lógico não se aplica às cidades brasileiras. O conflito existente no trânsito é um extrato da inexistência de políticas públicas a ponto de sugerir até uma espécie de "conspiração" contra a mobilidade urbana. Incentivos à produção e aquisição de carros e motos, baixa qualidade do sistema de transporte público e infraestruturas deficientes andam na contramão da mobilidade sustentável. Agregue-se a inexistência de programas, subsídios ou recursos para a prática de soluções sustentáveis. Portanto, resolver o problema de transito não é uma questão de engenharia viária, ela é essencialmente política.

Estabelecer políticas públicas para a mobilidade contempla estratégias integradas de intervenção nos sistemas e modos de transportes urbanos e, um alto nível de compromisso social. O maior ou menor sucesso das soluções passa pela adoção da prática de "governança" (Robert E. Freeman), acionando "stakeholders" a discutirem, proporem e comprometerem-se com as soluções, gerando o maior e melhor resultado e corresponsabilidades possíveis.

Do ponto de vista técnico, tudo começa por um arcabouço de informações confiáveis e bem estruturadas. As estratégias são muito variadas exigindo um desenvolvimento coordenado de alternativas visando a mobilidade urbana associada a disponibilidade de recursos. Necessitamos de sistemas de transportes eficientes que reduzam o número de usuários de carros particulares, passando pelo convencimento da sociedade para despertar o interesse pelo uso de modos mais sustentáveis, como o transporte público, bicicleta ou o andar a pé.

Dentro das cinco alternativas sugeridas eu apontaria as seguintes:

A otimização do desempenho da infraestrutura – Diante da falta de recursos, Joinville precisa otimizar ao máximo sua infraestrutura especialmente os eixos viários voltados aos grandes deslocamentos pendulares, estruturando um sistema multimodal e intermodal sobre eles. É necessário reorganizar o sistema viário dentro de um contexto integrado priorizando e promovendo o transporte público de qualidade. É necessário também oportunizar a rede viária adotando rotas alternativas e roteiros específicos; melhorar a organização do tráfego com a fragmentação e horários para carga/descarga; melhorar a informação implantando uma sinalização densa e eficiente que promova organização e fluidez; utilizar os espaços disponíveis para oportunizar os modos a pé e cicloviário. Estas seriam as estratégias de curto e médio prazos.

A introdução de restrições de uso do carro, especialmente nas áreas mais sensíveis; As áreas centrais da cidade estão se tornando um grande pátio de estacionamento. Passeios, recuos, faixas de rolamento estão sendo apropriadas e promovidas como uma "grande solução" sob o pretexto de que, sem o carro na frente do negócio, nada irá progredir. Ora, várias cidades no mundo mostram que o nível de atratividade das áreas centrais é maior quando mais "agradáveis" forem as infraestruturas e, em especial, se atendidas por um eficiente e qualificado sistema de transporte coletivo e modos passivos (pé e bicicleta). Restringir o automóvel não significa restringir o acesso das pessoas mas, para isto, são necessárias medidas de desenho urbano, uso do solo e planejamento de transporte que integrem atividades aos modos de deslocamento, do individual ao coletivo, até determinados limites territoriais.

A criação e melhoria da competitividade dos transportes públicos, sistemas de bicicleta, pedestre e, a sua promoção; A perda da atratividade do sistema de transporte público é decorrente de uma somatória de fatores. Primeiramente uma melhoria da renda familiar, incentivo a aquisição de transporte individual, baixo custo dos insumos. Somado a isto, falta-nos informações confiáveis; falta-nos um marco regulatório que estabeleça novas condições de operação; um plano de mobilidade urbana e, por consequência, um plano de transporte em bases sustentáveis. Se existe uma migração do sistema de transporte público para modos individuais é possível deduzir que o preço da tarifa, por si só, não é mais o fator preponderante visto que o custo do deslocamento por modo individual (moto ou carro) é mais oneroso. Falta-nos entender como se dão estes deslocamentos hoje para quebrar os vícios, agregando qualidade aos modos sustentáveis, mesmo que subsidiada, pois ainda assim o custo social e ambiental será menor.

A intervenção ao nível do uso do solo, a fim de alterar os padrões de mobilidade urbana para que os modos mais sustentáveis possam ser mais competitivos. O Plano Diretor de Desenvolvimento Sustentável de Joinville trouxe, em suas diretrizes, alguns conceitos modernos para a mobilidade urbana. Estes conceitos tem como princípio a contenção da expansão territorial, a densificação com qualificação do território, o incentivo à consolidação ou criação de novas centralidades. Estas diretrizes, se aplicadas corretamente, permitem uma distribuição mais equilibrada de atividades, dos desejos de viagens, das oportunidades de desenvolver atividades econômicas, de habitar e de praticar o lazer. Pensar o uso do solo integrado ao transporte é melhorar sua utilização de forma mais abrangente, mais equitativo e menos especulativo.

A distribuição do custo para a solução da mobilidade aos geradores. Diante da escassez de recursos não há mais como socializar os prejuízos decorrentes da imobilidade urbana protagonizada pelos grandes geradores de tráfego. É necessário que as soluções, mitigações e compensações façam parte da contabilidade urbana sem qualquer tipo de privilégio. Parte da solução dos problemas do tráfego devem ser absorvidos por quem os protagoniza e, isto será resultante da formalização e aplicação de instrumentos legais como o EIV – Estudo de Impacto de Vizinhança bem como de normas e legislações específicas.


RUBEN L. NEERMANN
aquiteto e urbanista, Diretor Técnico Operacional do ITTRAN.

Para apontar as soluções para o trânsito de Joinville, busquei as Propostas de Mobilidade e Infra Estrutura elaboradas por um grupo de técnicos da cidade para o Plano de Governo do Prefeito Udo Dohler, dentro de um conceito mais amplo de mobilidade, que envolve obras de infra estrutura urbana da cidade, e apontam soluções para a melhoria do nosso trânsito. O conceito definido na elaboração daquelas propostas objetivaram: "Qualificar o ambiente urbano e a infraestrutura, implantando programas e ações que ofereçam as condições adequadas de moradia, trabalho, saúde, educação, mobilidade, lazer e segurança, e que propiciem o desenvolvimento econômico e social de toda a sua população".

Uma boa cidade para se viver, sob a ótica da mobilidade deve propiciar deslocamentos de pessoas e cargas em curto espaço de tempo, de forma segura, com custo acessível e que atendam a todos os desejos de destinos (acessibilidade física e territorial), e de baixo impacto ambiental.

Assim, ao apontar as 5 principais soluções, que devem atendar a esses conceitos, temos que:

Executar obras de melhoria da segurança e circulação viária, priorizando a implantação de vias de sentido único e de binários em vias de penetração dos bairros, destacando-se o binário Av. Procópio Gomes x Rua Urussanga, o binário Rua Timbó x Rua Max Colin e o prolongamento até a Rua XV de Novembro, a duplicação da Av. Santos Dumont e Rua Dona Francisca e incluem também a construção de passeios, ciclovia, sinalização e melhoria da iluminação pública para melhoriar a circulação e a segurança;

A construção da ponte que ligara os bairros Ademar Garcia ao Boa Vista e a implantação da perimetral de contorno leste, formando um novo corredor de ligação para o transporte de passageiros e cargas;

Gestionar com o governo feredal aceleração da retirada dos trens que cortam a cidade, transformando com a ferrovia um eixo de transporte de massa, (formando os binários das ruas Minas Gerais, Anita Garibaldi, Monsenhor Gercino e Kesser Zattar) que fará a ligação oeste/sudestes;

Estruturação do transporte coletivo, ampliando os atuais 13 km para 30 km de corredores e faixas exclusivas do transporte coletivo;

Ampliar a construção de calçadas com a qualificação do ambiente destinado aos pedestres, uma vez que pesquisas apontam que mais da metade dos deslocamentos em Joinville são feitos à pé, e deverão compor um trajeto seguro dos cidadãos aos equipamentos urbanos e ao serviço de transporte coletivo.

Estas obras de infra estrutura urbana voltadas para a mobilidade das pessoas e cargas decorre de graves problemas de fuidez na circulação dos principais eixos viários da cidade, que apresentam elevedo volume de trafego, velocidade extremamente reduzida em diversos pontos, como:

A Rua XV de Novembro que faze a ligação do centro ao bairro Vila Nova;
A Av. Santos Dumont que leva ao campus Universitário, Shoping, Distrito Industrial, Aeroporto e diversos bairros da zona norte;
A Rua Dona Francisca, principal eixo de acesso ao Distrito Industrial e a região de Pirabeiraba;
Rua Monsenhor Gercino, que serve como única via de acesso a zona sudeste, que concentra grande população;
e os eixos de ligação da zona leste, como a Rua Iririú e o binário das ruas Albano Schmit e Helmuth Fallgater.

Todos esses eixos viários apresentam elevado fluxo de trafego de passagem nos horários de pico da manhã e ao final da tarde, causando lentidão e formação de filas que prejudicam o deslocamento das pessoas e cargas, aumentam os tempos de percurso casa-trabalho, elevam os custos do transporte e causam impactos ao meio ambiente.

Mas há outras obras de infra estrutura que não podem ser deixadas de lado, e que não posso deixar de citar como, a gestão junto ao Governo Federal e DNIT pela construção das marginais da BR-101 no trecho urbano da cidade de Joinville, a ampliação da rede cicloviária e construção de bicicletários possibilitando o uso da bicicleta em todos os trajetos e sua integração com o transporte coletivo,e a modernização do sistema da Central de Controle de Tráfego – CTA permitindo a operação em tempo real e que otimizará os tempos dos semáforos.


MARCEL VIRMOND VIEIRA
Arquiteto e urbanista

“Não sois máquinas, homens é que sois”. A exortação de Chaplin em Tempos Modernos, de 1936, continua atual. O senso comum pensa que trânsito é um problema apenas dos automóveis. Porém na Joinville de hoje, metade dos deslocamentos das pessoas são feitos a pé. São desde crianças e adolescentes indo para a escola a pessoas indo às compras na sua vizinhança. Melhorar a condição das calçadas em pontos estratégicos, como as ruas comerciais dos bairros e os caminhos que levam até as escolas é minha primeira recomendação.

Também na linha da redução do uso do automóvel, a segunda recomendação é a de aperfeiçoar o sistema de transporte coletivo. Uma boa medida facilmente aplicável é a de ampliar a extensão dos corredores exclusivos de ônibus, garantindo regularidade aos horários de funcionamento e tempos de viagem, que são os quesitos mais importantes para os usuários.

A terceira medida é para diminuir nossa dependência do automóvel. Proponho a redução das áreas de estacionamento. Hoje a Lei de Uso do Solo oferece uma série de vantagens para a construção de garagens no embasamento das edificaçãoes, e exige um elevado número de vagas para os estabelecimentos. Podemos inverter esses paradigmas.
Melhorar as condições de ciclabilidade em joinville com mais ciclofaixas, intermodalidade com o transporte coletivo e implantação da rede de aluguel de bicicletas é minha quarta recomendação.

A quinta recomendação é mais ousada: criar a Taxa de Mobilidade, ou seja, tratar os deslocamentos das pessoas tal qual se trata a coleta de lixo ou a iluminação pública. Compartilhar os custos da mobilidade por todos os habitantes de forma socialmente justa e, com esses recursos, oferecer ruas bem conservadas e sinalizadas, passeios acessíveis, ciclovias, ciclofaixas e transporte coletivo gratuito ou franqueado aos cidadãos. Isso custaria menos de 50 reais por habitante por mês, e substituiria tanto o vale transporte quanto os pedágios urbanos.



VLADIMIR CONSTANTE
Presidente do Ippuj
 
Priorizar fortemente o transporte coletivo, esta é disparada a melhor medida para melhorar a mobilidade urbana em Joinville ou em qualquer outra cidade, pois não há solução sustentável se a aposta é o transporte individual motorizado.

A implantação de faixas e corredores exclusivos possibilitam um transporte coletivo com regularidade, eficiência e menor custo, criando um círculo virtuoso onde as condições de qualificação do próprio coletivo pode atrair mais cidadãos para este modo, diminuindo também a necessidade de ampliação de sistema viário e a dependência (mesmo que cultural) dos automóveis particulares.

- Investir em mobilidade ativa
A mobilidade ativa, principalmente o uso da bicicleta como modo de transporte, deve ser considerada como parte importante da solução. Se com uma malha ainda não completa de vias cicláveis a nossa cidade tem 11,3% de deslocamentos por bicicleta, por certo com um bom investimento na ampliação e qualificação da rede ciclo viária, com a implantação de um sistema de bicicletas públicas e valorização da cultura da "cidade das bicicletas" podemos chegar em pouco tempo a 20% de participação modal joinvilense e contribuir fortemente na solução para o trânsito.

- Redefinir os horários de funcionamento da cidade
Os problemas de trânsito são sazonais, ou seja, são concentrados nos horários de pico. Fora destes horários o sistema viário dá conta de todos os deslocamentos dos cidadãos e o transporte coletivo opera em ociosidade, mas nos picos da manhã, meio dia, tarde e noite as diversas atividades produtivas da cidade tem entradas e saídas quase simultâneas ultrapassando a capacidade do sistema viário, gerando lentidão e filas que atrasam o transporte coletivo que também está lotado nestes momentos, embora utilize toda a frota disponível. Ao redefinir horários de entrada e saídas dos trabalhadores do comércio, serviços, indústria e de estudantes uma melhor ocupação do sistema viário e do transporte público além de reduzir os problemas do trânsito, também ajuda a reduzir os custos da mobilidade em Joinville. Este é um pacto que deve ser construído com toda sociedade.

- Implantação de binários e redução de estacionamentos em vias públicas estruturais
O sistema viário joinvilense ainda permite a implantação de medidas de circulação viária de baixo e médio custo que trazem um bom resultado para fluidez e segurança viária. Com a implantação de binários as vias ganham capacidade (as vezes maiores do que uma duplicação) e as interseções viárias ficam mais seguras. Com a substituição das áreas de estacionamento por faixas exclusivas para bicicletas e transporte coletivo.

- Medidas moderadoras de tráfego
Os problemas de trânsito não se restringem aos congestionamentos, mas também aos acidentes e à poluição. A implantação das medidas acima em conjunto à medidas moderadoras de tráfego que incluem a criação de rotas seguras, zonas trinta e áreas ambientais de pedestres com faixas elevadas, calçadões e vias de uso compartilhado por bicicletas, ônibus, autos e pedestres, trazem uma ambiência qualificada, diversa e cheia de vida para o centro ou para vias locais que não devem ter o transito pesado das vias estruturais.

- Sistemas inteligentes de tráfego
Joinville precisa ampliar e modernizar seu sistema semafórico, equipar a central de controle de tráfego-CTA e criar um sistema de informações ao cidadão sobre a escolha de rotas alternativas, sobre as linhas e horários do transporte coletivo e sobre a disponibilidade de bicicletas públicas no sistema, seja em casa, nas estações, ao longo do sistema viário, no seu carro ou na palma da mão através dos aplicativos para smartphones.

- Educação para o transito

A educação é básica e apesar de aparecer no sétimo item ela pode estar acima de todas como princípio. Acredito que a educação desde a infância com a questão da mobilidade sustentável, não só o trânsito, inserida no aprendizado dos cidadãos, pode contribuir decisivamente sobre a questão da mobilidade de forma sistêmica e contribuir fortemente para reduzir os conflitos de trânsito em Joinville. Também com o foco nos motoristas, campanhas para respeitar a faixa, não dirigir alcoolizado, e é claro ser gentil com os outros motoristas ajudam a humanizar o trânsito.



MÁRIO CEZAR DA SILVEIRA
Presidente do Comde

As soluções que apresento para resolver a Mobilidade Urbana em Joinville nada tem a ver com as soluções tradicionais, pois me baseio no conceito de “Cidade para Pessoas” do Arquiteto e Planejador Urbano Jan Gehl, que começou a trabalhar a ideia na década de 1960, quando estava tomando forma o modelo de cidades rápidas, com avenidas expressas, prédios enormes e áreas separadas, com habitação em uma região e comércio em outras.

Então Gehl começou a pensar que as cidades tinham que ser elaboradas para as pessoas, com, por exemplo, distâncias mais curtas e prédios que contemplem a dimensão humana.

Olhando por esse ponto de vista, minha proposta é inverter totalmente o modo de pensar e olhar quais são as condições dadas às pessoas, não aos carros. Porque as pessoas precisam de mais espaço e de um ambiente mais tranquilo para aproveitar a vida urbana e não ficar perdendo tempo no deslocamento e vivendo o estresse de congestionamentos.
Como pelo atual percentual de aumento de frota de automóveis, nos leva a projeção de termos o dobro da frota em 8 anos, fica evidente que qualquer proposta pensando em investimentos em elevados e vias, é inviável, não só pelo custo como também pelo curto tempo que temos diante do caos que se desenha.

A solução para a Mobilidade Urbana, portanto, por esse enfoque, não está em mais avenidas, elevados ou em medidas pontuais, mas na quebra dos paradigmas com os quais pensamos a cidade, pois precisamos repensar totalmente o custo benefício de cada centavo investido. Estamos repetindo os erros que estão aí, sendo mostrados todo dia e que, fazemos questão de não ver.  Asfaltar, abrir ruas e fazer elevados, ou simplesmente fazer pistas exclusivas para ônibus, não solucionam os problemas.

É preciso criar instrumentos que revertam a tendência ao uso do automóvel como modal de transporte preferencial.  A questão a ser analisada não é o trânsito, mas sim como as pessoas transitam e a influência que isso causa para a cidade e consequentemente na forma de vivê-la.

A melhoria da mobilidade urbana na cidade, passa pela criação de um projeto com conceito transversal e que incentive os modais de transporte a pé, de bicicleta e com o uso maciço de transporte coletivo.

Cinco propostas:
1-      Repensar a importância dos passeios e investir nas calçadas como elementos básicos da infraestrutura urbana. 
a)      Criar padrões de calçadas confortáveis, acessíveis, iluminadas, amplas, com arborização, bancos para descanso e áreas verdes para absorção de água das chuvas.
b)      Mudar a legislação transferindo para o Município a responsabilidade sobre a pavimentação das calçadas.
c)       Implantação de faixas de pedestre elevadas em ruas residenciais e onde haja grande movimentação e atrativo para pedestres.

2-      Investir maciça e planejadamente em um sistema cicloviário, com ciclo faixas, ciclovias, ciclovias verdes e bicicletários.
a)      Criar redes de ciclovias que levem até os terminais de ônibus.
b)      Criar redes de ciclovias até as escolas.
c)       Criar espaços com simulação de situações de trânsito no pátio das escolas, para ensinar e incentivar as crianças a andar de bicicleta.
d)      Oferta de bicicletas públicas com uso integrado com a passagem de transporte coletivo.
e)      Fazer campanhas de incentivo ao uso de bicicletas.
f)       Criar possibilidade para transportar bicicletas nos veículos de transporte coletivo.

3-      Investir maciçamente no “Sistema de Transporte Coletivo”.
a)      Medidas a curto prazo
I.            Faixas exclusivas de ônibus.
II.            Melhoria do conforto, acessibilidade e qualidade dos veículos, preferencialmente de piso baixo.
III.            Criar instrumentos para redução gradativa do preço da passagem.
IV.            Integração do transporte Coletivo com ciclovias.
V.            Instalação de pontos de ônibus confortáveis, iluminados e que gerem recursos para sua conservação através de espaços para publicidade.
VI.            Transformar os terminais em espaços de cidadania, com oferta de serviços públicos e tirar documentos.
VII.            Criar Incentivos para as grandes empresas fazerem o transporte de seus funcionários e a criarem instrumentos de incentivo para que usem bicicletas para deslocamento até o trabalho.
VIII.            Ampliar o Sistema Municipal de Transporte Escolar.
IX.            Criar instrumentos para que as escolas particulares propiciem transporte escolar a seus alunos.
b)      Medidas a médio e longo prazo
I.            Desenvolvimento de projetos para oferta de outros modais de transporte, como VLT(Veículos Leves sobre Trilho) e Metrô, com uma linha norte-sul do aeroporto à UFSC e outra Leste Oeste, usando o espaço deixado pelos trilhos ALL Logística.

4-      Repensar os estacionamento para automóveis.
a)      Eliminar os estacionamentos em áreas de recuo das edificações e aproveitar essas áreas para ajardinamento e bicicletário.
b)      Criar três níveis para o Estacionamento Rotativo. 
I.            Nível vermelho, na área central da cidade. Com preço elevado, para diminuir o interesse de circulação e estacionamento de veículos nessa área.
II.            Nível laranja, na área circundante ao centro e em áreas de interesse de maior controle de tráfego. Com preço intermediário.
III.            Nível verde, em áreas onde o estacionamento não interfira na qualidade e eficiência da mobilidade da via. Com preço mais baixo.
c)       A diferença da arrecadação das áreas vermelha e laranja do Estacionamento Rotativo ser usada para conservação de calçadas e subsídio ao transporte coletivo.
d)      Criar bicicletários e estacionamentos de veículos, bem dimensionados, nos terminais de ônibus, para estimular a integração dos modais.

5-      Construção de sistema viário de contorno à cidade e ligada a marginais da BR 101, de Pirabeiraba até a UFSC da Curva do Arroz.


ALAN CANNELL
Engenheiro de transporte

1-Upgrade do sistema do sistema de transporte para a qualidade de Bus rapid transit (BRT). Isso significa dar prioridade no ônibus, com mais faixas exclusivas, estações para embarque em nível, fazendo com que o sistema opere como o metrô. Aí se teria prioridade nos semáforos, por meio de um sensor que detecta a presença do ônibus e facilita a abertura do sinal. Isso vai garantir que o próprio sistema de transporte seja melhorado. Está sendo implantado em diversas cidades do mundo. A frota também pode ser renovada, com ônibus articulado, com ar-condicionado. Com o sistema mais eficiente, se consegue mais recursos para renovar a frota.

2-Garantir que haja uma rede viável de ciclovias. Em Joinville, seria de volta ao futuro. O investimento não é pesado e o que tem de haver é a continuidade e a manutenção. Também é preciso haver respeito dos motoristas que, às vezes, estacionam em cima da ciclovia.

3 - Escalonar os horários de todas as atividades de uma cidade, de todos os segmentos, como dentistas, advogados, serviços públicos, escolas. Em Curitiba, por exemplo, uma empresa de engenharia adotou o chamado horário paulista, que é começar o expediente às 9 e encerrar 19 horas.

4- Upgrade nas sinalizações semafóricas para que atue em tempo real. É um sistema que responde ao fluxo em tempo real. Faz a contagem dos veículos, se tem fila, e dosa o tempo conforme o fluxo real. Isso tem no Rio e agora está sendo implantado em Curitiba. Há muito mais eficiência.

5 -Desatar os nós do trânsito. Primeiro, se descobre onde estão os nós e quem conhece melhor são os motoristas de ônibus. Eles é que devem indicar onde estão os problemas. O google maps também pode ser um indicativo de onde estão os nós. A partir dessa análise, os engenheiros de trânsito vão achar as soluções.


ALCIDES BERTOLI
Diretor da Gidion

A visão de desafogar o transito não necessariamente é a mesma da visão de mobilidade na cidade. Quando olhamos para as ruas e pensamos em duplicar, alargar para poder absorver mais veículos os resultados são de curta duração.

A mobilidade passa pela mudança de cultura onde o coletivo tem prioridade sobre o individual motorizado. Hoje soluções como a duplicação da Av. Santos Dumont, ou da XV de Novembro, no vila Nova, são obras mais que necessárias, mas se não estiver associada ao transporte coletivo de massa os resultados x investimento por cidadão transportado fica muito elevado e de curto prazo. Como projetar espaço nas ruas quando se tem uma cidade definida olhando as projeções das vendas da indústria automobilística é o desafio maior de toda a sociedade.

Para pensarmos no futuro não distante, devemos acionar o já comentado Eixão Norte Sul que liga o aeroporto a nova UFSC que passa pela duplicação da Av. Santos Dumont, o binário com Herman Leper com a Av. Beira Rio, Urussanga com Procópio Gomes e a duplicação da rua Florianópolis até a av. Paulo Schroeder; a duplicação da Marquês de Olinda e a execução da marginal da BR 101 entre o distrito industrial e a UFSC. Obras que facilitam a transferência Norte Sul; já a Leste Oeste o binário entre as ruas Monsenhor Gersino e Minas Gerais com a linha férrea; a duplicação/ binário da rua XV do Vila Nova a Cidadela Antártica utilizando a rua Max Colin como apoio; duplicação com nova passagem para o Vila Nova da rua Almirante Jaceguai. O anel viário que liga o Paranaguamirim ao Distrito Industrial via beira Mangue, e o contorno da BR 101 pelo Vila Nova fazem parte do contexto.


ARNO KUMLEHN
Arquiteto e urbanista

PRIORIZAR O TRANSPORTE PÚBLICO
As ações na priorização do transporte público não responsabilizam unicamente os gestores do sistema (público ou privado), e não se limitam apenas aos aspectos aos físicos constituídos pelos espaços (vias de circulação/ entorno atingido/ preparo adequado para cargas/garagens e oficinas), equipamentos (tecnologia na fabricação e embarcada no objeto dentro dos quais somos colocados / controles eletrônicos e softwares), mobiliário e desenho urbano (paradas/ sinalizações/ dimensionamento/preferências e controles de cruzamentos/ usos exclusivos) necessários ao seu funcionamento, cujo objetivo único parece evidente em promover a máxima mobilidade para o lucro máximo, onde um amontoado de pessoas apenas classificadas como usuários pagadores ou portadores de gratuidades e consideradas como não fazendo parte do processo. Visto desta forma o transporte público cumpre razoavelmente sua função mensurável de transportar uma massa. Tal fenômeno é tratado independentemente de outros fenômenos produzidos diretamente pelo transporte, como a transformação dos ordenamentos de usos e ocupações, da realização nos tempos, na qualidade do atendimento as vontades e interesses do deslocamento, ou seja, nada importa antes ou depois que o transporte passou. Colocar o transporte público em primeiro lugar vai muito além da dimensão quantitativa, obrigando a incorporação do cidadão visto individual e coletivamente, como o elemento fundamental na mudança da qualidade de vida em deslocamentos na cidade. Desta forma o cidadão não será mais apenas usuário, creditando-lhes responsabilidade e patrocínio para mudança do seu meio ambiente de vivência. Impossibilitados como já afirmamos na criação de novos espaços para atender a mobilidade, somos obrigados em escolher ações para evitar o "rastejamento" urbano, restringindo as ofertas totais ou de forma indiscriminadas no tempo e nos espaços urbanos para todos os modais de transporte motorizados particulares. As soluções reais para melhoria do transito só ocorrerá quando se retirarem o excesso de veículos particulares das vias de circulação e se colocarem as pessoas em transporte coletivo ou na oferta de outros modais que dispensem o carro e imprescindíveis ao bem estar da coletividade. Este esforça obriga na mudança de paradigmas que exigem ações nem sempre simpáticas e com as devidas contrapartidas públicas e privadas, a saber:
 
HUMANIZAÇÃO DO SISTEMA TRANSPORTE COLETIVO
1.1.1.- QUALIFICAR EQUIPAMENTOS
- Renovação de frota para pisos rebaixados;
- Matriz energética não poluente;
- Baixo nível de ruído;
1.1.2.- QUALIFICAR O SERVIÇO
- Patrocinar programa de qualificação com ações coordenadas (cidadãos e técnicos);
- Implantar integração temporal;
- Rigor nos horários e estabelecer sanções para impontualidade;
- Equilíbrio entre oferta e demanda e eliminando a superlotação;
- Higienização;
- Climatização;
- Conforto e ergonomia;
- Remodelar e padronizar as paradas de ônibus;
Informação e programação visual;
1.1.3. - AMPLIAR MODAIS
- Estacionamentos para veículos em terminais de integração;
- Possibilitar integração de modais de menor capacidade;
- Implantar o sistema ciclo-viário integrado ao sistema de transporte público motorizado;
- Ofertar estacionamento para bicicletas nas paradas de ônibus;
- Qualificar passeios para circulação segura, acessível/prover o conforto ambiental através da arborização;
- Implantar sistema de parqueado em áreas periféricas aos pólos destino com tarifa vinculada ao trajeto final através de veículos coletivos de dimensões reduzidas;
Integrar paradas do perímetro central com circular gratuito e matriz não poluente;
- Incorporar o serviço de taxi e o transporte
– POLITICA TARIFÁRIA
- Estudar e implantar mecanismos municipais que possam possibilitar a redução na tarifa do transporte público, revendo inclusive a lista de gratuidades ofertadas no sistema;
- Influenciar e buscar apoios na esfera estadual e nacional para implantação de mecanismos que possibilitem a redução de tarifa;
- Incorporar subsídios na tarifa do transporte público, através do Fundo Municipal de Desenvolvimento Urbano, cujos recursos podem ser gerados através das cotas advindas de seção do uso de espaço público (publicidade, estacionamento rotativo), pedágio urbano e rodízio de placas ou Instrumentos de Política Urbana;
Pedágio urbano - tarifa cobrada de carros que circulam em área normalmente central em horário pré-definido e cujos recursos arrecadados são investidos na melhoria do transporte publico.
- Rever responsabilidades e investimentos estabelecidos no contrato de TRANSPORTE PÚBLICO com as empresas permissionárias, obrigando-se ainda o poder público a disponibilizar todos os dados referentes à tarifa em tempo real.
- Prever tarifa reduzida para viagens não integradas;
- Implantar
MOBILIDADE 2030 JÁ
- A cidade merece uma resposta imediata para os desafios que lhe espreitam e aguardam no futuro. Promover o debate, reservar ou projetar espaços para mobilidade, seus futuros equipamentos, suas matrizes energéticas, suas integrações e modalidades. Se possível um VLT para 2030, devemos estabelecer estratégias para que tal aconteça.
 
PLANO DE MOBILIDADE URBANA
O termo urbanização é empregado para designar o processo pelo qual a população urbana cresce em proporção superior à população rural, fenômeno da sociedade industrializada e gerador da deterioração do ambiente urbano. Para solução desses problemas obriga-se a intervenção do Estado com objetivo de transformar ou criar novas formas urbanas. Ao processo deliberado na correção dos malfeitos da urbanização se dá através da URBANIFICAÇÃO, (termo criado por Gaston Bardet) na utilização de princípios e atuação urbanística que promova a renovação urbana.
A atuação urbanística do Poder Público, assim pensada e dentro de princípios de legalidade e da participação popular atua no meio social e no domínio privado, para transformar ou "ordenar uma realidade no interesse coletivo." A Carta Cidadã de 88 tornou clara a competência própria do Município, pois cabe a ele "estabelecer a política de desenvolvimento urbano, com o objetivo de ordenar o pleno desenvolvimento das funções sociais da cidade e garantir o bem estar de seus habitantes.
É no sentido de garantir uma maior possibilidade de que se concretizem os efeitos positivos para o prosperar coletivo que somos obrigados a tratar conjuntamente as todas as condicionantes sociais, econômicas e ambientais na produção e implantação dos planos de ordenamento territorial. Ao ordenarmos usos e ocupações e taxas de ocupação e aproveitamento de lotes privados obriga-se correspondente preocupação e observância de proporcionalidades em espaços públicos para atendimento da mobilidade e acessibilidade que a tal lote deve ser ofertado, bem como do correto dimensionamento nas infra-estruturas e serviços. O modelo urbanístico ou a falta de um, nos deixou como herança a cidade em estado rastejante e com tendências para congestionamentos cada vez maiores. Esse processo porem será lento
Plano de Ordenamento Territorial integrado ao Plano de Mobilidade;
Utilização dos Instrumentos de Política Urbana para indução da mobilidade;
Definir Mobilidade da Região Metropolitana
 
EDUCAÇÃO PARA MOBILIDADE SUTENTÁVEL
Incentivo e ensino para desmotorização
Qualidade e controle
Falta boa parte aqui
PLANO DE AÇÃO IMEDIATA
Um plano de ação imediata visa apenas resolver problemas emergentes, adotando medidas corretivas, principalmente ligadas à Engenharia de Trafego ou na Gestão do Sistema Viário através de medidas que envolvem investimentos reduzidos.
- Promover ações trans-disciplinares conjuntas na soma de esforços que tem se caracterizado por atos desconexos e por vezes conflitantes que nos afastam do efeito pretendido. Cabe ainda avaliar a relação de envolvimento dos agentes promotores das ações para mobilidade com o veículo particular e sua dificuldade em tomar medidas restritivas à sua utilização.
- Implantar o Rodízio de Placas, que permitiria acesso de apenas determinados números de placa de veículos, conforme dia e hora em áreas de grande interesse de deslocamento. Os recursos gerados por multas no descumprimento de tal norma seriam destinados ao transporte público.
- Induzir, incentivar ou implantar medidas para o transporte particular compartilhado (carona solidária). Tal medida pode ainda receber estímulo através de descontos no uso de espaços destinados aos veículos, como estacionamentos ou pedágio urbano.
- Controle e planejamento eficaz do sistema semafórico com garantias de ondas verdes ou controle inteligente de demandas e direções momentâneas de fluxos;
- Estudar, propor e debater com a sociedade a alteração nos horários de inicio e termino por atividade comercial e serviço;
- Planejar, avaliar impactos, prever e informar as ações mitigadoras na execução de obras de infra-estrutura que afetem o fluxo viário, bem como a qualidade dos serviços retificadores de seus efeitos;
- Determinar horários para realização de serviços com veículos de médio e grande porte (carga e descarga) em vias estratégicas ou fundamentais para deslocamentos;
- Obrigar a realização de serviços de manutenção ou recuperação de infra-estruturas públicas ou privadas de médio ou pequeno porte em vias de circulação seja feita fora dos períodos de grande atividade comercial ou de serviço (noite, final de semana ou feriados) excluídas obras ou serviços emergenciais;
- Estabelecer normas de desenho urbano e utilização de espaço público ou privado para que promovam a mobilidade e acessibilidade (prever em projeto espaço de espera para entrada e saída veículos, estabelecer padrões de vagas de estacionamento por tamanho de veículo, redesenho dos espaços para mobilidade que visem mobilidade segura e diminuição dos retardos ou acidentes que gerem interferência no trafego, retirada de lixeiras ou as que se projetem sobre o passeio, reavaliar o sistema de sinalização vertical da cidade;
- Obrigar na realização de obras em imóveis públicos e privados, que insumos e resíduos (inclusive as caçambas de coleta) ou quando impossível que se realizem e horários alternativos ou fiquem dentro do limite do terreno ou no máximo ocupando 30% do passeio desde que sejam providos de proteção lateral e aérea, ou de quando necessário uso de equipamentos pesados (bombas e caminhões de concreto) se realizem fora dos horários comerciais;
- Resolver demandas pelo transporte intermunicipal. (JoinvilleXAraquari)

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