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Sonho adiado31/01/2013 | 10h22

Pais denunciam golpe de agência de modelos em Joinville

Para seus filhos, o sonho das passarelas se tornou um pesadelo

Pais denunciam golpe de agência de modelos em Joinville Maiara Bersch/Agencia RBS
Ontem, os pais e os adolescentes registraram boletim de ocorrência na polícia para reaver o dinheiro Foto: Maiara Bersch / Agencia RBS

O sonho de se tornar modelo e fazer sucesso no mundo da moda virou pesadelo para 20 adolescentes da região de Joinville. No ano passado, cerca de 200 jovens foram abordados na rua, ou em shoppings, por olheiros, para participar de uma seletiva, que foi realizada em setembro em um hotel da cidade. Vinte foram escolhidos. Eles assinaram um contrato e pagaram R$ 2,1 mil cada um para um agenciador de modelos.

O contrato previa a realização de aulas de passarela, um book fotográfico e uma viagem a São Paulo, onde os futuros modelos passariam por seletivas em grandes agências. Mas nada disso aconteceu, segundo as mães. Nesta quarta-feira, os pais registraram boletim de ocorrência na polícia.

O agenciador Elder Henrique da Silva, que utiliza o nome artístico de Elder Depizzol, compareceu apenas a um dos encontros. Depois, nunca mais esteve nos locais e horários combinados. Preocupados, os pais dos adolescentes tentaram entrar em contato com o suposto empresário pelos telefones que constavam no contrato, mas os números haviam sido desativados.

— Após 45 dias, ele retornou por e-mail dizendo que o curso e a viagem seriam adiados por causa de compromissos —, conta a mãe de uma das meninas, de 16 anos.

— Depois, em 1º de dezembro, ele mandou outro e-mail, dizendo que não seria possível dar continuidade e que devolveria o dinheiro, mas até hoje não recebemos nada —, destaca. A mãe conta que a filha usou todo o dinheiro que havia recebido de parente quando fez 15 anos.

Um dos pais diz que usou o dinheiro que era para pagar a escritura da casa para realizar o sonho do filho. Ele conta que não podia imaginar que estava sendo enganado.

— Queremos reaver o dinheiro e exigir indenização por danos morais —, dizia o adolescente, enquanto aguardava atendimento na delegacia. Com os contratos, comprovantes de pagamento e cartões de visita do suposto agenciador, três vítimas resolveram registrar um boletim de ocorrência contra o agenciador.

Inquérito é aberto

A Polícia Civil de Joinville abriu um inquérito para investigar a suspeita de estelionato. Segundo o delegado Leonardo Machado, algumas vítimas foram ouvidas e a expectativa é de que outras pessoas que tenham sido lesadas procurem a Delegacia de Polícia Civil, na rua Marquês de Olinda, para prestar queixa.

— Estamos juntando provas, como trocas de e-mails, contratos e recibos —, diz o delegado.

Para evitar dores de cabeça

Dangelo Peixer, sócio-proprietário da agência DF Model, em Joinville, dá algumas dicas para quem pretende iniciar na carreira de modelo sem traumas.

— A primeira coisa é buscar uma agência séria na cidade, procurar conhecer o histórico da empresa e referências na internet —, aconselha.

— É preciso tomar muito cuidado com pessoas que viajam de cidade em cidade à procura de novos talentos e se dizem descobridores de grandes tops, como a Gisele Bündchen —, orienta.

Segundo ele, outro sinal de alerta de que o agenciador pode ser, na verdade, um golpista é a promessa de viagem para São Paulo.

— A Associação Nacional das Agências de Modelo, inclusive, proíbe essa prática, de levar meninas em ônibus de turismo para fazer seletivas em São Paulo —, ressalta.

Ele explica que o ideal para quem quer tentar a carreira em um mercado como o de São Paulo é começar numa agência menor, fazer alguns trabalhos na sua própria região e montar um portfólio.

Dangelo, que atua nesta área há 17 anos, lembra ainda que muitas agências têm parcerias com agências maiores, o que pode facilitar esta ponte com o grande mundo da moda. Mas diz que isso também não é garantia de credibilidade.

— Tem gente por aí que usa o nome de grandes agências, mas é preciso confirmar se esta parceria existe, se eles conhecem de perto o trabalho deste agenciador.

Ela chama a atenção para a cobrança por produtos como books e cursos.

— Não existe nada de graça, tudo é cobrado pela agência —, ressalta.

Por isso, ele diz que é preciso estar atento. É sempre bom verificar se o valor cobrado está dentro do valor de mercado e exigir nota fiscal.

Contraponto

A equipe de reportagem tentou contato com Elder por e-mail, Facebook e telefone, mas o suspeito não retornou.

Por telefone, a equipe conversou também com familiares de Elder, que disseram que ele está em São Paulo, e não informaram o número de telefone para contato.

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