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AN Verde19/09/2014 | 21h32

Crianças promovem abraço à árvore em escola infantil de Joinville

Pau-brasil tombado por uma lei municipal é atração no Espaço Educacional Anjos da Terra

Crianças promovem abraço à árvore em escola infantil de Joinville Rodrigo Philipps/Agencia RBS
Crianças são incentivadas no ambiente escolar a desenvolver práticas ligadas à natureza Foto: Rodrigo Philipps / Agencia RBS

Uma roda que continua em abraço. Foi dessa forma que um círculo formado por 27 pares de mãos e braços esticados antecedeu o afago que a árvore pau-brasil recebeu da turma do jardim do Espaço Educacional Anjos da Terra, de Joinville. Símbolo do País, a árvore foi plantada pela enfermeira Hilda Anna Krisch no século passado e ficou de herança para o Hospital Dona Helena. Em 2005, o pau-brasil de 13 metros de altura foi tombado por meio de uma lei municipal.

Hoje, a casa que pertenceu a Hilda é alugada para a escola. No local, as crianças aprendem que antes do "abraçar" é preciso "ensinar". No dia em que a reportagem do AN Verde esteve na unidade educacional para contar a história da árvore, as crianças conversaram com as professoras sobre o tamanho da árvore.

— Olha como ela é grande — mostrou uma professora.

— Uaaaau! — exclamou um dos alunos, acompanhando com os olhos a subida do tronco e dos galhos da imponente árvore.

— A gente pode cortá-la? — provocou a professora.

— Nããão! — responderam as crianças, a plenos pulmões.

— A árvore é áspera? — instigou a professora.

Por alguns instantes, o silêncio predominou. 

— Passem a mãozinha no rosto. Vejam como é lisinho. Então, a árvore é áspera — ensinou.

Além do pau-brasil plantado pela enfermeira Hilda Krisch, que morreu em 1995, outras árvores foram plantadas no terreno da escola pelos próprios alunos. Conforme a coordenadora pedagógica Andréia Cristina Carvalho, certo dia as crianças comeram caqui e perceberam que nele haviam sementes. Logo, eles quiseram plantar. O pé de caqui cresceu e hoje está com quatro anos, idade de muitas das crianças matriculadas na instituição.

Após o abraço, as crianças foram levadas ao refeitório em fila e sentaram-se em volta de uma mesa. Nas duas turmas que abraçaram a árvore, há vários devoradores de frutas. Eles já conhecem o gosto da pitanga, da jabuticaba, da laranja, da tangerina, da maçã, entre outras.

Thomas, de cinco anos, adora comer mamão e limão. O menino disse que conhece também uma fruta diferente, a pitaia.

— É da casa do meu nono — explicou.

O colega dele, Pedro Terra, aproveitou para falar da sua preferida, a árvore de maçã.

Por que você gosta de uma macieira? – perguntou Augusto Correia, irmão das gêmeas Manuela e Catarina.

— Mas eu tenho um pé de limão na minha casa — observou Pedro, que logo ouviu o comentário de seu primo, Luca: 

— Eu gosto é de pegar jabuticaba na casa do vô.

A realidade de algumas crianças é um pouco diferente. Elas não têm quintal em casa e o contato mais forte com as árvores e as plantas se restringe ao ambiente da escola.

— Como a maioria mora em apartamento, aqui eles podem acompanhar a natureza – diz a professora Elisete de Braga.

Com projetos que envolvem a natureza, como o De Onde Vem?, as crianças são incentivadas a aprender sobre o cotidiano, procurar a origem de objetos e alimentos e falar sobre a natureza. A matéria-prima dos brinquedos de madeira é um exemplo. Ela deve vir das árvores de reflorestamento para não causar impacto ambiental. Uma maneira peculiar de ter consciência sustentável.

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