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Obras07/11/2018 | 06h51Atualizada em 07/11/2018 | 06h52

Memorial da Bicicleta reabre nesta quarta-feira em Joinville

Unidade, que estava fechada há quase dois anos, passou por melhorias na estrutura e ganhou novos equipamentos

Memorial da Bicicleta reabre nesta quarta-feira em Joinville Phellippe José/Prefeitura de Joinville
Estrutura ficou dois anos fechada para melhorias no acervo e na estrutura física Foto: Phellippe José / Prefeitura de Joinville

Depois de quase dois anos fechado, o Memorial da Bicicleta abre as portas ao público nesta quarta-feira (7), às 15 horas, em Joinville. O acervo conta a história do principal meio de transporte na cidade, e que acabou virando símbolo do município, no início do século passado. A unidade museológica passou por reformulação e agora, além das peças de exposição, conta com ações educativas e visitas guiadas para estudantes.

— Mudou bastante do espaço anterior. Antigamente, nós tínhamos mais peças para visitação. Hoje, temos mais história, com atividades educativas e interativas para demonstrar a importância da bicicleta — explica Evandro Censi, diretor executivo da secretaria de Cultura e Turismo (Secult), em entrevista à NSC TV. 

O novo acervo passou por um processo de reestruturação do patrimônio histórico. Com modelos produzidos no Brasil, na Suécia, na Alemanha e na Índia, a partir do início do século 20, a exposição do Memorial apresenta 49 peças – sendo 23 pertencentes a acervos particulares dos colecionadores Dionísio Trapp e Antônio Olinto, ambos de Joinville; as demais são do acervo do próprio município.

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Na lista de objetos há alguns curiosos, como um "rema-rema" datado de 1910; uma bicicleta feminina da marca Miele fabricada na Alemanha em 1940; um exemplar Regent, modelo masculino, fabricado na década de 1960 na Índia; e outras raridades. Durante o período em que ficou fechado, o Memorial passou por melhorias na estrutura. Foram realizados alguns reparos na parte elétrica, na pintura e na segurança. 

Memorial da Bicicleta reabre nesta quarta em Joinville, na foto a parte de dentro do imovel.
Acervo conta a história do principal meio de transporte na cidade no início do século passadoFoto: Phellippe José / Prefeitura de Joinville

De acordo com Censi, o Memorial da Bicicleta também conta com a realização de ações educativas voltadas ao público escolar. Nas visitas agendadas, os alunos serão recebidos pela equipe de educadores, assistirão a vídeos sobre educação no trânsito e mobilidade e farão a visita guiada para conhecer a coleção e a história da bicicleta na cidade. 

Reforma feita por meio de parceria 

As melhorias e novos equipamentos do Memorial da Bicicleta foram possíveis por meio de parceria. A Secult viabilizou a reforma, em conjunto com o Movimento Pedala Joinville – que doou ao município R$ 60 mil provenientes de um termo de ajustamento de conduta (TAC) – firmado pela 3a Vara do Trabalho de Joinville. 

— O espaço onde fica o Memorial mantém a história do local. Então, nós temos uma tratativa com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) de melhoria externa de toda a região — ressalta o diretor da Secult.

Memorial da Bicicleta reabre nesta quarta em Joinville, na foto a parte de trás do imovel.
Ferrovia utilizada no início do século passado ainda pode ser vista atrás do imóvel do MemorialFoto: Gabriela Florêncio / A Notícia

Comunidade aprova reabertura

O imponente complexo da antiga Estação Ferroviária de Joinville, inaugurado em 1906, hoje abriga três unidades de preservação da história. Ali, ficam a Estação da Memória, o Memorial da Indústria e o da Bicicleta. O aposentado Arci José de Oliveira, 68 anos, relembra com nostalgia do tempo em que o trem entrava e saída da estação repleto de passageiros rumo a outras cidades do Norte de Santa Catarina. 

Morador do bairro Floresta desde que nasceu, ele conta que o lugar representa uma conquista histórica para a cidade – como alavanca à industrialização e aos aspectos sociais e políticos do município –, além de ajudar a construir a história de muitos joinvilenses, principalmente dos que tiveram os familiares trabalhando nas ferrovias.  

— O meu avô e dois tios se aposentaram na estrada de ferro. Então, a gente nasceu andando de trem. Eu usei muito este meio para ir para Jaraguá, há muito tempo – recorda.

O saudosismo da época do vaivém de vagões e passageiros fez com que o aposentado sentisse um pouco de desapontamento com o fraco movimento no espaço durante os dois anos em que ficou parcialmente fechado. Arci defende que, cada vez mais, o espaço deve receber atrações de lazer e cultura na praça e nos terrenos ao redor. Assim, envolvendo a comunidade com a ocupação, o complexo seria até mais conservado, opina ele.

— As pessoas que nasceram aqui e vivenciaram toda a história sentem falta deste lugar funcionando. Mas como Joinville acolhe muitas pessoas de fora, algumas não têm ideia do valor deste patrimônio — menciona.

Memorial da Bicicleta reabre nesta quarta em Joinville. Dilson Vieira diz que ocupação traria mais cuidado à estrutura do Memorial.
Dilson mora nos arredores do Memorial, no bairro FlorestaFoto: Gabriela Florêncio / A Notícia

O morador Dilson Vieira, 65 anos, concorda com a opinião de Arci, mas sugere que o espaço onde estão os museus deveria ter mais investimento da Prefeitura, com pintura constante e em cores mais vivas, além de roçada e limpeza nas partes externas com frequência, fazendo com que chamasse mais a atenção do público. 

O diretor da Secult explica que a estrutura do prédio segue as características da época da construção, inclusive a cor, para conservar a história.

— A permanência do prédio é muito importante na história de Joinville. Na parte visual externa, são feitas somente a pintura e a manutenção, mas nada que mude a característica do prédio. 

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Integração dos outros espaços do complexo  

A Estação da Memória, que também fica no antigo prédio da ferrovia, está aberta à visitação. No local, são feitas pesquisas por estudantes sobre a história do trem em Joinville, além da visitação. Com a reabertura do Memorial da Bicicleta, a intenção é integrar a visitação dos dois espaços públicos.

Já o antigo Museu da Indústria, que fica ao lado do da Bicicleta, está fechado e não tem data para ser reaberto. Conforme Censi, o prédio também precisa passar por melhorias para a reabertura, tanto na estrutura física quanto no acervo. Em março de 2010, o telhado onde ficava o museu caiu e o prédio chegou a ser interditado.

 

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