Patrimônio arqueológico de Joinville aguarda ações para garantir proteção e pesquisas - A Notícia

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História01/09/2018 | 08h30Atualizada em 01/09/2018 | 08h30

Patrimônio arqueológico de Joinville aguarda ações para garantir proteção e pesquisas

Apesar de referência nacional na preservação dos sambaquis, cidade depende de recursos para manutenção do museu arqueológico e das áreas registradas

Patrimônio arqueológico de Joinville aguarda ações para garantir proteção e pesquisas Salmo Duarte/A Notícia
Sambaqui Cubatão I está desaparecendo pela ação da natureza na zona Norte de Joinville Foto: Salmo Duarte / A Notícia

Um dos mais importantes exemplares de sítios arqueológicos de Joinville está desaparecendo pouco a pouco devido o impacto da natureza na região do Cubatão. Ele começou a ser estudado no fim da década passada e levaram a descobertas de ossos de quase 3 mil anos, que colaboraram na argumentação para mostrar que, ao contrário do que era imaginado, a expectativa de vida do sambaquiano podia ultrapassar os 40 anos, já que foram encontradas arcadas dentárias de pessoas de até 70 anos de idade. 

As pesquisas pararam por entraves nos editais de financiamento e, agora, pisar no local é considerado irregular pela Defesa Civil. Localizado sobre o mangue, o sítio sofre a influência das marés e das embarcações que transitam pelo rio Cubatão, o que provoca um acelerado processo de erosão. Ela causa o desmoronamento dos blocos, levando à perda dos vestígios de uma população que usou aquela região.

Essa é apenas uma das situações que ameaçam os sítios arqueológicos de Joinville. Em entrevista ao jornal A Notícia, a coordenadora do Museu Arqueológico de Sambaqui de Joinville, Roberta Meyer, informou os projetos em desenvolvimento para proteção do patrimônio arqueológico da cidade.

Museu Arqueológico de Sambaqui de Joinville: o local, projetado pelo conceituado arquiteto Sabino Machado Barroso no início dos anos 1970, foi construído em área de alagamentos no Centro de Joinville. Por isso, nos últimos 10 anos, foi interditado parcialmente e totalmente em diferentes períodos e, mesmo após a reabertura, em 2015, boa parte do acervo não retornou para o prédio. A estrutura atual não oferece condições de conservação nem espaço físico suficiente para novas aquisições de acervo e para pesquisa. Um projeto foi criado pela Prefeitura de Joinville para reforma do prédio atual, que prevê conservação da fachada, elevação da altura do imóvel e a construção de três pavimentos nos fundos. A iniciativa está tramitando e aguarda projeto para captação de recursos.

*** Cleber Gomes - Sambaqui 2 ***Escavação no sambaqui do Cubatão.
O Cubatão I foi estudado há cerca de dez anosFoto: Cleber Gomes / Agencia RBS

Sambaqui Cubatão I : O local precisa receber estrutura de contenção para evitar sua destruição total, que ocorre naturalmente pela força da natureza, e para que possa ser feito o salvamento do sítio e ele seja totalmente estudado. Um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) está sendo firmado com uma empresa que danificou um sítio arqueológico em outro município. Ele deve viabilizar a verba para as obras de contenção do Cubatão 1. Depois, o objetivo é buscar recursos para pesquisa do local, inclusive com a formação de um sítio-escola.

 JOINVILLE, SC, BRASIL, 27-09-2013: AN no seu bairro. Foto dentro do sambaqui. (Foto: Leo Munhoz/ Agência RBS)
No sítio da rua Guaíra, descarte de lixos é um problema antigoFoto: Leo Munhoz / Agencia RBS

Sambaqui Guaíra: Localizado na Rua Guaíra, no bairro Aventureiro, está inserido em uma quadra verde. Há mais de 10 anos, a Associação de Moradores do Comosa deu início a um movimento para criar um projeto de revitalização da área, com parceria de um arquiteto voluntário que fez o esboço inicial da área de lazer e preservação ambiental. Como inclui diferentes áreas (turismo, cultura e esporte), não é possível buscar recursos do mesmo órgão federal. A Associação dos Municípios de Nordeste de Santa Catarina (Amunesc)  recebeu a solicitação para desenvolver o projeto em três etapas. Elas já foram cadastradas no Ministério do Turismo e aguardam homologação. A expectativa é que a licitação seja iniciada em 2019 e o sambaqui receba musealização, com deques e comunicação visual. O local nunca recebeu um campo de pesquisas, mas já foi parcialmente destruído. Datações do topo indicam que sua ocupação ocorreu em 5.200  Antes do Presente (AP).

 JOINVILLE,SC,BRASIL,29-08-2018.Joinville tem em seu território 42 sambaquis tombados pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional),este localizado no bairro Espinheiro.(Foto:Salmo Duarte/A Notícia)
O sítio arqueológico fica no meio da área urbana e precisa de ações de proteçãoFoto: Salmo Duarte / A Notícia

Sambaqui Espinheiros II: Um projeto já havia sido produzido para revitalizar a área em que ele está inserido, no bairro Espinheiros, mas o orçamento está defasado. Agora, passa por uma nova avaliação para estimar o valor para calçamento, iluminação, construção de deques de madeira e instalação de placas com informações sobre o sítio arqueológico.

Leia mais:
Saiba como Joinville preserva seus sítios arqueológicos

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