Começa vistoria dos bombeiros nos Museus de Joinville - A Notícia

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Patrimônio19/09/2018 | 20h00Atualizada em 19/09/2018 | 20h00

Começa vistoria dos bombeiros nos Museus de Joinville

Primeira unidade a receber visita, o Museu Nacional da Imigração e Colonização, passou por análise nos itens de segurança e também na estrutura física

Começa vistoria dos bombeiros nos Museus de Joinville Salmo Duarte/A Notícia
Museu Nacional de Imigração e Colonização (MNIC) passou por análise nos itens de segurança Foto: Salmo Duarte / A Notícia

As vistorias nas estruturas museológicas de Joinville, para elaborar planos de prevenção a incêndios, começaram nesta quarta-feira (19). O primeiro local visitado pelo Corpo de Bombeiros Militares de Santa Catarina, o Museu Nacional de Imigração e Colonização (MNIC), passou por análise nos itens de segurança e também na estrutura física, já que há o planejamento para restauro da unidade.  

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A visita dos bombeiros ocorre após o incêndio no Museu Nacional, no Rio de Janeiro, no início deste mês. Na época, o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) solicitou uma verificação em quatro estruturas joinvilenses, para conferir a adequação às normas de segurança. Além do MNIC, outros três espaços ainda devem receber a vistoria nos próximos dias: Museu de Arte de Joinville (MAJ), Museu Arqueológico de Sambaqui e Museu Casa Fritz Alt. O pedido do MP faz parte de um inquérito civil instaurado desde maio do ano passado, com o objetivo de cobrar a manutenção nas unidades. 

De acordo com o sargento dos bombeiros, Luciano Brüggemann, a equipe de vistoria irá elaborar um relatório ao Ministério Público baseando-se nos dados coletados durante a visita. O grupo irá averiguar itens relacionados aos planos contra incêndios e pânico – como extintores, saídas e sinalização de emergência, por exemplo. Como o MNIC deve passar por reforma, as adequações às normas de segurança podem ocorrer em conjunto com o plano de restauro. 

— A vistoria prévia está sendo realizada a pedido do MP e para orientar quais adequações precisarão ser feitas durante reforma em tratativas com a administração do museu — explica o sargento.

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Grupo averigua itens relacionados aos planos contra incêndios e pânico, como extintores, saídas e sinalização de emergênciaFoto: Salmo Duarte / A Notícia

Os relatórios elaborados pelos bombeiros serão encaminhado aos MP até a próxima segunda-feira (24). Também deve ser disponibilizado à administração municipal para que possa elaborar o plano de adequação às normas. 

Em nota, a Prefeitura informou que o município está elaborando um cronograma de ações para a montagem do plano de segurança e melhorias na infraestrutura dos museus, conforme as exigências técnicas. O cronograma deverá ser apresentado ao Corpo de Bombeiros assim que for finalizado. 

Adequações para segurança seguem particularidades das estruturas

As adequações às normais estaduais de segurança contra incêndios seguem as particularidades museológicas de cada unidade. De acordo com a coordenadora da unidade, Renata Cittadin, o casarão onde fica o museu existe há cerca de 150 anos, sendo que há 60 foi transformado em um museu e em março deste ano foi fechado por causa de um esgotamento na estrutura. Como, inicialmente, ele não foi feito com a função de abrigar acervos, a elaboração do plano de segurança é uma tarefa complexa que deve levar em consideração as singularidades da função de museu. 

— O casarão foi construído para ser um museu. Basicamente, foi pega uma casa antiga e colocado um museu dentro que possui várias restrições que devem ser consideradas durante a elaboração deste plano — explica a coordenadora.  

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Equipe irá elaborar um relatório ao Ministério Público baseando-se nos dados coletados durante a visitaFoto: Salmo Duarte / A Notícia

Segundo Renata, como o trabalho técnico de conservação e museologia na unidade são muito recentes, as estruturas foram construídas sem levar em consideração todas as normas de segurança. Desde 2011, os museus possuem recursos técnicos e de pessoal para o trabalho de conservação e manutenção da unidade e do acervo. Ainda que o MNICI esteja fechado para visitação, o trabalho técnico continua diariamente para preservação e segurança do acervo. 

— Um museu fechado, por exemplo, não é um museu extinto, muito pelo contrário. O acervo continua vivo aqui para nós cuidarmos — complementa a coordenadora.

De acordo com o sargento Brüggemann, o trabalho de elaboração do plano de prevenção a incêndio em estruturas históricas tem uma tratativa diferente na norma estadual. Por ser uma edificação já existente e antiga, ela segue regras de uso e ocupação diferentes. A prevenção à tragédias como a que aconteceu com o Museu Nacional, no Rio, deve começar levando em consideração a utilização de cada estrutura museológica. 

O sargento cita o exemplo dos diferentes tipos de acervo disponíveis no MNIC, por exemplo. No plano de segurança do local, devem ser levados em consideração os fatores que mantenham os visitantes em segurança, mas que também assegurem o acervo contido no espaço – como uma saída segura para o material em casos de emergência.

– Em uma situação de emergência onde há documentos expostos, por exemplo, eu não posso usar um extintor de água porque vai destruir esse acervo, assim como deixar ele dentro do casarão seria mais um combustível para o fogo. Nós não cuidamos somente das pessoas, mas do acervo também – esclarece.

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Adequações para segurança seguem particularidades das estruturas, como em casos dos casarões históricosFoto: Salmo Duarte / A Notícia

Normas estão mais flexíveis

Além disso, a flexibilização desta norma estadual após o acidente na Boate Kiss, em janeiro de 2013, fez com que, para elaboração dos planos, cada edificação fosse tratada de maneira singular, em que as adequações para garantir a segurança se adaptem ao uso do imóvel. Além disso, a flexibilização ainda permitiu que alterações nas normas fossem feitas com mais frequência.

Brüggemann explica que, com o trabalho da equipe de perícia técnica dos bombeiros militares, os problemas e defeitos encontrados durante incêndios e ocorrências de emergência começaram a ser evidenciados e, assim, prevenir futuras ocorrências em outros locais em imóveis de funcionalidade iguais.

 
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