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Jovem Aprendiz25/08/2018 | 08h00Atualizada em 25/08/2018 | 13h40

Joinville contratou 1.583 jovens pelo programa de aprendizagem no primeiro semestre de 2018

Número representa um pequeno aumento em relação ao ano passado, mas potencial da cidade está longe de ser alcançado

Joinville contratou 1.583 jovens pelo programa de aprendizagem no primeiro semestre de 2018 Salmo Duarte/A Notícia
Foto: Salmo Duarte / A Notícia

Joinville contratou 1.583 pessoas com idades entre 14 e 24 anos por meio da Lei da Aprendizagem Profissional no primeiro semestre deste ano. O número representa um crescimento pequeno em relação ao mesmo período no ano passado, que teve 40 contratações a menos entre janeiro e junho. É um cenário semelhante ao do País, que tem registrado aumento nas contratações de aprendizes todos os anos, mas está longe de alcançar o potencial mínimo de jovens no mercado de trabalho. 

A Lei da Aprendizagem (Lei 10.097/2000), que foi regulamentada em 2005, afirma que todas as empresas de médio e grande porte devem contratar jovens com idade entre 14 e 24 anos como aprendizes, em cotas que variam de 5 a 15% por empresa, de acordo com o número total de empregados. 

Se todas as empresas de Joinville com mais de sete funcionários cumprisse pelo menos a cota mínima, de 5%, cerca de 10 mil aprendizes estariam trabalhando. No entanto, no mês de julho, o número total era de 2.913 jovens, segundo levantamento do Ministério do Trabalho e Educação (MTE). Santa Catarina, que foi o quinto Estado brasileiro com maior número de contratações no primeiro semestre, atingiu apenas 32,5% do potencial, com 16.643 admissões. 

— A lei da aprendizagem foi criada com o apoio do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e munida da lista Tip (Lista das Piores Formas de Trabalho Infantil) com o papel de inibir e extinguir a mão de obra infantil. Isso porque, na época, a CLT só permitia contratação de maiores de 16 anos, mas muitos adolescentes mais novos já eram expostos à formas de trabalhos que não respeitavam sua integridade física e psicológica — explica a coordenadora educacional Karize Vaz, responsável pela unidade regional da organização social Gerar, uma das instituições responsáveis pelo encaminhamento dos adolescentes e jovens ao mercado de trabalho em Joinville.

Confira as áreas e funções que mais contrataram jovens em Joinville em 2018

Em geral, os especialistas apontam que falta compreensão sobre os benefícios que a empresa pode ter com a contratação de aprendizes e os papéis que estes podem desempenhar. Além de vantagens e incentivos fiscais, como pagamento de apenas 2% de FGTS, dispensa do aviso prévio remunerado e isenção da multa rescisória — porque o jovem aprendiz tem um período de contrato pré-estabelecido e, com isso, não tem direito a seguro-desemprego —, as empresas têm a oportunidade de capacitar mão-de-obra que pode ser absorvida após a conclusão do programa. 

— Deixa de ser apenas cumprimento de cota quando a indústria percebe que o programa pode ser um treinamento que desenvolve o jovem durante um ou dois anos e, no fim, você tem um profissional com conhecimento técnico e que já conhece a produção e a rotina da empresa. Os gastos com recrutamento diminuem — avalia a coordenadora de aprendizagem do Senai Joinville, responsável pelo programa que inclui cerca de 40% dos contratados na cidade. 

Para Karize, é necessário também que o jovem aprendiz seja valorizado por sua responsabilidade social. Ele é porta de entrada para o mercado de trabalho, processo que é dificultado no País em momentos de alta taxa de desemprego, quando há profissionais com experiência e maior formação disputando as mesmas vagas que os jovens.

Segundo pesquisa divulgada pelo IBGE na última semana, o desemprego entre os trabalhadores de 18 a 24 anos é de 26,6%, mais que o dobro da população em geral, que estava em 12,4% no segundo trimestre de 2018. 

— Em especial no caso dos jovens em situação de vulnerabilidade social e econômica, o programa é essencial — analisa Karize. 

Confira como conseguir emprego como aprendiz entre os 14 e 24 anos em Joinville

 JOINVILLEN,SC,BRASIL,23-08-2018.Jovem Aprendiz,Paulo Vinícius Esteves,18 anos,aprendiz em serviços administrativos no Senac,trabalha na recepção da Orcali.(Foto:Salmo Duarte/A Notícia)
Foto: Salmo Duarte / A Notícia

Indústrias e serviços são principais áreas de contratação

Quando Nivaldo Mathes, 63 anos, começou a trabalhar e decidiu a área em que seguiria carreira, há quase 50 anos, passava os sábados, de forma voluntária, observando o contramestre no setor de tecelagem de uma empresa têxtil, a mesma em que, durante a semana, trabalhava em serviços administrativos na portaria. 

Agora, como supervisor de manutenção, é o responsável por acompanhar as rotinas de Renan Medeiros, 18 anos, que há seis meses é jovem aprendiz na Companhia Catarinense de Fiação (Comfio), do mesmo grupo empresarial em que Nivaldo trabalhou quando adolescente e no qual construiu a própria carreira. 

— Não havia tantas opções de escolas e cursos quando eu era jovem. Por isso, sempre falo para os aprendizes aproveitarem a oportunidade de se aprimorarem — conta ele. 

Renan tem aproveitado: antes de entrar na empresa pelo programa de aprendizagem, apenas imaginava que gostava da área de mecânica, mas não tinha nenhuma proximidade com ferramentas ou o interior de grandes fábricas. Agora, já tem certeza que é nessa área que investirá os próximos passos. O jovem cumpre uma rotina de oito horas diárias, divididas em dois períodos: auxilia na produção de peças para manutenção da indústria têxtil de manhã e faz curso de ajustador mecânico no Senai à tarde.

— Faço aqui o mesmo que nas aulas práticas do curso, mas é mais fácil de aplicar o que aprendo e, na empresa, convivo com outros profissionais que me ajudam. Seria bem diferente se tivesse entrado direto em uma empresa — afirma Renan.

O garoto escolheu a área de trabalho que mais contrata em Joinville. Segundo dados do Ministério do Trabalho e Educação, no primeiro semestre as indústrias admitiram 956 aprendizes. As principais contratações, em geral, são para funções na área administrativa, como auxiliar de escritório e assistente administrativo. 

Maturidade para entrar no mercado de trabalho

Foi realizando serviços administrativos que Paulo Vinícius Esteves, 18 anos, ganhou experiência e maturidade nos últimos 14 meses. Com a conclusão do Ensino Médio chegando, ele sentia-se inquieto com a vontade de começar a trabalhar. Uma indicação de amigos e a noção de que gostava de trabalhar com atendimento ao público o levaram a um cargo no setor de recursos humanos de uma unidade do Grupo Orcali. 

— Agora, eu decidi que quero estudar mecânica, que é outra área que gosto. Mas essa primeira experiência de trabalho foi muito importante porque me ensinou a ser mais responsável, a lidar com pessoas de todas as idades e classes econômicas, a administrar meu próprio dinheiro — conta o jovem, que faz curso de serviços administrativos duas vezes por semana na unidade do Senac e trabalha três dias por semana.

Joinville contratou 1.583 jovens pelo programa de aprendizagem no primeiro semestre de 2018

 JOINVILLEN,SC,BRASIL,23-08-2018.Jovem Aprendiz,Alisson Correa,24 anos,foi aprendiz de assistente de produção na Embraco aos 17 anos  e agora,aos 24 anos,é analista de projetos na mesma empresa.(Foto:Salmo Duarte/A Notícia)
Foto: Salmo Duarte / A Notícia

Programa pode representar início de carreira 

Aos 24 anos e prestes a concluir a faculdade de Engenheria de Produção, Alisson Correa poderia estar preocupado com o início da carreira profissional. Em vez disso, contabiliza funções que já executou em uma multinacional de Joinville, a Embraco, a mesma que realizou o primeiro registro em sua carteira de trabalho há seis anos. Ele entrou no programa de aprendizagem quando, prestes a completar 18 anos, decidiu esperar para escolher o curso de graduação.  

— Eu não tinha definido minha carreira, mas queria muito entrar no mercado de trabalho. Meu pai trabalhou por 26 anos nesta empresa e isso sempre me impressionou. Foi ele quem levou a ficha de inscrição para o programa de Jovem Aprendiz para casa — recorda Alisson.

No processo seletivo, o fato de demonstrar muito interesse em fazer parte do quadro de funcionários e de ter informações aprofundadas sobre as atividades da empresa foram um diferencial para conseguir uma vaga. E, ao fim dos dez meses em que vivenciou o primeiro emprego auxiliando nos processos administrativos da fábrica, descobriu a faculdade que realmente queria cursar e recebeu a proposta de ficar, assumindo mais atividades. 

— Quando entrei na faculdade, já podia explicar em sala de aula sobre os processos que estavam sendo discutidos na teoria — conta ele, que atualmente é analista em gestão de projetos. 

 

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