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Economia04/08/2018 | 08h00Atualizada em 04/08/2018 | 16h40

Conheça tecnologias criadas em Joinville que estão surpreendendo o setor agrícola

Uma das empresas precursoras na área é considerada modelo para o Brasil

Conheça tecnologias criadas em Joinville que estão surpreendendo o setor agrícola Salmo Duarte/A Notícia
Sensores aéreos capazes de identificar pragas, deficiências nutricionais e outras variantes estão entre as criações Foto: Salmo Duarte / A Notícia

A Jetbov possui sistema via aplicativo para controle de gado e gestão de propriedades rurais, que já contabiliza mais de R$ 1 bilhão em ativos de fazendas atendidos pela plataforma. Em outra frente se destaca a YAK Tratores Elétricos, startup que há dois anos trabalha em um protótipo de tração elétrica (YAK 348), um dos vencedores do Prêmio Sinapse de Inovação. O produto deve ser lançado oficialmente até o ano que vem e é o único neste modelo no Brasil.

De acordo com João André Ozório, um dos sócios do empreendimento, a proposta é entregar ao agricultor de pequeno porte orgânico uma tecnologia barata, capaz de reduzir o impacto ao meio ambiente e ao mesmo tempo, ampliar a produtividade do campo. Com tiragem inicial de cinco unidades para produtores com áreas de cultivo de até cinco hectares, a ideia é de que eles utilizem o mini trator elétrico e validem a proposta, conseguindo duplicar a área de cultivo, sem dobrar os custos. 

Para chegar a esses resultados, o equipamento conta com tração 100% elétrica e tem capacidade de reduzir até 70% os custos com combustível e manutenção – estimativa de economia de R$ 10 por hora trabalhada.

– O mercado de orgânicos cresce na média de 30% ao ano e percebemos que havia um nicho a ser explorado, porque as soluções voltadas ao maquinário para a produção das plantações não estavam sendo bem atendidas. Quem trabalha com esse setor se preocupa com o ciclo completo da produção, então apostamos no desenvolvimento de produtos sustentáveis e de alto benefício para toda a cadeia produtiva. Nesse primeiro trator elétrico, criamos outros elementos como a capinadeira-fogo (substitui a capina química, com agrotóxico, e também a manual); sistema de preparação do solo e sistema de roçadeira – explica Ozório.

O protótipo está sendo testado desde o início do ano e deve ser comercializado entre os valores de R$ 25 mil e R$ 32 mil, dependendo das funcionalidades aplicadas no modelo. A estimativa é de que neste e no próximo ano a produção ocorra somente por pré-reserva de até 20 unidades, ao longo dos dois anos, para que haja acompanhamento da adesão da técnica junto aos produtores. A perspectiva é de que o projeto se torne escalonado a partir de 2020, tendo as funcionalidades validadas.

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Aplicação que gera e demonstra resultados

A Agrotechlink, empresa liderada por Luciano Bueno e Alexsandro Olivo, é um exemplo joinvilense de agricultura e tecnologia conectadas que está ajudando a melhorar a qualidade de vida no meio rural. Eles conseguiram economizar reduzindo os custos da inserção de equipamentos sensoriais nas lavouras com um painel multifuncional via wifi. 

A inovação aplicada possibilita o acionamento programado de bombas de irrigação, exaustores e aeradores para a piscicultura e sistemas elétricos que conseguem monitorar cada passo do cultivo dentro de abrigos ou estufas.

Além disso, o sistema fornece uma série de dados precisos, em tempo real, aos usuários, o que torna possível o controle e a medição dos níveis de temperatura, de umidade e de pressão do ar e do solo envolvidos no processo de produção. Segundo os empresários, os relatórios gerados por estas ferramentas levam o produtor rural a uma cultura mais saudável e com maiores rendimentos, assim como a economia de energia elétrica, de água e de insumos envolvidos na produção. É o que afirma um dos sócios:

– Os dados garantem maior assertividade ao produtor durante todo o cultivo. Hoje esse processo é feito pelo feeling dele ou por crenças que vieram do pai, do avô. Então, o que queremos é ajudar a mudar essa realidade. Um dos exemplos práticos que temos é de uma linha de clonagem de plantas em Joinville que tinha entre 40% e 50% de perdas quando colocadas na estufa. Depois com o sistema de aquisição de dados houve redução de 30% no desperdício, o que representa um impacto direto de produtividade e, consequentemente de faturamento – afirma o empreendedor Bueno.

Aposta no futuro ajudam no desenvolvimento

Outra já contemplada com o Sinapse de Inovação é a joinvilense Agtech Agrize, nascida em 2016 com o nome Bauer Aerosystems (Bauer significa agricultor em alemão), que está despontando por entregar soluções de monitoramento aéreo, inteligência e controle de cultivos agrícolas. 

A startup recebeu um investimento neste ano de cerca de R$ 2,7 milhões para aprimorar as tecnologias que buscam aumentar a eficiência, o conhecimento e a produtividade pelo agricultor. De acordo com o sócio da Agrize, Igor Luduwichack da Silva, a proposta foi criada quando ele ainda era universitário como parte de um projeto disciplinar e agora é utilizada por agricultores em lavouras de arroz, por exemplo. 

Segundo ele, o sistema consiste em registrar imagens multiespectrais por meio de sensores aéreos capazes de identificar pragas, deficiências nutricionais e outras variantes, além de possibilitar pulverização de forma precisa com o uso de drones. Fatores estes que podem potencializar e otimizar o manejo.

– Essas informações são de alto valor agregado para a tomada de decisão do produtor agrícola e o que temos visto e identificado junto deles é que todos têm essa necessidade e estão abertos a conhecer essas soluções tecnológicas. Temos no Estado diversas empresas com esse diferencial não só porque o agronegócio vai bem economicamente, como as perspectivas de futuro nos levam a encarar esse desafio. 

Por exemplo, a ONU afirma que no ano de 2050 a população mundial deve aumentar de sete para 10 bilhões de pessoas, enquanto a produção de alimentos terá de aumentar em 70%, por isso acreditamos que a tecnologia e a inovação vão permitir com que se produza mais alimentos de forma sustentável e com menos recursos aplicados – avalia positivamente Luduwichack.


 

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