Sociedade Glória completa 90 anos e tenta manter viva a tradição do bolão em Joinville - A Notícia

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História09/07/2018 | 08h05Atualizada em 09/07/2018 | 08h05

Sociedade Glória completa 90 anos e tenta manter viva a tradição do bolão em Joinville

A principal prática esportiva da entidade é mantida há pelo menos 60 anos, depois da desativação do time de futebol

Sociedade Glória completa 90 anos e tenta manter viva a tradição do bolão em Joinville Salmo Duarte/A Notícia
Há equipes de bolão ativas desde os anos 1960 na Sociedade Glória Foto: Salmo Duarte / A Notícia

Com 90 anos de fundação completados nesta segunda-feira, a Sociedade Glória de Joinville, na zona Norte da cidade, ainda carrega em sua história parte da identidade que ajudou a erguer o mais populoso município catarinense: a colonização e a tradição alemã; seja nos bailes, na gastronomia e no esporte. E hoje, no dia do aniversário, principalmente movida pelo desejo de atletas que há mais de 30 anos frequentam suas canchas, a entidade luta para manter pulsante uma de suas atividades mais tradicionais, a do jogo de bolão.

O esporte foi trazido a Joinville por imigrantes no século 19, conforme mostra o registro de uma carta escrita em 1857 por moradores da Colônia Dona Francisca aos alemães e suíços. No Glória, é mantido há pelo menos 60 anos, sendo reconhecido como a principal prática esportiva disponível nas dependências da sociedade desde a década de 1970. A linha de frente veio depois da desativação do Glória Futebol Clube – ainda eternizado na memória dos joinvilenses mais antigos e responsável pela origem do seu legado quase centenário, em 9 de julho de 1928, no alto da rua 15 de Novembro.

— O Glória participava da 1ª e da 2ª divisões do futebol de Joinville até o fim dos anos de 1960. No entanto, em função de uma dificuldade financeira na época, parou com o futebol. Continuamos com o bolão, que teve suas primeiras canchas inauguradas em 1952 por famílias de imigrantes, e atualmente os filhos e netos dessa geração ainda estão aqui — comenta Rangel Eisenhut, presidente do clube.

Uma das responsáveis por manter essa tradição é Rosvita Hahn, presidente da Nó de Pinho, a primeira equipe de bolão formada na sociedade e ativa há 61 anos. Foi ali que Rosvita entrou para jogar na categoria mista com o marido há 50 anos e, desde então, frequenta semanalmente para se divertir com os amigos que fez ao longo dos anos de atividade.

— Os membros da Nó de Pinho se reúnem toda segunda-feira nas canchas, para se divertir e bater papo. Somos em dez casais, mas no auge chegou a ter uma média de 25. O difícil é a renovação, porque o jovem hoje tem outras prioridades e também tem o estigma de que bolão é esporte para velho — relata ela.

Bolão em busca de renovação

— O bolão não pode acabar.

Mais que uma sentença, a frase dita por Denis Lopes, que frequenta o bolão desde 1988, serve de motivação para os cerca de 130 atletas que treinam na Sociedade Glória. Eles destacam que o clube é o único que ainda consegue se manter forte e representar Joinville em competições externas nos últimos anos. No local, são mantidos oito grupos, todos com mais de 30 anos: Asa Branca, Glória, Joia, Leões, Nó de Pinho, Seleção, Primavera e 9 de Agosto.

Trata-se de realidade diferente das décadas passadas, quando mais de uma dezena de equipes dos clubes da cidade mantinha a prática e o campeonato citadino. Mas, mesmo com essa redução, os jogadores de bolão da cidade ainda ocupam posição de destaque no cenário nacional. No ano passado, por exemplo, o Glória levantou a taça de campeão brasileiro sênior de bolão masculino. A ideia é persistir nos bons resultados e usá-los como chamariz para as gerações mais jovens. Outra medida é a disponibilização de aulas gratuitas e em horários flexíveis para adultos e jovens acima dos 15 anos.

– Estamos tentando levantar o bolão na cidade, mas muitas pessoas demonstram interesse e não têm muitos horários disponíveis. Então, por meio dessa escolinha, por ter esses horários flexíveis, vamos ver se essa chama se acende novamente – afirma Rangel Eisenhut.

O amor à camisa também gera lobby em casa. Esse é o caso de Sonia Krueger, atleta da seleção de bolão do Glória, com 41 anos dedicados aos jogos.

– Vou seguir nas canchas enquanto conseguir jogar, porque é uma família. Eu, por exemplo, tenho dois filhos, um de 35 e outro de 29 anos, que são de uma geração que ainda conseguimos fazer com que alguns jovens se tornassem atletas. Os meus foram criados no bolão, mas o desafio é fazer com que os jovens de hoje também participem – diz.

Para quem quiser aprender, confira:

O QUÊ: escolinha de bolão – bola grande 23
ONDE: Sociedade Glória de Joinville (inscrições podem ser feitas no local)
QUANDO: horários flexíveis durante a semana
QUEM PODE PARTICIPAR: pessoas com 15 anos ou mais

 

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