Bailarinos formados em Joinville são contratados por companhias da Rússia e da Alemanha - A Notícia

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Cultura11/07/2018 | 10h51Atualizada em 11/07/2018 | 10h51

Bailarinos formados em Joinville são contratados por companhias da Rússia e da Alemanha

Seis jovens embarcarão em agosto para ealizar o sonho de viverem como bailarinos profissionais

Bailarinos formados em Joinville são contratados por companhias da Rússia e da Alemanha Salmo Duarte/A Notícia
Foto: Salmo Duarte / A Notícia

Quando agosto chegar, seis jovens moradores de Joinville embarcarão para o primeiro grande desafio da vida adulta. É um momento para o qual a vocação já começou a prepará-los na adolescência e que, provavelmente, os fará enfrentar outras vezes: deixar a zona de conforto para realizar o sonho de viverem como bailarinos profissionais. Eles, que tem entre 20 e 21 anos, foram contratados para companhias de dança da Rússia e da Alemanha, e chegam a Europa para iniciarem as temporadas de espetáculos em seus respectivos teatros. 

Enquanto isso, dedicam-se a preparar o corpo e aquietar o coração em seus últimos dias na Escola do Teatro Bolshoi no Brasil, onde passaram os últimos anos estudando para alcançar o diploma no curso técnico em dança clássica e no qual tiveram a primeira experiência profissional ao serem contratados pela Cia. Jovem Bolshoi Brasil. 

Em abril, Gabriel Lopes, Luanna Gondim, Maitê Nunes, Marcos Yago e Sayron Alves foram à cidade Perm, na Rússia, para participar de um dos mais importantes concursos internacionais de balé, a 15ª edição do Russian Open Ballet Competition, conhecido como "Arabesque". O primeiro desafio veio com o deslocamento até o país do balé em pleno ano de Copa do Mundo, quando os preços de passagens triplicaram. Semanas antes da viagem foram de mobilização para arrecadar fundos, com direito a sorteios de rifas. Esforço que foi recompensado. 

— Fomos para ser vistos. O objetivo não era chegar lá e pensar só no primeiro lugar, porque assim como a gente é bom tem gente boa em todo lugar do mundo, e acho que fomos muito felizes nisso — afirma Marcos. 

Apesar do país estrangeiro, um rosto conhecido se destacava nos dias do Russian Open Ballet Competition: Vladimir Vasiliev, diretor artístico do Balé Bolshoi de Moscou e eleito pela Unesco como "o bailarino do século 20", era o diretor de júri do concurso. Ele também é um dos principais responsáveis por Joinville ter uma filial que leva a marca Bolshoi no nome de sua escola e, por isso, visita a escola com frequência, colaborando no ensaio dos alunos e dos bailarinos da Cia. Jovem para as montagens dos grandes espetáculos da instituição. Tê-lo por perto, no entanto, não tranquilizou muito os jovens na hora da competição. 

— Acho que pelo fato de ele ser uma estrela, e de termos uma admiração muito grande por ele, nos deixou até mais nervosos. Havia a preocupação de não decepcionar, não estragar nossa reputação — analisa Luanna. 

Os jovens não decepcionaram e voltaram com premiações e o convite para os seis retornarem a cidade em agosto para integrarem a companhia de balé do Teatro de Ópera e Ballet de Perm. Enquanto não mudam para a Rússia, ensaiam com profissionais da companhia nas salas de aulas em que estudaram durante a adolescência: dois ensaiadores e dois bailarinos de Perm estão em Joinville neste período para que eles possam se preparar para suas estreias. Quando chegarem ao palco do Teatro de Perm para apresentar "Giselle", "O Lago dos Cisnes" e "O Corsário", farão história ao serem os primeiros bailarinos estrangeiros a dançarem na companhia de 150 anos. 

União para matar a saudade 

Mudar de vida não é novidade para nenhum destes jovens. Todos eles são naturais de outros Estados brasileiros e tiveram que deixar suas casas e famílias entre o fim da infância e o início da adolescência para morar em Joinville ao serem selecionados para a Escola do Teatro Bolshoi no Brasil. Eles se dividem entre a certeza de estarem mais preparados do que outros jovens de 20 anos para encarar o mundo e de se distanciar muito mais do que apenas algumas horas de distância dos pais e dos amigos. 

— Nós seremos como uma família, não teremos mais ninguém a recorrer só um ao outro — avalia Gabriel. 

Enquanto os cinco escolhidos para o Balé de Perm tem o conforto de fazer esta mudança juntos, Giovana Peres da Costa conta com outro antigo colega, o joinvilense Marco Vinicius, que também foi recém-contratado. Ela passou na audição para a Cia. Thuringer Staatsballet, em Gera, na Alemanha, para onde irão no fim do mês que vem. A conquista ocorreu depois de uma seletiva no Brasil e foi coroada pela dedicação de Giovana de, no início deste ano, viajar a Europa para participar de audições em diferentes companhias de balé. 

— Desde que entrei na Escola Bolshoi, há quatro anos, eu comecei a fazer economias para pagar essa viagem. Fiquei dois meses viajando para fazer testes — conta ela, que conseguiu uma vaga em uma companhia com foco no neoclássico, perfil semelhante ao que ela sonhava para sua carreira.


 

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