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Manifestação28/05/2018 | 16h38Atualizada em 28/05/2018 | 17h25

Revendedoras de Joinville estão sem gás de cozinha

Moradores procuraram os estabelecimentos nesta manhã, mas não encontraram o produto

Revendedoras de Joinville estão sem gás de cozinha Salmo Duarte/A Notícia
Foto: Salmo Duarte / A Notícia

Durante aproximadamente dez minutos, pelo menos 15 pessoas procuraram uma revendedora na esquina das ruas Inácio Bastos com a Urussanga, em Joinville, para tentar comprar gás de cozinha nesta manhã. A procura durante a segunda-feira foi motivada pela falta de distribuição do gás liquefeito de petróleo (GLP), que não é recebido nas revendedoras da cidade desde a última quarta-feira. Aos consumidores que foram até o local, uma placa fixada na parede dos estabelecimentos informava sobre a falta do produto. 

A mesma situação ocorria em pelo menos nove revendedoras da cidade que o Procon visitou na manhã desta segunda-feira. Os caminhões que abastecem a maioria dos revendedores do Estado vêm de Araucária, no Paraná, e de Canoas, no Rio Grande de Sul, segundo o Sindicato dos Revendedores Varejistas de Gás Liquefeito de Petróleo (Sinregás) dos municípios da Grande Florianópolis, Região Norte, Vale do Itajaí e Oeste catarinense. 

A paralisação nacional dos caminhoneiros chegou ao oitavo dia com bloqueios em pelo menos 26 pontos das estradas do Norte catarinense. Com as interdições nas estradas, os caminhões que abastecem as revendas não conseguem chegar ao destino final. 

— Os caminhões de gás estão parados em algumas barreiras. Assim como para sair das distribuidoras, no Paraná e no Rio Grande do Sul, eles também não conseguem — explica Jorge Magalhães de Oliveira, presidente executivo do Sinregás. 

 JOINVILLE,SC,BRASIL,28-05-2018.Greve dos caminhoneiros,falta de gás nas principais distribuidoras de gás de cozinha em Joinville.(Foto:Salmo Duarte/A Notícia)
Foto: Salmo Duarte / A Notícia

De acordo com o presidente, o sindicato está em contato constante com as distribuidoras e também com a Defesa Civil para verificar se existe a possibilidade de montar um comboio de caminhões com escolta para realizar o abastecimento. Porém, a situação dos revendedores ainda não está nos planos emergenciais, já que a durabilidade de consumo do gás de cozinha é maior do que a dos combustíveis, por exemplo, que também estão em falta no mercado. 

Já conforme o Sindigás, grevistas e forças policiais estão permitindo a passagem de caminhões com GLP granel para abastecer serviços essenciais, como hospitais, creches, escolas e presídios. Ainda de acordo com o sindicato, o setor de GLP trabalha com uma logística reversa, na qual é imprescindível o retorno dos botijões vazios às bases para serem engarrafados. 

O GLP segue uma regulamentação da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para ser estocado. O produto é dividido por classes e necessita de fornecimento constante, já que não pode ser armazenado em grandes quantidades nas revendas devido a sua periculosidade. Ainda conforme Jorge Magalhães, as grandes revendedoras do município estão desabastecidas, podendo existir  pequenos distribuidores espalhados pelos bairros que ainda possuam o produto. 

Por meio do telefone de atendimento ao público, a Ultragaz informa que Santa Catarina e outros Estados estão totalmente desabastecidos. Já no depósito da Liquigás, que fica no bairro Itinga, em Joinville, o estoque também está vazio porque não receberam novas unidades nos últimos dias e ainda não há previsão para a retomada da distribuição dos botijões.  

Consumidores usam criatividade 

— No sábado, eu já fiz o feijão para a minha família na lenha, em um disco de arado. Eu ainda tenho gás, mas bem pouquinho, então eu resolvi economizar — conta Amauri Borges, 57 anos, que procurou uma das revendedoras nesta manhã para comprar o GLP. 

Ainda que o gás na casa de Amauri não tenha acabado, ele foi pego de surpresa, já que o seu botijão está no fim. Ele precisou esperar receber o salário, nesta segunda-feira, para ir à busca do GLP, mas chegando às revendas não encontrou gás em local nenhum. O senhor chegou a ir a quatro estabelecimentos nesta manhã. Conforme Amauri, se não encontrar gás de cozinha, ele irá usar da criatividade para continuar fazendo o almoço e o jantar. 

— Vai ser mais ou menos como antigamente, que a gente precisava cozinhar usando lenha — brinca ele. 

JOINVILLE,SC,BRASIL,28-05-2018.Greve dos caminhoneiros,falta de gás nas principais distribuidoras de gás de cozinha em Joinville.Gás esta no vermelho.(Foto:Salmo Duarte/A Notícia)
Foto: Salmo Duarte / A Notícia

Assim como ele, Neusa Maria de Miranda, 66 anos, também estava à procura do gás de cozinha nesta manhã. Como ela possui uma espécie de reloginho no registro do botijão, e ele já está no vermelho, a senhora ficou alerta e resolveu procurar o produto. Neusa também está tentando economizar o gás para evitar que ele acabe antes do término da greve. De acordo com o marido dela, Alceu de Miranda, 75, mesmo com a falta de alguns produtos, os dois apoiam a manifestação dos caminhoneiros. 

— Acredito que muitos produtos, como os medicamentos, já estão em falta há muito mais tempo do que este período de greve, não é somente pela greve de caminhoneiros que faltam as coisas... Por isso, eu sou a favor dessa paralisação — argumenta Alceu. 

Já o empresário Mustafá Eter, de 55 anos, colocou o botijão no porta-malas do carro, mas não conseguiu comprar o produto. No momento em que encontrou a equipe de reportagem de "AN", ele já havia ido a três locais.  

Fora os consumidores domésticos, os restaurantes também estão sofrendo com a falta de GLP. Na manhã desta segunda, pelo menos dois restaurantes de fast-food fecharam as portas porque não havia o produto para fazer as refeições. 

Além do GLP, outros produtos também começam a ficar escassos em Joinville. Desde a última quinta-feira, produtos hortifrutigranjeiros e perecíveis não são reabastecidos nos supermercados. Já os postos de combustíveis não recebem gasolina e, nesta segunda-feira, não havia o produto em mais nenhum local da cidade.

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