Piangers: "Temos muitas ferramentas tecnológicas, mas pouca imaginação" - A Notícia

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Expogestão 201810/05/2018 | 07h18Atualizada em 10/05/2018 | 08h00

Piangers: "Temos muitas ferramentas tecnológicas, mas pouca imaginação"

O jornalista apresentará a última palestra desta edição da Expogestão nesta quinta-feira

Piangers: "Temos muitas ferramentas tecnológicas, mas pouca imaginação" Jefferson Botega/Agência RBS
Foto: Jefferson Botega / Agência RBS

As mudanças que a tecnologia estão provocando no mundo, na sociedade e nas relações de trabalho são o foco da conversa que o jornalista Marcos Piangers terá com os congressistas da Expogestão nesta quinta-feira. Ele é o último palestrante da edição de 2018 do evento e, com o A Notícia, falou sobre criatividade, educação e novas relações de trabalho.

Em um momento de crise financeira mundial, com desemprego e extinção de vários setores, como a criatividade pode ser uma ferramenta de sobrevivência?

Marcos Piangers: Vivemos um momento em que a automação está substituindo os postos de trabalho, o que é difícil porque fomos preparados para "ser robôs", para apenas apertar botões. Tolhemos a criatividade da criança desde que ela nasce; na escola há uma construção de que há apenas uma resposta certa. Os jovens chegam no mercado de trabalho totalmente destreinados e, agora, se deparam com um mundo em que tem que ser pró-ativo, tem que inventar. Está bem claro que precisamos estimulá-los para que consigam imaginar outros cenários. A inovação acontece a partir da geração de ferramentas mas ela depende do inconsciente coletivo, a capacidade tecnológica precisa estar ligada à capacidade de imaginação. No Brasil, o índice de empreendedores nunca foi tão alto e temos muitas ferramentas tecnológicas, mas ainda pouca imaginação. 

Você acha que a educação, tanto das crianças quanto nas universidades, está conseguindo alcançar a agilidade necessária para ensinar essas pessoas a viver neste novo mundo?

Piangers: O sistema educacional precisa ser redesenhado. Isso é claro, e não vai acontecer do dia para a noite, mas precisa começar. Minha filha de cinco anos já está tendo aula de filosofia na escola, enquanto a mais velha só começou aos 13 anos e ela já tinha uma dificuldade imensa de aceitar que não havia uma resposta certa, que ela deveria elaborar uma afirmação e pressupor que aquela era apenas uma das possíveis respostas. Ela já estava bloqueando a imaginação e é assim que as pessoas estão chegando ao mercado de trabalho, com a noção de que as coisas sempre foram do mesmo jeito e continuarão a ser. 

Como não perder a humanidade diante de uma tecnologia que nos torna tão solitários e utilizar esse conhecimento e a tecnologia para olhar ao redor e melhorar a sociedade?

Piangers: Para começar, precisamos diminuir o uso da tecnologia. Ela é maravilhosa e necessária, deve estar sempre evoluindo, mas todos os dias você pode tomar uma decisão de não usá-la. De sair a pé em vez de usar o carro, de desligar a TV. Então, em primeiro lugar, precisamos ter uma relação com a tecnologia de utilidade, e não começar a dormir mal porque passou a madrugada no celular. Em segundo lugar, a minha provocação é que as empresas de tecnologia desenvolvam sistemas mais humanos, com a criação de plataformas que não deseduquem ou viciem — e isso passa pela responsabilidade das empresas.

Qual é a importância de fazer parcerias e de pensar novos formatos de empresas?

Piangers: Temos uma dificuldade crônica de não conseguir enxergar o futuro de uma forma clara, e isso é natural. Há quatro anos, as pessoas diziam que o Uber nunca daria certo no Brasil porque aqui o 3G é ruim, porque a maioria das pessoas não usava cartão de crédito. Mas as coisas evoluem e as inovações chegam. Então precisamos falar sobre gig economy, sobre ter mais pessoas trabalhando para mais empresas. De dar autonomia para os funcionários fazerem seu próprio horário, de acordo com a própria produtividade, ou trabalhar em lugares que não são o escritório, e dedicarem pelo menos 20% do tempo para projetos paralelos. Que os funcionários possam aprender no trabalho, e que este trabalho tenha um propósito. Mas a maioria das pessoas não consegue entender que o futuro das profissões passa por caminhos que hoje não entendemos como parte das relações de trabalhos. 

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