Mãe autoriza doação de órgãos de filho morto em acidente e salva seis vidas em Joinville - A Notícia

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Saúde07/05/2018 | 07h15Atualizada em 07/05/2018 | 09h15

Mãe autoriza doação de órgãos de filho morto em acidente e salva seis vidas em Joinville

Número de recusas de famílias para doação é alto e um desafio a ser vencido

Mãe autoriza doação de órgãos de filho morto em acidente e salva seis vidas em Joinville Salmo Duarte/A Notícia
Marlise encontrou forças para fazer a doação dos órgãos do filho Márcio, que morreu após acidente de trânsito Foto: Salmo Duarte / A Notícia

O Hospital Municipal São José, de Joinville, liderou o número de doações de órgãos efetivadas após morte encefálica em Santa Catarina em 2017. A atitude de dizer sim vem de pessoas como a autônoma Marlise Sabka, moradora do bairro Costa e Silva. Em 16 de fevereiro de 2017 ela autorizou a doação dos órgãos do filho, o DJ Márcio Momo, de 31 anos. Ele teve morte cerebral confirmada dias após ser atropelado enquanto atravessava a avenida Santos Dumont, na saída de uma festa em uma casa de shows. Apesar da forte emoção com a notícia, partiu dela o ato de coragem em benefício do tratamento de outras pessoas.

– Naquele dia, ele estava fazendo exames para operar a cabeça e eu nunca imaginei que iria vir a pior notícia da minha vida, porque parecia que ele estava dormindo, não tinha um arranhão, não tinha mudado a cor, nem inchado, nada. A ficha não caía e fui amparada pela psicóloga. Aí só lembro que eu olhei bem de cantinho e disse ‘posso doar os órgãos dele?’ Eu falei! Sei que era o que ele queria —– confessa Marlise.

A pergunta de imediato, conforme ela, surpreendeu até mesmo a equipe médica, que esperou ter certeza da decisão para encaminhar os protocolos necessários à efetivação dele como doador. Momo faleceu às 18h05min de uma quinta-feira e às 8h do dia seguinte uma equipe do Hospital Albert Einstein, de São Paulo, estava no São José para fazer o procedimento. Passado um ano, a mãe lembra que se motivou a compartilhar a causa.

– Foram seis vidas que ele salvou. Então, para mim, é como se ele estivesse viajando. Ele morreu, mas deixou essa chance de viver para seis pessoas. Olha as filas que há, não é uma fila qualquer. A dor é enorme e jamais vou perdê-la, mas estou fazendo esse esforço para tentar me cuidar e ajudar outras pessoas. Então, acho que ele está orgulhoso de mim – diz Marlise.

Número de recusas ainda é desafio a ser vencido

Nem sempre as famílias se mostram empáticas à ideia. O receio e o desconhecimento do procedimento são apontados como alguns dos fatores determinantes para a não autorização para a doação dos órgãos de um ente com confirmação de morte cerebral. As taxas de recusa ainda são consideradas altas. De 39 entrevistas feitas com familiares para a possibilidade de autorização do procedimento pós-morte encefálica feitas no Hospital São José, 13 se recusaram a doar – mais de 30% dos eletivos.

O número é maior do que a média do Santa Isabel, de Blumenau, também com 39 entrevistas e nove recusas. Já no Estado, a negativa também é expressiva: das 454 entrevistas, houve 302 aceites e 152 recusas. Outros casos para a não doação ocorrem em menor escala.

Parte dos transplantes não se efetiva porque o paciente com diagnóstico de morte encefálica apresenta quadro muito instável e não chega a poder doar; outros têm contraindicação por alguma doença. Mas a maioria é formada justamente pelas recusas. E os motivos do “não” são variados, de acordo com o enfermeiro Ivonei Bittencourt.

– São famílias que pelo momento de dor não conseguem se decidir, alguns por tabus, pensando erroneamente que esses órgãos vão beneficiar apenas os ricos, o que não é verdade. O processo de doação no Brasil é muito transparente e tem uma lista muito bem gerenciada. É uma lista em que o mais grave vai receber se for compatível. Não tem qualquer favorecimento, nem comércio de órgãos — defende o enfermeiro.

Ele explica que para reduzir essa taxa de recusas, ações de conscientização são realizadas por meio de campanhas junto à população, entre os profissionais da área e também nas escolas e universidades. Bittencourt lembra ainda que é importante que a pessoa avise a família em vida sobre a intenção de ser doador.

– As nossas estatísticas são bem expressivas: o Brasil tem em torno de 34 mil pessoas esperando um órgão para transplante. O lado ruim disso é que todos os anos, desse quantitativo, uma média de duas mil pessoas morre na lista de espera porque o órgão não chegou a tempo. Então, o estímulo dessa atitude perante à sociedade é para salvar vidas, diminuir a lista de espera e dar uma nova chance para quem está em um momento tão crítico – diz.

Hospital São José de Joinville é destaque em doações de órgãos


 

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