Greve dos caminhoneiros causa impactos nas grandes indústrias de Joinville - A Notícia

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Paralisação25/05/2018 | 15h45Atualizada em 25/05/2018 | 19h40

Greve dos caminhoneiros causa impactos nas grandes indústrias de Joinville

Algumas pararam parte da linha de produção e outras se preparam para interromper os trabalhos

Greve dos caminhoneiros causa impactos nas grandes indústrias de Joinville Salmo Duarte/A Notícia
Linha de produção da Ciser sem operação nesta sexta-feira Foto: Salmo Duarte / A Notícia

A greve dos caminhoneiros começou a causar impactos nas grandes indústrias durante esta semana em Joinville. Algumas pararam parte da linha de produção e outras se preparam para interromper os trabalhos e dar férias para os empregados caso a situação não seja normalizada. O problema é que as empresas não têm como receber matéria-prima ou escoar a produção por causa da mobilização nas rodovias da região Norte do Estado.

Entidades como a Associação Empresarial de Joinville (Acij) e a Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc) estão preocupadas com a situação e cobram uma solução por parte do governo federal. Segundo elas, a economia do Estado perde com a greve, assim como a população e as indústrias.

De acordo com o presidente da Acij, Moacir Thomazi, as empresas vão parar toda a produção se a situação não for regularizada. Isso pode acarretar em problemas maiores, como multas pesadas por descumprimento de contratos de exportação, por exemplo.

- O empresário não tem como aumentar o seu estoque de matéria-prima. Primeiro porque precisa capital e segundo que ele precisa de espaço físico. Ainda que as empresas tivessem um estoque grande, ainda assim não conseguiriam escoar a produção - explica.

A Acij deve ter um balanço do prejuízo financeiro das empresas a partir de segunda-feira. No entanto, o vice-presidente da Fiesc, Mário Cezar de Aguiar, aponta que poderá haver impactos também na economia do país. Segundo ele, a baixa produção por falta de insumos e matéria-prima tem consequências para as indústrias e na arrecadação de tributos do Estado.

- O Brasil estava com sinais de retomada da economia e agora isso pode inibir esse crescimento - afirma.

Aguiar ainda alerta que as consequências da greve podem se prorrogar mesmo depois de acabar a paralisação. Isso porque levará um tempo para o reabastecimento das empresas e postos de gasolina. Para o diretor da Fiesc, o Governo Federal errou ao não se antecipar ao movimento dos caminhoneiros e agora precisa se sensibilizar para as questão da sociedade resolvendo a situação.

Discussão do modelo de transporte das empresas

Diante da greve dos caminhoneiros, os representantes das entidades empresariais defendem que o modelo de transporte de matéria-prima e escoamento da produção deveria ser rediscutido. Atualmente, quase dois terços do que se produz no Brasil é transportado pelo modal rodoviário. Para Thomazi, o caminho seria criar condições para que as ferrovias possam ser privatizadas e ampliadas.

- São soluções a médio prazo porque são investimentos altos. Hoje, o país está refém do transporte rodoviário e, enquanto isso não mudar, corre-se sempre esse risco (de greves pararem a produção) - aponta.

O vice-presidente da Fiesc também entende que a discussão do modelo é importante, mas sabe que seria uma solução a médio ou longo prazo. Segundo ele, o transporte por meio rodoviário foi o modelo adotado pelo país, mas atualmente apenas 16% do PIB é investido em infraestrutura.

- Não temos recursos o suficiente, não temos legislação que priorize a privatização ou a parceria público-privada. Então, teremos que manter esse modelo por muito tempo.

 ARAQUARI,SC,BRASIL,25-05-2018.Empresa como a Ciser já está com sua linha de produção parada por falta de insumos.(Foto:Salmo Duarte/A Notícia)
Linha de produção da Ciser sem funcionários nesta sexta-feiraFoto: Salmo Duarte / A Notícia

Empresas interrompem parte da produção

Algumas das maiores empresas de Joinville já estão sentindo os impactos da greve em seus setores de produção. Carlos Rodolfo Schneider, presidente da Ciser, maior fabricante de fixadores da América Latina, diz que a empresa se encontra dentro do quadro de indústrias que não estão conseguindo escoar os produtos e receber os insumos.

— Nós já estamos dando férias, já paramos as máquinas e não conseguimos expedir um caminhão de mercadoria nesta semana. Nossos clientes estão sofrendo com isso também porque tem gente que está parando linha de produção porque não está recebendo nossos produtos e de outros fabricantes — conta.

Segundo Schneider, caso a greve não acabe e a empresa precise parar o restante das máquinas, o faturamento da empresa será afetado e os funcionários terão de pegar férias em momentos que não estavam planejados.

A Embraco, maior fabricante mundial de compressores para refrigeração, anunciou que suspendeu temporariamente parte das operações nas duas unidades de Santa Catarina por não estar conseguindo receber a meteria-prima e escoar a produção. Os funcionários de alguns turnos foram dispensados. A indústria de medicamentos Catarinense Pharma, que está entre os principais laboratórios do país, tem linhas de produção paralisadas por falta de matéria prima.

Já a Schulz, maior fabricante de compressores de ar da América Latina, anunciou na sexta-feira que se não houver a normalização das entregas, as operações terão que ser suspensas a partir de segunda-feira. Isso porque o estoque de matéria-prima está no fim. A empresa também informou que não está conseguindo fazer as entregas para os clientes porque os caminhões também estão retidos nos bloqueios.

A GM informou por meio de nota que o movimento dos caminhoneiros está impactando o fluxo logístico em suas fábricas, com reflexo nas exportações. Com a falta de componentes, as linhas de produção começam a ser paralisadas e a empresa também está enfrentando dificuldades na distribuição de veículos à rede de concessionárias.

Na Tupy, líder global no mercado de blocos e cabeçotes de ferro para motores, até o período da manhã desta sexta-feira (25), não houve impactos relevantes nas atividades de manufatura. O volume produzido estava em conformidade com a programação da companhia. A distribuição aos clientes, no entanto, foi impactada pela paralisação dos caminhoneiros e consequente interdição das estradas e portos. A partir do período da tarde, houve  impactos em algumas fases intermediarias das linhas de produção. A companhia informou que desenvolveu plano de ação para mitigar o impacto aos seus clientes.

Na noite de quinta-feira, a Fiesc conseguiu na Justiça o direito de que as empresas associadas não sejam prejudicadas com a paralisação. Segundo o documento, os caminhões que abastecem essas empresas não devem ser parados nas rodovias. A decisão determinou ainda multa de R$ 1 mil para a Associação Brasileira de Caminhoneiros e Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos, em caso de descumprimento.

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