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Paralisação Nacional29/05/2018 | 17h08Atualizada em 30/05/2018 | 08h30

Falta de insumos força busca por alternativas na produção de alimentos em Joinville

Ausência de alimentos e de gás de cozinha provoca alterações em cardápios de escolas, restaurantes e racionalização na produção de panificadoras

Falta de insumos força busca por alternativas na produção de alimentos em Joinville Salmo Duarte/A Notícia
Em um restaurante há uma placa informando o fechamento no horário de almoço por falta de insumos Foto: Salmo Duarte / A Notícia

Um sinal agudo indica o início do recreio na Escola Municipal Professora Zulma do Rosário Miranda, no bairro Costa e Silva, na zona Norte de Joinville. Pouco a pouco, centenas de crianças e adolescentes se agrupam em frente ao balcão da cozinha da unidade para receber a merenda. As mãos de Claudete Dias, 61 anos, rapidamente distribuem a comida aos estudantes, mas o cardápio nesta terça precisou sair do planejado. A falta de gás de cozinha fez com que o prato quente do dia – sopa de feijão e verdura da horta – fosse modificado para bolachas, iogurte e maçãs.

— A nutricionista acompanha e orienta essas alterações, para que não se perca o valor nutricional, mas hoje já tem uma adaptação no cardápio justamente para não precisar do fogão — explica Gisele Cristine da Silva, da gerência de assistência ao educando.

Das 160 unidades da rede municipal, cinco escolas precisaram adaptar os cardápios, por causa da falta de gás, nesta terça-feira. A mudança segue as orientações de um profissional e busca não deixar os estudantes sem merenda. Somente na escola do Costa e Silva estudam cerca de 700 alunos do ensino fundamental – do 1º ao 9º ano.

 JOINVILLE,SC,BRASIL,25-08-2018.Greve dos Caminhoneiros.Impacto na economia da cidade.Falta de gás muda cardápio de escola..(Foto:salmo Duarte/A Notícia)
Claudete serve a merenda, que não era do dia ao cardápio, aos estudantes em uma escola do Costa e SilvaFoto: Salmo Duarte / A Notícia

Um botijão de gás na escola municipal dura aproximadamente 20 dias durante o verão e cerca de 10 no inverno. Isso porque, no tempo mais frio, comidas quentes são mais ofertadas aos estudantes e, assim, o produto dura menos tempo. A falta de gás nas cinco escolas ocorre como consequência da greve dos caminhoneiros. Os veículos que abastecem o município estão parados nos bloqueios, que já somam 27 pontos de rodovias estaduais e federais.

Segundo a Secretaria de Educação, já está sendo planejado o transporte de cerca de 50 botijões de gás para o município. A carga será transportada em dois caminhões escoltados que vêm do Paraná para Santa Catarina. O carregamento deve reabastecer as escolas que estão sem o GLP e também prevenir que outras escolas fiquem sem o gás.

– O município tem um contrato com uma empresa que fornece o gás e solicitamos a escolta para trazer este produto. A previsão é de que ele chegue até o final desta terça – explica o secretário de Educação, Roque Mattei.

Além das cinco escolas sem gás, outras unidades precisaram fazer pequenas alterações no cardápio porque a rede não recebeu verduras e legumes nesta semana. Uma das saídas encontradas pelas escolas foi utilizar a guarnição verde que é plantada pelos alunos na horta do colégio. Dali, já foram colhidos couve, alface e tomatinhos para a merenda. Fora as verduras, a horta da escola ainda oferece à cozinheira Claudete outros temperos para dar sabor à comida dos estudantes, como cebolinha, salsinha e cheiro-verde. 

Solidariedade para suprir falta de matéria-prima

 JOINVILLE,SC,BRASIL,25-08-2018.Greve dos Caminhoneiros.Impacto na economia da cidade.Restaurantes,Roberto Alves.(Foto:salmo Duarte/A Notícia)
Roberto Alves diminuiu as opções oferecidas no restaurante por falta de insumos Foto: Salmo Duarte / A Notícia

Roberto Alves é dono de um restaurante há 13 anos na cidade – seis na mesma localização, na rua Dona Francisca. Pela primeira vez neste período, ele encarou a necessidade de fechar o estabelecimento por falta de insumos básicos, como o gás de cozinha. Na noite de segunda, Beto – como é conhecido pelos amigos – foi pego pelo desânimo e estava com a ideia de não abrir as portas do comércio pela falta do produto, mas contou com a solidariedade de um amigo para mudar o panorama.

— Eu comentei com um conhecido que não ia abrir na terça, ele disse que tinha um botijão sobrando e que daria para mim. Em tempos de crise, é assim que temos que levar a vida, no bom senso... Ajudando um ao outro — comenta Roberto.

As revendas de gás de cozinha não recebem o produto desde a semana passada, segundo o Sinregás, quando o último carregamento do produto chegou a Joinville. Beto também apontou que tem pago mais caro no quilo de alguns alimentos, como a batata e o tomate, nesta última semana. Outros, como a cenoura, ele não encontra em mais nenhum fornecedor. Para se adaptar a este período, o proprietário precisou oferecer menos opções aos clientes – antes, eram sete tipos de saladas, agora são quatro, e as carnes reduziram de três para dois tipos.

Apesar da dificuldade de encontrar fornecedores, o proprietário conta que não irá aumentar o preço no restaurante. Segundo ele, muitos frequentadores são clientes antigos e que também tem faturado menos por causa da paralisação. Para Beto, “o senso de coletividade” deve permanecer até que o abastecimento volte ao normal. Em outro restaurante, no bairro Santo Antônio, há uma placa informando o fechamento do estabelecimento no horário de almoço por causa da falta de insumos.

Com o desabastecimento de alguns produtos nos supermercados, a Associação Catarinense de Supermercados (Acats) estuda, junto às grandes redes, uma redução do horário de atendimento nas principais cidades do Estado. A definição acontecerá após diversas reuniões ao longo da tarde desta terça-feira, 29, com representantes de supermercados de diferentes municípios catarinenses. A Acats também afirma que os supermercados continuam atendendo dentro do possível e mantendo os preços, inclusive com a limitação na quantidade para venda de produtos específicos.  

Falta de insumos diminui produção

 JOINVILLE,SC,BRASIL,25-08-2018.Greve dos Caminhoneiros.Impacto na economia da cidade.Falta de Pão.(Foto:salmo Duarte/A Notícia)
Foto: Salmo Duarte / A Notícia

Perto do restaurante de Beto, uma panificadora também tem racionalizado a produção para que os insumos durem mais tempo.  Segundo Elisabete Neumann, proprietária do estabelecimento, a fabricação dos produtos está em cerca de 40% da quantidade normal. Ela também tem comprado farinha de trigo e leite, por exemplo, de fornecedores não habituais e pago mais caro nos produtos, sem aumentar o preço de venda.  

A baixa produção pode ser percebida nos balcões e expositores da padaria. Onde antes havia fileiras de opções de pães e bolos, segundo Elizabete, agora há menos alternativas aos consumidores. Ela conta que irá continuar com o estabelecimento aberto até quando existirem insumos para a produção, já que muitas pessoas têm procurado a padaria porque não há mais pães nos grandes supermercados.  

A matéria-prima para fabricação de panifícios também é a preocupação da comerciante Adilma Bepler, dona de um mercado na rua Rui Barbosa. No local, não há produção destes alimentos, ela recebe esses produtos prontos ou congelados de fornecedores diariamente. Nesta terça, não houve a entrega de pães, e para os próximos dias ela não terá gás para assar o estoque que está congelado.

— Nós temos o mercado aqui há quase 40 anos, conhecemos todos os clientes, e eu nunca vi isso acontecer. Não tem carne e nem verduras... Até a gasolina para fazer as entregas, nós já não temos mais. Estamos sendo atingidos de um jeito ou de outro — lamenta a proprietária.

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