Alunos da UFSC reclamam da situação do trajeto na rua Dona Francisca em Joinville - A Notícia

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Infraestrutura01/05/2018 | 07h00Atualizada em 01/05/2018 | 08h01

Alunos da UFSC reclamam da situação do trajeto na rua Dona Francisca em Joinville

Buracos, ausência de ciclofaixa e sinalização apagada ao longo da rua Dona Francisca, em Joinville, são os alvos das queixas dos estudantes

Alunos da UFSC reclamam da situação do trajeto na rua Dona Francisca em Joinville Salmo Duarte/A Notícia
Foto: Salmo Duarte / A Notícia

A trepidação do guidão, entre uma pedalada e outra, demonstra a situação enfrentada por alguns estudantes da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) em Joinville durante o trajeto de casa até a faculdade. Para Ciro Friske Emidio, 20 anos, estudante de engenharia aeroespacial, chegar a salvo na faculdade tem sido desafio constante, já que os buracos, a falta de sinalização e a ausência de ciclofaixa tornam o caminho do ciclista um desafio. 

No início deste ano, a universidade mudou-se de endereço, obrigando os alunos a percorrer alguns quilômetros a mais para chegar ao local. A unidade saiu da rua Presidente Prudente de Moraes, no bairro Santo Antônio, para o condomínio empresarial Perini Business Park, situado rua Dona Francisca, no Distrito Industrial. Agora, entre um prédio e outro, são aproximadamente oito quilômetros de diferença. 

O aumento na distância não representaria um problema, conforme os alunos, se o caminho fosse regular e seguro. O estudante realiza o trajeto de casa, no bairro Iririú, até a faculdade de bicicleta – totalizando 20 quilômetros, entre ida e volta – e, antes da mudança, a bike já era o principal meio de transporte do jovem. 

Ainda que experiente, o aluno teme pela vida dele e dos outros estudantes ao fazer o trajeto até a faculdade. Diariamente, aproximadamente 150 estudantes pedalam até a UFSC. Ciro diz que já se envolveu em um pequeno acidente enquanto ia para a universidade. Além dele, há relato de outros estudantes que já sofreram acidentes e também de um professor. 

— É muito complicado. A gente teme muito pela nossa segurança, a situação da rua aqui está bem precária — defende o estudante. 

A rua Dona Francisca é líder no ranking de acidentes de trânsito neste ano em Joinville. Conforme levantamento realizado pelos Bombeiros Voluntários, até o final do mês de março, 26 ocorrências já haviam sido registradas – representando 4% de todos os 652 atendimentos feitos na cidade pela corporação até a data. Ainda segundo a pesquisa, os horários mais frequentes são as 16h e as 22h. 

A Prefeitura de Joinville foi questionada e informou, por meio de nota, que está elaborando um projeto de calçada compartilhada com ciclovia para facilitar o acesso do campus da UFSC, pela rua Dona Francisca. Como é um projeto que vai exigir também acordo com proprietários dos terrenos – a calçada é uma obrigação dos donos dos imóveis – será feita uma avaliação com os mesmos. Ainda não há previsão de instalação da estrutura.  

Falta de manutenção aumenta o risco

A péssima condição do trecho é o fator principal citado pelos estudantes como causador de acidentes. Segundo Ciro, os problemas que pedestres e ciclistas enfrentam para chegar à UFSC são a falta de um local adequado, seja ciclofaixa, ciclovia ou calçada compartilhada, sinalização horizontal e vertical apagada, há vários buracos, falta de roçada e asfalto no acostamento.  

— A pior parte começa depois da Döhler e vem até aqui (na universidade). Como o trajeto é no acostamento de barro, a bike derrapa muito. Além disso, os caminhões e ônibus andam em alta velocidade, colocando nossa vida em risco — conta Ciro.

O trecho a que o ciclista se refere começa na rua Arno Waldemar Döhler e vai até a UFSC – quase seis quilômetros de um trajeto total de 7,5 quilômetros. A sensação de insegurança é compartilhada pela estudante de engenharia mecatrônica Jéssica Medalha. Ela explica que, além da falta de manutenção, há outro fator que torna a rua muito perigosa: há tráfego intenso de veículos pesados, já que a rua dá acesso a muitas empresas e indústrias.

— Os motoristas são distraídos, não prestam atenção no ciclista, nem onde ele está e nem para onde ele vai. Às vezes, a gente precisa desviar de um buraco ou de um tapa-buraco, e ainda tem que se preocupar com os carros e caminhões — argumenta Jéssica, que percorre aproximadamente 12 quilômetros, entre ida e volta, para chegar à universidade.

 JOINVILLE,SC,BRASIL,26-04-2018.Estudantes da UFSC reclamam falta de estrutura da rua Dona Francisca.(Foto:Salmo Duarte/A Notícia)Indexador: Maykon Lammerhirt
Foto: Salmo Duarte / A Notícia

Preocupação gera debates

Atualmente, cerca de 150 estudantes transitam pela região de bicicleta. O Diretório Central dos Estudantes (DCE) realizou uma pesquisa e argumentou que, se houvesse uma rua adequada, o número chegaria a 300 ciclistas. É o caso de Patrícia Maehler de 20 anos, estudante de ciências da tecnologia, que deseja ir à universidade de bike, por ser mais econômico, mas não o faz por receio da mãe, que teme pela vida da filha.

Preocupada com a segurança dos alunos, a equipe do DCE convocou uma reunião com os governos municipal e estadual para conversar sobre o assunto. Segundo Patrícia, que também faz parte do movimento estudantil, o encontro ocorreu no início deste mês, com a Secretaria de Planejamento Urbano e Desenvolvimento Sustentável (Sepud) e com o Departamento Estadual de Infraestrutura (Deinfra).

Na ocasião, os estudantes foram informados de que já havia um projeto do município para construção de uma calçada no trecho, mas ainda sem prazo para acontecer. Para Patrícia, o poder público já deveria ter realizado um projeto na rua Dona Francisca,  já que, além dos estudantes, há alguns anos os trabalhadores vão para a região de bicicleta ou a pé, correndo o mesmo risco. 

— Nós não queremos ter que esperar algo mais grave acontecer, uma morte ou uma tragédia, para que voltem os olhos para cá — conclui a jovem.

Em 2007, com a expansão do parque industrial, a Prefeitura chegou a cogitar a duplicação de 5,6 mil metros da rua Dona Francisca. À época, havia emenda de mais de R$ 25 milhões para a duplicação. O que atravancou o projeto foi o dinheiro para as desapropriações, e a obra acabou sendo descartada, apesar do movimento empresarial.


 

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