Usuários se queixam de atendimento em unidades de saúde de Joinville - A Notícia

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Saúde22/03/2018 | 07h00Atualizada em 22/03/2018 | 07h00

Usuários se queixam de atendimento em unidades de saúde de Joinville

Duas décadas desde o começo da implantação da Estratégia Saúde da Família, atendimento ainda passa por ajustes no município

Usuários se queixam de atendimento em unidades de saúde de Joinville Salmo Duarte/A Notícia
Alexandrina espera médico para a filha no posto de saúde Foto: Salmo Duarte / A Notícia

Implantada há mais de duas décadas em Joinville, a Estratégia Saúde da Família (ESF) passou por reformulação e expandiu - chegou a 41 unidades básicas -, mas ainda enfrenta resistência de pacientes devido a problemas no modelo de atendimento à população. Há usuários do sistema que contam ter de esperar um mês por uma consulta porque o médico está em férias. Também há problemas com quem tem de correr de uma unidade para outra com uma criança com febre porque a informação é que não há como prestar o atendimento.

Foi a situação enfrentada neste ano pela dona de casa Alexandrina Torres Paes, 32 anos. Ela conta que precisou levar uma das filhas, febril, à unidade básica de saúde (UBS) do Fátima e lá soube que a menina deveria ser atendida no Hospital Infantil Dr. Jeser Amarante Faria. Como o marido trabalha em Araquari, Alexandrina precisou encontrar um local para deixar os outros dois filhos e embarcar em um ônibus com a filha doente até a região central. No local, foi orientada a retornar ao posto de saúde porque o hospital não poderia receber a criança.

- A gente tem que se desdobrar para dar um jeito e ainda ninguém quer atender - desabafa.

A diretora executiva da atenção primária à saúde da Secretaria de Saúde de Joinville, Marlene Bonow Oliveira, reconhece a indignação de Alexandrina. Ela afirma que o posto precisa tentar resolver a situação do paciente ou, em caso de ausência de um médico, encaminhar para outra unidade básica mais próxima antes de mandá-lo ao pronto-atendimento.

- A gente sabe o quanto é difícil para a mãe que tem de carregar as crianças e pegar um ônibus - isso quando ela tem passe - para conseguir atendimento - reconhece.

Marlene conta que a partir da próxima semana, para tentar resolver esse tipo de problema, as unidades da zona Sul da cidade receberão o Programa Melhor Acolher. O objetivo é fazer um treinamento com os profissionais de cada posto e orientá-los a que pacientes com problemas agudos sejam atendidos por qualquer equipe disponível na unidade. Algumas UBSs atualmente contam com mais de uma equipe da Estratégia Saúde da Família - cada uma com um grupo de moradores diferentes para atender.

- A gente reconhece que precisa ter isso bem alinhado para todas as unidades, de que o usuário deve ser sempre acolhido naquele local. Se ele chegou até lá, a situação deve ser preferencialmente resolvida, exceto situações em que precisa ser encaminhado a outro hospital - explica.

Falta de médicos apontada como problema

A dona de casa Vanuza Dias Cordeiro, 45 anos, é atendida na UBS Ulysses Guimarães, também na zona Sul da cidade. Para ela, o principal problema enfrentado é a constante falta de médicos que saem para fazer curso, deixando os pacientes sem médico por até três dias na semana. Também há problemas registrados quando há profissionais em férias nas unidades. Segundo ela, o horário de atendimento está melhor após a adoção da Estratégia Saúde da Família, mas havia mais médicos no modelo antigo de atendimento.

- Minha vizinha tem trombose e problemas do coração. Ela precisava de um médico e foi marcar uma consulta na semana passada. Conseguiu apenas para esta quinta-feira. Está tendo que esperar todo esse tempo - conta.

A diretora executiva da Atenção Primária à Saúde do município destaca que para a marcação de consultas é possível que as pessoas realmente precisem esperar algumas semanas. Isso porque a agenda do profissional tem que ser dividida entre o atendimento de pacientes de controle (idosos, hipertensos e diabéticos, por exemplo), consultas de retorno e os casos agudos que surgem todos os dias. Quem faz a avaliação dessa prioridade é uma enfermeira. 

- A enfermeira tem competência e todos os instrumentos para determinar quem deverá ser atendido primeiro - defende.

Marlene Bonow Oliveira explica que em caso de férias ou ausência dos médicos nas unidade básicas as consultas de retorno ou a pacientes sem urgência serão remarcadas para depois do retorno do profissional. Para atendimento de problemas agudos de emergência, há médicos de outras unidades que podem fazer hora extra na unidade quando há profissional em férias ou ainda existe a possibilidade de encaminhar o paciente à UBS mais próxima. Em último caso, ele será orientado a buscar um pronto-atendimento 24 horas.

Ela também salienta que há canais para reclamações de mau atendimento ou de problemas nas unidades. A população pode ligar para a ouvidoria do município no telefone 156 ou buscar o conselho local de saúde da UBS. Esse grupo reúne mensalmente representantes da comunidade e do governo municipal para discutir assuntos relacionados à unidade básica.

Modelo passa por mudanças

Em 2017, a Secretaria de Saúde conseguiu avançar com o modelo Estratégia Saúde da Família por toda zona Sul de Joinville. As unidades básicas da região contam com pelo menos uma equipe ESF para atender a população. Atualmente, 41 dos 57 postos de saúde do município têm o modelo de atendimento. Os números equivalem a 52,1% dos joinvilenses atendidos por 86 equipes da Estratégia.

Para este ano, a projeção da Prefeitura é avançar. Está prevista a instalação de 11 novas equipes em unidades da zona Leste da cidade, seis na região Oeste, mais três no Sul, uma no Norte e outra na região central. O plano do município é chegar a 100% de cobertura da estratégia da família em Joinville até 2035.

Cada equipe de ESF é composta, no mínimo, por um médico generalista, um enfermeiro, um técnico em enfermagem e quatro agentes comunitários. A cidade também inclui nesse parâmetro um agente administrativo que trabalha como recepcionista na unidade de saúde. O Ministério da Saúde recomenda que cada equipe atenda, no máximo, 4 mil habitantes, o que faz um único posto ter mais de uma equipe da estratégia.

No modelo ESF não existe mais as figuras do médico clínico geral, pediatra e ginecologista, que antes faziam parte da equipe dos postos de saúde. Hoje, eles são substituídos pelo médico generalista, que trabalha oito horas por dia - o clínico geral tinha contrato para apenas três horas. Crianças, adultos e idosos são atendidos sempre pelo generalista. Aqueles que precisarem de encaminhamento para especialistas também terão de passar por esse profissional. Segundo Marlene Bonow Oliveira, esse modelo proporciona mais tempo de atendimento dos profissionais, ajudando a criar um vínculo entre os médicos e os pacientes.

 

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