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Religião06/03/2018 | 11h05Atualizada em 06/03/2018 | 14h08

Padre Facchini teve uma vida dedicada a fazer o bem

Ele chegou a  Joinville em 1971 para trabalhar na catedral de Joinville com o Padre Bertino e deixa uma trajetória de quase 50 anos de ações pela comunidade

Padre Facchini teve uma vida dedicada a fazer o bem Divulgação/Arquivo Fundaçao Pe. Facchini
Foto: Divulgação / Arquivo Fundaçao Pe. Facchini

Padre Luiz Facchini viveu para servir e o fez até os últimos momentos da vida. Na manhã de segunda-feira, apesar de ainda estar se recuperando de um Acidente Vascular Cerebral (AVC) sofrido na semana passada que o fez permanecer por dois dias na UTI, ele visitou a cozinha comunitária da fundação que leva seu nome e almoçou com os funcionários antes de voltar para casa, para o cochilo que já fazia parte da rotina do religioso de 76 anos. Foi quando fechou os olhos pela última vez, deixando um legado de solidariedade e doação.

Facchini nasceu em Taió, cidade do Vale do Itajaí, em uma família com 12 irmãos. Os princípios de caridade já estavam presentes no berço: além dele, outros dois irmãos optaram por seguir a carreira religiosa. Estudou teologia em Curitiba, no Paraná e concluiu os estudos em Fribourg, na Suíça, sempre dividindo a formação com trabalhos - na Suíça, foi ajudante de pedreiro. Lá, foi ordenado sacerdote em outubro de 1969, aos 27 anos.

Chegou a Joinville em 1971 para trabalhar na catedral de Joinville, com o Padre Bertino. No ano seguinte, assumiu a Coordenação Diocesana de Pastoral, cargo que exerceu até 1975 e o permitiu acompanhar todas as mudanças da igreja, especialmente o Concílio Vaticano II.

Em 1975, criou a comunidade Cristo Ressuscitado ao lado do irmão, João. Permaneceu na Paróquia Cristo Ressuscitado por 24 anos e, em seguida, criou a Paróquia Nossa Senhora de Belém, no Bairro Escolinha. Defensor da Teologia da Libertação - vertente que defende uma Igreja sem hierarquia e voltada ao cuidado dos pobres -, ele chegou a enfrentar perseguições políticas.

- Ele foi cassado pelo regime militar por causa de sua visão progressista. Também ajudou a fundar o Centro de Direitos Humanos, que foi o terceiro do País - conta o sobrinho, Tiarajú Facchini.

Em 1994, quando completou 25 anos de sacerdócio, Facchini montou a Fundação Pauli-Maudi, que, em 2009, tornaria-se a Fundação Pe. Luiz Facchini - Pró Solidariedade e Vida. O projeto tinha como objetivo principal a implantação das Cozinhas Comunitárias nos 19 focos de fome que o religioso identificou em Joinville. Durante muito tempo, foram mantidas 30 cozinhas comunitárias na região Norte de Santa Catarina, atendendo mais de 4 mil crianças diariamente.

- Nos anos 2000, Lula esteve em Joinville e conheceu as cozinhas comunitárias do projeto. Depois, expandiu o modelo pelo Brasil em pelo menos 500 unidades - recorda Tiarajú.

Atualmente, a fundação possui dois núcleos, com o programa Cidadão do Futuro, que oferece atividades esportivas, artísticas e de cidadania no contraturno escolar para 200 crianças e adolescentes; e com a Cozinha Comunitária, que atende 150 crianças. Para Facchini, deixar uma criança passar fome era o mesmo que ferir a dignidade humana.

- Ele sempre dizia: 'Se morrer de fome é a maior miséria humana, deixar alguém morrer de fome é a maior miséria espiritual' - cita o sobrinho.

Para Alcides Porcincula Junior, 30 anos, a jornada de solidariedade do padre é uma inspiração constante para todas as pessoas que conviveram com ele à frente durante os anos de trabalho na fundação. Alcides é coordenador do Projeto Cidadão do Futuro e conta que, mesmo não fazendo mais parte da administração, Facchini estava presente no conselho curador e também realizando palestras para as crianças do projeto. A Fundação Padre Luiz Facchini, atualmente, possui uma diretoria que tem o papel de dar seguimento às atividades comunitárias.

- A figura do padre representava uma perspectiva de uma sociedade mais justa, mais solidária e mais humana.Ele tinha muito esse entendimento de solidariedade e igualdade, um homem que se abdicou de seus bens para dedicar à vida ao próximo - avalia Alcides.

CONHECIDO PELA FORÇA

Ao partir, na tarde desta segunda-feira, Facchini deixa uma cidade inteira em luto, mas, principalmente, uma família que o conhecia também pela força, pelas palavras de paz e pelo quanto gostava de pescar - ainda mais quando eram garopas. Deixa também um filho adotivo, de oito anos.

- Meu tio tinha o coração gigante. Tirava de si para dar para os outros. Mesmo quando passávamos dificuldades para manter a fundação, ele dizia 'Deus Proverá', e as coisas acabavam dando certo - diz Tiarajú. 

O velório está ocorrendo na Paróquia Cristo Ressuscitado, na rua dos Guararapes, 100, no bairro Floresta, zona Sul de Joinville.  Às 15 horas haverá um cortejo do local até a Catedral de Joinville, no Centro. Às 16 horas, haverá uma missa de corpo presente na Catedral e, em seguida, o sepultamento na cripta da Catedral.   

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