Integrantes de ONG sonham reconstruir história do CEI Padre Carlos, em Joinville - A Notícia

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Comunidade22/12/2017 | 06h00Atualizada em 22/12/2017 | 06h00

Integrantes de ONG sonham reconstruir história do CEI Padre Carlos, em Joinville

A associação que atua com pessoas com Síndrome de Down ganhou concessão de uso do prédio abandonado na área central da cidade

Integrantes de ONG sonham reconstruir história do CEI Padre Carlos, em Joinville Salmo Duarte/A Notícia
A escola foi desativada no fim de 2009 e está sem utilização e sem manutenção desde então Foto: Salmo Duarte / A Notícia

É com o otimismo de quem já passou por muitas dificuldades nas últimas três décadas que a Associação Universo Down encara um novo desafio. Nesta semana, a Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) aprovou o pedido de concessão de uso do imóvel do antigo Centro de Educação Infantil Padre Carlos, no Centro de Joinville, para que a ONG utilize o local para o desenvolvimento de suas atividades com crianças, adolescentes e adultos com Síndrome de Down. O

prédio, que foi desativado no fim de 2009 após ser interditado pela Vigilância Sanitária, nunca mais passou por manutenção. Foi vandalizado e até incendiado e tem seu custo de reforma avaliado em mais de 1,5 milhão. Mesmo assim, para a vice-presidente da Associação Universo Down, Adriana Deyna, a concessão de uso é encarada como um presente de Deus.

— Não vejo estes problemas como um empecilho. Quando é para ser, não medimos esforços nem preços — avalia ela. 

Na noite de quinta-feira, uma reunião da diretoria da ONG ocorreu para definir os primeiros passos para começar a revitalização do prédio, localizado na esquina das ruas Ministro Calógeras e Conselheiro Mafra. Desde que a Agência de Desenvolvimento Regional (ADR) sinalizou que havia esta possibilidade, em setembro, os funcionários, voluntários e familiares dos alunos já pensavam em como arrecadar os recursos necessários para esta obra. Como a ADR já possuía um projeto de reforma, a ideia é que este seja apenas adaptadado às necessidades da ONG, trabalho que também será realizado de forma voluntária por uma arquiteta que tem a irmã entre os usuários atendidos pela Universo Down. Depois, um projeto será enviado à empresas da cidade para buscar possíveis patrocinadores.

— Também pensamos em promover uma mobilização na cidade para buscar recursos. Nós visitamos o prédio e ele tem uma energia fantástica. Queremos continuar a história linda que ele tem com a cidade — afirma Adriana. 

Fundada em 1990, a Associação Universo Down funciona em uma sede alugada no bairro Bucarein. O local está pequenos para os 70 alunos atendidos pela ONG, que oferece serviços como terapia ocupacional, fonoaudiologia, neuropsicopedagogia e atividades artísticas e pedagógicas. Além disso, apresenta problemas estruturais que, às vezes, faz com que os alunos tenham que ser dispensados. A ONG atuamente conta com R$ 8.049 mensais de um convênio com a Secretaria de Assistência Social e R$ 1.000 doados por uma empresa local para pagar R$ 1.540 de aluguel, custos fixos e pagamento de funcionários.

*** Fabrizio Motta - CEI Padre Carlos *** O CEI Padre Carlos está fechado devido o empasse da municipalização do ensino infantil.
Como era o local em 2009, antes do fechamentoFoto: Fabrizio Motta / Agencia RBS

Parte de uma história feliz

Entre as famílias dos alunos, há mães que foram professoras do CEI Padre Carlos e jovens que estudaram no "jardim de infância", a única unidade pública de educação infantil do bairro Centro. Débora Casas Krueger é uma delas: ela iniciou a carreira de professora lá, em 1980, permaneceu na escola por quase 20 anos e retornou pouco antes do encerramento das atividades.

— Nós professoras tentávamos mexer na escola, evitar que ela fosse fechada. Por isso, foi com muito tristeza que vimos, nos últimos anos, que ela foi abandonada — conta Débora. 

O filho dela, Filipe, 18 anos, frequenta a Associação Universo Down desde os primeiros meses de vida. Ela recebeu um folder da ONG ainda na maternidade, como indicação de local de referência. Agora, o jovem faz aulas de teatro uma vez por semana e, em breve, poderá ir para uma estrutura que, um dia, foi considerada pela mãe como "parte de casa".

— Quando soube que podíamos levar a ONG para lá, foi um choque. O CEI Padre Carlos fez parte da minha história, e foi uma história muito feliz — recorda ela. 

Foto:


 

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