Baixo repasse pode afetar futuro do Centrinho em Joinville  - A Notícia

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Saúde13/11/2017 | 09h21Atualizada em 13/11/2017 | 09h21

Baixo repasse pode afetar futuro do Centrinho em Joinville 

Referência em SC  no atendimento da fissura labiopalatal, instituição tem 86% dos pacientes de fora da cidade e precisa que governo do Estado aumente o teto de recursos

Baixo repasse pode afetar futuro do Centrinho em Joinville  Salmo Duarte/A Notícia
Apesar da preocupação, ainda não houve interrupção o atendimento fornecidos aos pacientes do Centrinho Foto: Salmo Duarte / A Notícia

O Centrinho Prefeito Luiz Gomes é referência no atendimento e tratamento de pacientes com fissura labiopalatina e atende a pessoas de todo o Estado há 27 anos em Joinville. Apesar de ser elogiada pelos pacientes pela qualidade do serviço oferecido, a unidade administrada pela Prefeitura é motivo de preocupação do município por causa do alto custo de manutenção. A cobrança é para que o governo do Estado aumente o repasse mensal, já que 86% dos novos pacientes registrados neste ano são de fora da cidade. Segundo a Prefeitura, o número é praticamente o mesmo dos anos anteriores.

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Atualmente, o Centrinho tem um custo de R$ 500 mil por mês, em média, mas a Secretaria de Estado da Saúde repassa apenas R$ 50 mil (10% desse valor) para o município para manutenção do atendimento aos pacientes com fissura labiopalatina. Outros R$ 7 mil (1,4%), em média, são repassados pelo Governo Federal mensalmente.

Segundo a gerente dos serviços especiais da Secretaria de Saúde de Joinville, Cinthia Friedrich, o repasse do Estado já aumentou no ano passado, saindo de R$ 10 mil para R$ 50 mil. No entanto, ela defende que ainda não é o suficiente, já que desde janeiro a unidade recebeu 131 pacientes de casos novos, sendo apenas 18 moradores de Joinville. Cada paciente que chega ao Centrinho permanece no serviço por cerca de 20 anos, com consultas mensais com a equipe de multiprofissionais no primeiro ano de tratamento.

– Por enquanto, não há sinalização para um aumento do repasse. Joinville não está propondo que aumentem os gastos do Estado, mas um remanejamento de teto – explica.

Município quer repasse mais proporcional aos atendimentos prestados

O pedido do município é de que o Estado faça o repasse proporcional para arcar com o serviço oferecido aos usuários atendidos de fora da cidade. Ou seja, o valor seria de aproximadamente R$ 450 mil por mês. Até o fechamento desta edição, a Secretaria Estadual de Saúde não havia respondido aos questionamentos da reportagem sobre a possibilidade de incremento no valor do repasse.

Mesmo com o valor reduzido repassado pelo Estado, a Prefeitura afirma que em todo o ano de 2017 não houve interrupção de oferta de vagas para o Centrinho. Segundo Cinthia, o município não está avaliando neste momento restringir o atendimento porque espera que o governo estadual atenda à reivindicação. Ela afirma que a intenção não é tomar uma medida drástica, apesar de precisar de recursos maiores.

Ainda de acordo com a Prefeitura, a grande dificuldade que o usuário tem encontrado é a inexistência de ajuda de custo e de transporte para pacientes de outras cidades. O motivo seria a dificuldade financeira dos municípios, que estaria interferindo no acesso ao serviço e prejudicando o início do tratamento.

 JOINVILLE,SC,BRASIL,10-11-2017.Centrinho Prefeito Luiz Gomes, de Joinville.Lorena Diniz Brammer e Pamela Diniz Brammero.(Foto:Salmo Duarte/A Notícia)
Leandro, de Canoinhas, vem mensalmente ao Centrinho para ser atendido. A mãe, Dalila, elogia o serviço prestado Foto: Salmo Duarte / A Notícia

Pacientes e familiares elogiam serviço oferecido no Centrinho Luiz Gomes

A dona de casa Dalila de Lima, 43 anos, viaja de seis em seis meses de Canoinhas até Joinville para o filho Leandro, de 11 anos, se consultar com os especialistas no Centrinho. Ela recebe ajuda da Prefeitura da cidade do Planalto Norte, que paga as passagens de ônibus para os dois conseguirem se deslocar até a unidade. O tratamento ocorre desde o nascimento do garoto, quando a fissura labiopalatal foi diagnosticada.

Atualmente, Leandro está tratando dos dentes porque precisa realizar um procedimento no osso da região. Em seguida, fará cirurgia no nariz e nos lábios. A mãe e o filho já sabem que o tratamento vai se prolongar por mais dez anos, segundo os especialistas. De acordo com Dalila, o tratamento e o atendimento sempre foi de qualidade.

– É muito bom e nunca tive reclamações daqui. Quantas vezes eu vim com essa criança quando era pequena e não tinha condição nenhuma. Eles davam comida e cuidavam de nós – conta.

Luana Ferreira, 18 anos, é outra paciente que sai de outra cidade distante para fazer tratamento na unidade joinvilense. Desde bebê ela precisa viajar de Curitibanos até o Norte do Estado com frequência. São três horas de viagem para chegar até o Centrinho, com uma van ou carro disponibilizado pela prefeitura da cidade de origem. Ela já passou por seis cirurgias e agora tem consultas regulares com o dentista. Segundo o pai, Odenilson de Paiva, 37 anos, o serviço é muito bem qualificado e tem bom atendimento.

Quem é da cidade e precisa do tratamento no Centrinho também faz elogios ao serviço disponibilizado pela unidade. A cabeleireira Barbara Krelling, 37 anos, descobriu durante a gestação que o filho Victor, três anos, tinha a fissura labiopalatal. Desde o nascimento, o tratamento iniciou e continua até hoje. A mãe diz que o serviço é muito bom e, se não tivesse essa opção teria que viajar para São Paulo para realizar as consultas e cirurgias do filho.

A dentista Lorena Diniz Brammer, 37, descobriu que a filha Pamela tinha a fissura nos lábios ainda na gestação. Assim que a menina nasceu, o tratamento foi iniciado. Aos quatro meses, a menina foi operada e hoje, aos quatro anos, ainda faz consultas para acompanhar o desenvolvimento.

– A recuperação dela foi ótima e toda a atenção que as pessoas dão aqui é fora do comum. A gente têm um preconceito com o atendimento do SUS, mas aqui é com certeza melhor do que em uma clínica particular – defende.

 JOINVILLE,SC,BRASIL,10-11-2017.Centrinho Prefeito Luiz Gomes, de Joinville.Lorena Diniz Brammer e Pamela Diniz Brammero.(Foto:Salmo Duarte/A Notícia)
Desde os quatro meses em tratamento no Centrinho, Pamela tem seu desenvolvimento acompanhado de perto Foto: Salmo Duarte / A Notícia

Mudança no sistema de atendimento também preocupa

Outra preocupação do município é sobre as possíveis consequências da mudança em relação à exigência do Estado em regular a fila de espera em todas as unidades de saúde de Santa Catarina. Com a mudança, a marcação de consultas, atualmente feita pelo paciente diretamente com o Centrinho, terá que ser incluída por um sistema federal. A alteração é para que haja mais transparência sobre as filas no sistema público, com previsão da Prefeitura de que seja implantada em dezembro.

Apesar de não ter filas de espera para o atendimento, o Centrinho também terá que realizar a mudança. A unidade vai colocar no sistema a quantidade de vagas de entrada disponíveis e os agendamentos de consultas ou cirurgias deverão ser lançados pelos municípios de origem do paciente. A Secretaria de Saúde de Joinville avaliará as prioridades de cada caso e fará os agendamentos.

Uma das preocupações do município é a questão do direcionamento dos pacientes de acordo com as pactuações dos municípios. Hoje há centros de referência no tratamento de fissura labiopalatal em Joinville e Florianópolis. A Prefeitura ainda não sabe para qual cidade serão encaminhados os atuais pacientes e os novos que ainda chegarão ao sistema, a partir das mudanças exigidas pelo Estado.

O segundo problema pode ser o tempo desperdiçado com a inclusão de todos os processos no sistema. Isso porque, atualmente, por exemplo, as cirurgias realizadas na unidade têm monitoramento acompanhado pelos profissionais, que sabem se o paciente está preparado para o procedimento ou se há algum problema impedindo a imediata realização da cirurgia.

– Se o profissional sabe que o paciente está com gripe e a cirurgia vai ser cancelada, já insere outro no lugar. Agora, será um sistema que vai “puxar” e essa é a preocupação. Esse paciente que vai ser “puxado” pode não estar com todos os exames prontos, por exemplo – explica Cinthia. 


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