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Educação08/09/2017 | 20h43Atualizada em 08/09/2017 | 21h53

Os desafios da implantação do ensino médio integral em Joinville

Com a esperança de  melhorar o desempenho educacional dos jovens, ensino médio integral em Joinville ainda esbarra em situações como a realidade social ou a falta de estrutura e recursos tecnológicos

Os desafios da implantação do ensino médio integral em Joinville Maykon Lammerhirt/A Notícia
Foto: Maykon Lammerhirt / A Notícia

Em discussão desde que a lei 13.415, de 16 de fevereiro, permitiu sua reforma, o ensino médio começa a passar pela maior mudança estrutural da educação no Brasil das últimas duas décadas, não só em relação ao currículo, mas também à criação de uma política de fomento à implementação de escolas de ensino médio em tempo integral na rede pública. Os dois aspectos, no entanto, ainda não estão bem definidos, dependendo da nova versão da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) para esta etapa de ensino, ainda em discussão. 

Mas em Joinville já existem alternativas em execução desde o início do ano que podem apontar os melhores caminhos para que a etapa, considerada a mais problemática da educação básica, receba um formato que garanta melhores resultados na educação dos jovens. A reforma do ensino médio prevê a alteração do programa de ensino, com possibilidade de escolha das disciplinas a partir do interesse do aluno pela área de conhecimento e aumento da carga horária, além da adoção gradual do período integral pelas escolas públicas. 

Ricardo Falzetta, que atua como consultor do Movimento Todos pela Educação, organização que monitora a situação da educação básica e o cumprimento das metas do Plano Nacional de Educação (PNE), chama atenção para a possibilidade de aumento da desigualdade social se as mudanças não forem organizadas a partir de um projeto eficaz, que realmente possa ser colocado em prática em todas as escolas, de todas as regiões do País.

257 alunos de Joinville começam a cursar ensino médio integral

— Famílias com faixa de renda mais alta podem apoiar seus filhos a estudarem em período integral, mas, se não olharem o sistema como um todo, este programa corre o risco de afastar justamente a comunidade que mais precisa. Se estivéssemos em uma sociedade com mais igualdade, este não seria um problema — avalia Ricardo.

Em Joinville, já houve sinais que exemplificam como a desigualdade social pode ser um impedimento da ampliação da carga horária e da implantação do tempo integral no ensino médio: a Escola de Educação Básica Senador Rodrigo Lobo, no bairro Jardim Sofia, havia entrado na lista de instituições que ofereceriam Ensino Médio Integral a partir de 2017. No entanto, a baixa adesão dos estudantes – apenas 32 matriculados quando fevereiro começou, enquanto as outras escolas tem entre três e quatro turmas de 30 alunos – obrigou a direção a mudar os planos e voltar ao programa antigo para poder continuar atendendo a comunidade da região.

Na época, os jovens argumentaram com a escola que não poderiam estudar nos dois turnos porque que precisavam trabalhar.Atualmente, 23 escolas de Joinville ainda oferecem ensino médio noturno, totalizando 3.903 estudantes neste período. Nas escolas Annes Gualberto e Presidente Médici, que ainda oferecem o segundo ciclo do ensino fundamental, boa parte dos alunos que, ao concluírem o nono ano, optaram pelo noturno, relatou que precisava ter o dia livre para trabalhar ou para ajudar em outras atividades em casa, como cuidar de irmãos mais novos.

— Alguns confessaram que realmente não gostam de estudar e por isso não queriam ficar no integral. Mas a maioria é porque precisa trabalhar, em alguns casos até para ajudar a pagar o aluguel da casa — conta a coordenadora do programa de EMI do Presidente Médici, Andréia Evaristo.

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Ainda é cedo para avaliar

Escola Annes Gualberto criou um ambiente diferenciado de interação para estimular o autoconhecimento Foto: Maykon Lammerhirt / A Notícia

Em 2017, 15 escolas de Santa Catarina ingressaram em um programa de ensino médio em tempo integral (EMI), possível a partir de uma parceria do Instituto Ayrton Senna e do Instituto Natura com o governo do Estado. Duas delas são de Joinville: a Escola de Educação Básica Eng.º Annes Gualberto, no bairro Iririú; e a Escola de Educação Básica Pres. Médici, no Boa Vista. Neste ano, também foram abertas as primeiras turmas do ensino médio integrado à educação profissional (EMIEP) na rede pública da cidade, no Centro de Educação Profissional Dario Salles, no bairro Itaum, por meio do investimento do governo federal.

Nos dois programas, os estudantes passam boa parte do dia dentro da escola: são cerca de dez horas diárias, nas quais são distribuídas as disciplinas comuns ao ensino regular e as novas matérias de cada proposta. No ensino médio integral, as disciplinas tradicionais são divididas nas quatro áreas de conhecimento (matemática, linguagens, ciências humanas e ciências da natureza), e ainda há três novas aulas: Projeto de Vida, Projeto de Intervenção e Pesquisa, e Estudos Orientados. Já no ensino médio profissionalizante, além das matérias do ensino regular, os alunos também fazem o curso técnico escolhido, entre automação industrial, recursos humanos e administração.

Aprendizagem

Ainda é cedo para uma avaliação mais concreta sobre os resultados, mas uma pesquisa do Instituto Ayrton Senna a partir do desempenho dos alunos do programa de ensino integral no Estado no primeiro bimestre verificou que a aprendizagem destas turmas em matemática foi 12% superior à de alunos do ensino regular, e 9% maior em língua portuguesa e literatura.

Essas matérias são o termômetro utilizado para verificar a aquisição de conhecimento pelo Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), para o qual havia a meta de, em 2015, os estudantes catarinenses já terem alcançado 46% (para matemática) e 51,7% (em português) de aproveitamento. Mas na prova daquele ano, os índices atingidos foram de 9,3% e 32,8%, respectivamente.

Para o ensino médio integrado à educação profissional, ainda não há índices para analisar o primeiro semestre das turmas. No entanto, já foi verificada a importância de um processo seletivo, nos moldes daqueles que ocorrem para o ensino médio técnico do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC). Como os cursos de Joinville só foram autorizados pelo Conselho Estadual de Educação em 21 de dezembro do ano passado, não houve tempo para outro tipo de classificação e os interessados foram admitidos por ordem de chegada, até que as turmas ficassem completas.


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