Ensino médio profissional tem a missão de capacitar alunos para o mercado de trabalho em Joinville - A Notícia

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Educação em Joinville08/09/2017 | 21h32Atualizada em 09/09/2017 | 12h49

Ensino médio profissional tem a missão de capacitar alunos para o mercado de trabalho em Joinville

Rotina com 21 matérias a cumprir e perfil vocacional são alguns dos desafios do Emiep, que avalia fazer seleções para entrada de alunos nos próximos anos

Ensino médio profissional tem a missão de capacitar alunos para o mercado de trabalho em Joinville Maykon Lammerhirt/A Notícia
Matheus Vieira Carlão (D) encara uma rotina corrida para cumprir as 21 disciplinas do ensino médio integrado à educação profissional Foto: Maykon Lammerhirt / A Notícia

De segunda a quinta-feira, Matheus Vieira Carlão, 16 anos, acorda às seis horas, sai do bairro Itinga, em Araquari, pega o ônibus, chega na escola às 8 horas e vai embora só no fim da tarde. Quando chega em casa, precisa dar conta de estudar e atender à demanda de atividades das 21 matérias do ensino médio integrado à educação profissional (Emiep), no qual cursa automação industrial. Não é raro dormir de madrugada para estudar tudo o que precisa.


— A rotina é um pouco corrida, mas eu estou tentando, porque vale muito a pena. Já saio daqui para o mercado de trabalho, além de também sair com a mente mais aberta. Depois que comecei o técnico, decidi que quero ir além da graduação e fazer mestrado um dia — conta Matheus.

Apesar do esforço, o adolescente anda um pouco frustrado. As notas não estão superando muito mais do que a média de aprovação, que é 6. E Matheus é um dos melhores alunos da turma de automação industrial, observa o coordenador do curso, Ronnan Fonseca Romero.

Oferecer o Emiep é uma conquista para Joinville, depois de cerca de dois anos do processo de implantação e de análises no Conselho Estadual de Educação. Era um pedido antigo da comunidade, afirma o diretor-geral do Centro de Educação Profissional (Cedup), Sérgio Ivan de Campos.

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Estrutura, laboratórios e corpo docente não eram um problema para o Cedup, principalmente depois que o governo federal disponibilizou orçamento para equipar os laboratórios dos centros de educação profissional para os programas do Pronatec e do MedioTec – neste último, alunos do 3º ano já podiam estudar nos cursos técnicos, mas precisam fazer o último ano do ensino médio em outras escolas. No entanto, conseguir com que os alunos alcancem bons resultados ainda representa um desafio a ser solucionado.

— Com o fim do primeiro semestre, já verificamos prováveis reprovações. Para o próximo ano, será necessário fazer uma seleção — afirma Sérgio.

No Emiep além das disciplinas tradicionais, os jovens têm aulas de dois idiomas, inglês e espanhol (a mesma oferta ocorre no ensino médio integral), e aulas do curso técnico escolhido. Quando chegam ao último ano, os estudantes de automação industrial têm estágio curricular obrigatório, possibilitando o primeiro contato com indústrias da cidade. Em administração e recursos humanos não há estágio, mas aulas práticas que simulam o dia a dia e as exigências das empresas.

— Muitos vêm porque os pais matricularam, com esta perspectiva de estarem bem preparados para o mercado de trabalho mais cedo. Há alunos que não têm perfil para os cursos nos quais ingressaram, mas são jovens demais para saber, para tomar esta decisão — avalia Sérgio.


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Modelo ainda precisa de ajustes

Karolina Marcelino (D), 15 anos, e Gabriela Borget, 15 anos alunas de Administração do ensino médio Integrado ao ensino profissionalizante, do Cedup. Ao fundo Claudio Anselmo, 15 anos, aluno de RH do ensino médio Integrado ao ensino profissionalizante, do Cedup Foto: Maykon Lammerhirt / A Notícia


O ideal para o programa de ensino médio que oferece formação técnica é que, nos períodos de folga – as tardes de quinta e sexta para os alunos de RH, e de sexta-feira para administração e automação industrial – eles pudessem ser contemplados com apoio educacional da mesma forma que ocorre com os estudantes do ensino médio em tempo integral. No entanto, seria necessário ampliar também a jornada de professores para acompanhá-los e desenvolverem estes programas de estudos.

Já nas escolas que estão oferecendo aulas no período integral, o problema é outro. Ao contrário de Cedup, faltam estrutura adequada e recursos tecnológicos para as matérias extras. Internet com wifi que contemple todos os espaços da escola, e não só o laboratório de informática, laboratórios equipados e espaços com conforto para os momentos de intervalo estão entre as principais demandas.

— Os professores têm que usar criatividade, fazer ¿vaquinha¿, pagar pelo material ou pedir ajuda da comunidade para suprir a falta de equipamentos — comenta a professora de biologia Angelina Thompson, que utiliza o laboratório para as aulas tradicionais e para pesquisas das novas disciplinas.



Preparação

Há demandas da EEB Eng.º Annes Gualberto e da EEB. Pres. Médici sendo atendidas pelo governo do Estado, mas haverá um longo caminho para que estas e outras escolas estejam preparadas e equipadas para atender aos seus alunos com excelência em jornadas mais longas e programas mais complexos.

Ao anunciar a reforma do ensino médio, o governo federal afirma que repassará R$ 1,5 bilhão para os Estados realizarem esta ampliação.Para Ricardo Falzetta, do Programa Todos pela Educação, um dos pontos críticos nas mudanças do ensino médio é colocá-las em execução sem que o novo sistema esteja bem definido e sem a certeza de que haverá disponibilidade de recursos financeiros para todos.

— Não adianta dar aulas em um período e colocar para fazer artes ou praticar esportes no outro sem nenhuma conexão com o projeto pedagógico, sem trabalhar a interdisciplinaridade, só para deixar o aluno mais tempo dentro da escola. Deve existir estrutura física e docentes disponíveis e, para isso, será necessário ampliar os recursos financeiros, situação que será dificultada com a ¿PEC do teto¿ — analisa Ricardo, referindo-se à PEC 241, que estabelece um teto para os gastos com os gastos públicos.


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