Em seis meses de ensino médio integral, maturidade e autoestima dos alunos cresceram, dizem professoras de Joinville - A Notícia

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Educação08/09/2017 | 21h03Atualizada em 08/09/2017 | 21h54

Em seis meses de ensino médio integral, maturidade e autoestima dos alunos cresceram, dizem professoras de Joinville

Segundo coordenadoras dos programas nas escolas Engenheiro Annes Gualberto e Presidente Médici, em Joinville, novo ensino médio integral também busca o desenvolvimento emocional e a maturidade dos jovens

Em seis meses de ensino médio integral, maturidade e autoestima dos alunos cresceram, dizem professoras de Joinville Maykon Lammerhirt/A Notícia
Aula de Projeto de Vida na Escola de Educação Básica Engenheiro Annes Gualberto Foto: Maykon Lammerhirt / A Notícia

Pallets e almofadas não faziam parte do material escolar do ensino médio até o ano passado na Escola de Educação Básica Engenheiro Annes Gualberto, no bairro Iririú, em Joinville. Eles foram transformados em sofás alternativos pelos próprios alunos que, agora, os utilizam em diferentes momentos do dia, em períodos de aula ou nos intervalos, e são uma ferramenta importante para a aula de Projeto de Vida. 

No dia em que a reportagem de ¿A Notícia¿ visitou a escola, um grupo de 11 adolescentes sentava confortavelmente nos pallets, sem a obrigação da postura ereta e das carteiras enfileiradas, enquanto discutiam diferentes assuntos com duas professoras que, naquele momento, assumiam o papel de orientadoras. Entre histórias de infância, confissões e risadas, o debate era encaminhado para a atividade do dia: elencar a matéria do ensino médio em que cada aluno sentia mais dificuldade e a que mais gostava de estudar.

Os desafios da implantação do ensino médio integral em Joinville

O mapeamento, além de fazê-los refletir e, com isso, elucidar os pontos a serem trabalhados para melhorar o aprendizado, também tinha o objetivo de promover o autoconhecimento. Oprograma do ensino médio com educação integral implantado em Santa Catarina no início deste ano tem este foco, o de garantir a educação efetiva aliada também ao desenvolvimento emocional e da maturidade dos jovens.

— Não adianta ter conhecimento se não estiverem preparados emocionalmente para utilizá-lo. Eles estão aprendendo a trabalhar de forma cooperativa, a serem líderes, a compreender os papéis dentro dos grupos — analisa a coordenadora do Ensino Médio Integral da EEB Eng.º Annes Gualberto, Rosana Salles.

A jornada é longa: são dez horas dentro da escola, exceto às quinta-feiras, quando a tarde é usada para os professores prepararem as aulas da semana. No início do ano, a maioria dos alunos assumiu aos professores que estavam cursando o período integral a mando dos pais, e não como uma escolha própria. 

De fevereiro a julho, houve transferências, tanto na Annes Gualberto quanto na Presidente Médici, para escolas de ensino regular. Alguns alunos, no entanto, já se arrependeram e pediram para voltar à escola e ao período integral.

— É uma rotina exaustiva e no início eles reclamavam, ficavam muito cansados. O primeiro ano sempre é um período difícil, porque as obrigações aumentam, mas percebemos que, com o período integral, a adaptação ao ensino médio, que levava o ano inteiro, agora demorou apenas um semestre — conta a coordenadora do programa de educação integral do Presidente Médici, Andréia Evaristo.

As experiências nas duas escolas levam professores e coordenadores a concordarem no mesmo ponto: em apenas seis meses, é perceptível como a maturidade e a autoestima dos estudantes evoluíram, em um processo muito mais rápido do que era assistido por estes profissionais até o ano passado – e que, por vezes, poderia nem acontecer.

O primeiro ano do ensino médio é visto como um divisor de águas na vida dos estudantes e é o momento em que ocorre a maioria das desistências, levando ao abandono escolar e à distorção idade-série – muitos decidem cursar o ensino de jovens e adultos, modalidade que não é avaliada pelo Ideb.

— Isso acontece porque chegam ao fim do primeiro semestre já reprovados em algumas matérias e não se sentem mais estimulados a continuar — lamenta Rosana.

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