Qualidade da água do Cachoeira atingiu nível aceitável e rio pode ser limpo até 2030, afirma pesquisa - A Notícia

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Meio Ambiente15/08/2017 | 07h30Atualizada em 15/08/2017 | 07h30

Qualidade da água do Cachoeira atingiu nível aceitável e rio pode ser limpo até 2030, afirma pesquisa

Ele chegou a ser considerado um dos rios mais poluídos do País 

Qualidade da água do Cachoeira atingiu nível aceitável e rio pode ser limpo até 2030, afirma pesquisa Salmo Duarte/Agencia RBS
O Cachoeira chegou a ser considerado um dos rios mais poluídos no País Foto: Salmo Duarte / Agencia RBS

Um rio com presença vida animal e até a opção de navegabilidade onde, até pouco tempo, havia algo semelhante a um esgoto à céu aberto, é o que espera-se para o futuro do Cachoeira, bacia hidrográfica mais conhecida de Joinville. Uma pesquisa de Thiago Zschornack, mestre em saúde e meio ambiente, a partir de análises da água do rio colhidas entre 2011 e 2015, demonstra que a qualidade da água está evoluindo e pode se assemelhar à de rios como o Cubatão e o Piraí — responsáveis pelo abastecimento da cidade - até 2030.

Segundo o estudo, a recuperação do rio que cruza a cidade e passa pela região Central está relacionada à implantação da rede de esgoto, que recomeçou na década passada e teve suas primeiras ligações entregues em 2011. Além disso, a rigidez da legislação sobre o sistema de tratamento de efluentes das indústrias também colabora para a despoluição do Cachoeira.

A pesquisa de Thiago, produzida para a dissertação do mestrado entre 2015 e 2016, utilizou o IQA (Índice de Qualidade de Água), um indicador internacional utilizado para avaliar o impacto dos esgotos domésticos nas águas utilizadas para abastecimento público em faixas de classificação de zero a cem. A partir de coletas em dez pontos diferentes pela extensão da bacia hidrográfica do Cachoeira (que tem 59,31 quilômetros), ele pode verificar que a média de classificação da qualidade da água subiu de 27, analisada em 2011, para 46 em 2015.

— Para se ter uma ideia, os rios Cubatão e Piraí, de onde tiramos água para o abastecimento, tem notas acima de 80. O Cachoeira quase dobrou. É claro que ainda está longe do ideal, mas, pelo menos, algo mudou — avalia Thiago.

Pelo Índice de Qualidade da Água, até 2011 o Cachoeira ainda encontrava-se na faixa de classificação considerada ruim (médias entre 20 e 36) e, agora, chegou ao nível considerado aceitável (com média até 51). Se considerar a evolução registrada nestes cinco anos, o pesquisador acredita que, nos próximos três ou quatro anos, a análise dos elementos do Cachoeira podem fazê-lo ultrapassar a nota 50 e alcançar o índice em que a água é considerada boa. E, até 2030, poderá atingir a faixa de classificação considerada ótima.

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Famoso por ser o "caminho" utilizado pelos imigrantes europeus ao chegarem à região para habitar a colônia, o rio Cachoeira é um entre os sete que banham o município, e é o menor deles: representa apenas 7,3% da área da cidade. No entanto, às suas margens concentra-se 49% da população, elevando sua importância.

O processo de poluição começou no fim dos anos 1930 e, até a metade do século passado, era um rio navegável, por onde havia até mesmo atividades de um clube de remo localizado em frente ao prédio atual da Prefeitura. O Cachoeira ficou mais parecido ao que é visto hoje entre os anos 1960 e 1970, já foi considerado um dos rios mais poluídos do País e o pior em qualidade de água de Santa Catarina — atualmente, não está mais nem na lista dos 100 piores do Brasil.

A pesquisa utilizou dados coletados pela Companhia Águas de Joinville, pela Secretaria do Meio Ambiente e do Comitê de Gerenciamento dos Recursos Hídricos da Bacia Hidrográfica do Cubatão do Norte (CCJ).

Esgotamento e conscientização popular

A pesquisa de Thiago contemplou a verificação da co-relação entre as obras da rede de esgoto e a melhoria da qualidade da água no Cachoeira. Isso porque, apesar de Joinville ter recebido os primeiros investimentos em esgoto em 1983, com a construção da Estação de Tratamento do Jarivatuba, não houve novas obras para ampliação do sistema de tratamento e, até 2011, a cobertura de esgotamento havia estacionado em apenas 14%.

Atualmente, a rede atende cerca de 31,5% — a média nos Estados do Sul do País é de 41,02%.

— Fui avaliando a qualidade da água à medida que foi ocorrendo a liberação (para conexão dos usuários à rede de esgoto). Consegui constatar que houve uma melhora do ponto de vista sanitário, da volta da vida ao rio, mas isso não quer dizer que não exista contaminação industrial ou que o rio esteja bom, longe disso — afirma Thiago.

Ele frisa a importância do investimento em esgoto, ainda que não pareça uma boa plataforma política e que os usuários considerem sua construção um transtorno à rotina e a conexão ao imóveis, muito cara. A ligação deve ser feita pelo morador e, nas primeiras fiscalizações, foi verificado que quase 60% das ligações domiciliares estavam irregulares, com 44% de aparelhos sanitários conectados à fossa ou à rede de drenagem, em locais onde já havia o sistema de tratamento de esgoto.

— Em outros países, o investimento em rede de esgoto foi a solução para vários problemas. É comprovado que, a cada R$ 1 investido em saneamento, há economia de R$ 4 em saúde pública — analisa ele.

A Estação de Tratamento do Jarivatuba, primeira em Joinville e que funciona com um tratamento biológico, será desativada até 2018. Ela é a responsável pelo tratamento de esgoto de 99% do que é coletado no Rio Cachoeira — o resto vai para a Estação de Tratamento do Profipo. Ao lado da ETE Jarivatuba, há uma estação em obras desde 2013 (quando começou a terraplanagem do local), com prazo de conclusão para o fim do ano que vem, na qual será possível tratar 600 litros por segundo, contra os 490 l/s atuais. 



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