Conheça as três professoras de Joinville indicadas ao Prêmio Educador Nota 10 - A Notícia

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Educação08/08/2017 | 07h30Atualizada em 08/08/2017 | 12h31

Conheça as três professoras de Joinville indicadas ao Prêmio Educador Nota 10

No total, mais de cinco mil trabalhos foram inscritos na premiação que reconhece professores da educação infantil ao ensino médio de todo o País

Conheça as três professoras de Joinville indicadas ao Prêmio Educador Nota 10 Maykon Lammerhirt/Agencia RBS
Projeto de Gislane do Amaral Freitag trabalhou com os hábitos alimentares e ajudou a combater o desperdício Foto: Maykon Lammerhirt / Agencia RBS
Alex Sander Magdyel
Alex Sander Magdyel

alex.cardoso@an.com.br

Foi no recreio da Escola Municipal Orestes Guimarães que Gislane do Amaral Freitag, de 39 anos, viu mais uma oportunidade de ensinar seus alunos. Com o projeto Alimentos: desperdício, hábitos e escolhas, ela foi uma das 50 indicadas ao Prêmio Educador Nota 10, da Fundação Victor Civita, que reconhece professores da educação infantil ao ensino médio de todo o País. No total, mais de cinco mil trabalhos foram inscritos. As professoras Andréia Cristina Viliczinski e Raquel Gullini também representaram Joinvillenesta fase da premiação. O resultado com os dez projetos finalistas foi divulgado nesta segunda-feira, mas as professoras não se classificaram. 

Tudo começou com o Prato Limpo, iniciativa da Secretaria de Educação que propõe que os educadores de Joinville ensinem os alunos a evitarem o desperdício de comida. Gislane quis ir além e falar também sobre alimentação, hábitos e escolhas saudáveis, obesidade infantil e doenças ocasionadas pela má alimentação.

– Eu me inscrevi com o quinto ano porque foi a turma que participou, que interagiu, que fez o projeto dar resultado – explica. 

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O tema foi trabalhado nas aulas de português, matemática e ciências e envolveu 32 alunos entre 10 e 11 anos. Além dos ensinamentos em sala de aula, Gislane levou seus alunos para participarem de uma conversa com as merendeiras da escola. Os pequenos fizeram perguntas sobre a quantidade de alimentos distribuídos e o destino da comida desperdiçada. Depois, em dupla, os alunos do quinto ano iam diariamente ao refeitório pesar os alimentos desperdiçados e preencher as fichas de acompanhamento do projeto. 

A atividade foi feita durante um mês. Todas as semanas a turma produzia um gráfico com os resultados.Apresentar um panorama do desperdício de alimentos no mundo, mensurar o desperdício de alimentos na merenda escolar, estimular o consumo sustentável, proporcionar a reflexão do uso consciente e responsável do dinheiro na alimentação, rever hábitos alimentares, instigar a prática da pesquisa e propiciar uma reflexão sobre escolhas saudáveis eram os objetivos da professora. Gislane também exibiu três documentários: Muito Além do Peso, Ilha das flores e Escolha bem os alimentos através da tabela nutricional. No pátio da escola, a professora exibe com orgulho o mural com os resultados.

— Quando tu tem um projeto, faz um trabalho e vê o resultado dele já é gratificante para nós que somos professores. Agora, imagina inscrever e ficar entre os melhores — afirma a joinvilense que se inscreveu pela primeira vez no concurso. Gislane é pedagoga, concursada da Prefeitura de Joinville e está em seu terceiro ano letivo.

A professora conta que 180 refeições são servidas em média a cada período, com cerca de 450 alunos cada. Com as pesagens, eles observaram que o maior desperdício foi de três quilos. A média foi de dois quilos de desperdício por dia. A professora explicou que entre as atividades desenvolvidas estava uma entrevista com os alunos, para verificar o nível de aprendizado das crianças.

— Teve pai que veio conversar comigo e disse que isso deveria ter acontecido no primeiro ano. Porque os filhos só queriam trazer chips, bolacha recheada, refrigerante. Hoje estão comendo merenda, uma alimentação balanceada. O projeto repercutiu de maneira significativa. Vários pais me falaram que o projeto mudou os hábitos do filho e suas escolhas na hora de comer — contou Gislane, moradora do Boehmerwald, bairro da escola em que trabalha e que seu filho estuda.

Matemática e história ao mesmo tempo

Andréia Cristina Viliczinski encarou o desafio de unir a cultura afro-brasileira com a matemática Foto: Salmo Duarte / Agencia RBS

Ser professora também é aprender todos os dias. É o que mostra a professora de matemática Andréia Cristina Viliczinski, de 37 anos, uma das 50 indicadas ao Prêmio Educador Nota 10. Com o Projeto África, o berço da matemática, desenvolvido em 2016, a professora da Escola de Ensino Médio Governador Celso Ramos prova que é possível sair da zona de conforto e encarar os desafios que são impostos na profissão.

Com a implementação das leis 10.639 e 11.645, Andréia foi desafiada a aplicar em sua disciplina a história e a cultura afro-brasileira. Segundo a Secretaria de Estado da Educação, esta é a primeira vez que uma professora da rede estadual é indicada ao prêmio. Para Andréia, a matemática não é um bicho de sete cabeças: é ¿uma obra de arte¿. 

Andréia explica que teve a ideia de abordar o tema depois de ler uma edição da revista Scientific American, que apresentava a África como o continente onde surgiu a matemática. A partir daí, a professora pesquisou e trabalhou com os alunos os conceitos básicos e a identificação das sequências numéricas, números primos, jogos que deram origem ao xadrez, formas geométricas, ângulos, probabilidade e as notas musicais.

— Sempre acreditei muito. É uma felicidade imensa. É indescritível —afirma a professora sobre a classificação na premiação. Esta é sua primeira participação no prêmio. Andréia se inspirou na Etnomatemática, uma corrente da Matemática que reconhece os saberes de distintas culturas. Durante a execução do projeto, ela explorou jogos de estratégia em que se utiliza a lógica, o que fez com que seus alunos desenvolvessem uma atitude positiva em relação à matemática. 

Uma das principais preocupações da professora era em relação a um eventual preconceito, já que, durante o projeto, abordou religiões de matriz africana. Por isso, procurou especialistas e entidades ligadas ao movimento negro para que tudo em seu projeto fosse feito da maneira mais respeitosa possível. Os alunos receberam os ensinamentos muito bem e sem nenhuma resistência, conta a professora.

— Este projeto foi feito para mostrar para a comunidade a importância da cultura africana — explica a professora, que na manhã de segunda-feira estava ansiosa pela divulgação do resultado. Durante a entrevista ao ¿AN¿, Andréia se emocionou ao ouvir de um de seus alunos o quanto o tema e o projeto eram importantes para ele. 

Andréia se formou em matemática em 2007 pela Universidade da Região de Joinville (Univille). Leciona há dez anos, sendo cinco deles na Escola Celso Ramos. O projeto foi desenvolvido com uma turma de 20 alunos do segundo ano do Ensino Médio Inovador.

Riquezas naturais do bairro ajudam a ensinar

Projeto de Raquel Gullini levou crianças a conhecerem mais sobre a biodiversidade da Baía da Babitonga Foto: Salmo Duarte / Agencia RBS

Como ensinar medidas e grandezas para crianças de sete anos de idade? Foi pela resposta a esta pergunta que a professora Raquel Gullini, de 36 anos, entrou na lista dos 50 indicados ao Prêmio Educador Nota 10. Professora da Escola Municipal Professor Aluizius Sehnem, localizada no bairro Espinheiros, ela propôs que os alunos construíssem em tamanho real os animais da região. A escola fica próxima à Baía da Babitonga e ao manguezal.

— Nós trazemos a riqueza do bairro para dentro da escola e vice-versa — explica a professora responsável pelo Projeto Explorando medidas além da sala de aula. Esta foi a segunda vez que a professora inscreveu um projeto no concurso da Fundação Victor Civita. A professora explica que a ideia surgiu a partir das estratégias de avançar no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). 

Uma das ações foi a realização da feira de matemática na escola. Por isso, a professora precisava desenvolver alguma atividade com a turma do segundo ano. Foram dois meses de atividades com 44 alunos de duas turmas. O projeto incluiu uma visita na sede do Projeto Toninhas, em São Francisco do Sul. Lá, as crianças puderam ver os animais taxidermizados. Para produzir os animais em tamanho real, as crianças tiveram que pesquisar sobre os bichos e construir os moldes numa lousa digital.

– As crianças iam medindo e me falando como eu tinha que ajustar na lousa, se tinha que ser maior ou menor. Esta parte foi a mais significativa do projeto, em que eles aprenderam realmente a medir – explicou a professora. 

O projeto foi trabalhado nas aulas de português, matemática e artes. Raquel é professora há 18 anos.Antes da construção, as crianças confeccionaram cartinhas de comparação de características dos animais. As cartinhas de comparação consistem em algumas características dos animais, como: tamanho, peso, expectativa de vida, reprodução e ameaça de extinção. Esse jogo promoveu o desenvolvimento do raciocínio lógico dos alunos. 

O objetivo do projeto, de acordo com a educadora, era de que as crianças tivessem a noção espacial dos animais, ter a habilidade de comparar o que é maior ou menor, conhecer os instrumentos de medidas e também reconhecer o metro como medida padrão.No decorrer das atividades, pode-se perceber os avanços na aprendizagem, pois as crianças já conseguiam solucionar os desafios propostos, além de querer buscar mais conhecimento sobre outros animais, em relação às medidas.



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