"Se não tomarmos uma medida drástica agora, não saberemos se não vamos ter uma cracolândia joinvilense", diz secretário de assistência social - A Notícia

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Infraestrutura20/07/2017 | 08h54Atualizada em 20/07/2017 | 09h06

"Se não tomarmos uma medida drástica agora, não saberemos se não vamos ter uma cracolândia joinvilense", diz secretário de assistência social

 Construção de abrigo definitivo para pessoas em situação de rua é o desafio em Joinville

"Se não tomarmos uma medida drástica agora, não saberemos se não vamos ter uma cracolândia joinvilense", diz secretário de assistência social Maykon Lammerhirt/Agencia RBS
Estrutura no Abel Schulz irá funcionar até setembro e nos dias com temperaturas mais baixas  Foto: Maykon Lammerhirt / Agencia RBS

Para tentar conter o avanço de pessoas em situação de rua, a Secretaria de Assistência Social de Joinville reforça algumas ações. Vagner Ferreira de Oliveira diz que a secretaria realiza levantamentos para verificar os motivos do aumento de pessoas nas ruas e se há conexão com a inauguração da nova sede do Centro Pop, em abril. Segundo o secretário, os números crescem assustadoramente.

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Joinville oferecerá abrigo a pessoas em situação de rua

– Se não tomarmos uma medida drástica agora, daqui a dez ou 15 anos não saberemos se não vamos ter uma "cracolândia joinvilense". Essa é a nossa preocupação hoje – afirma.

Na avaliação de Fernanda Lapa, coordenadora executiva do Instituto de Desenvolvimento e Direitos Humanos (IDDH), a criação de um comitê especial que integra as secretarias de Assistência Social, de Saúde e de Educação do município, além de representantes da sociedade civil, discute o tema uma vez por mês.

A iniciativa, segundo ela, tem contribuído para a criação de políticas integradas, que favoreçam as pessoas em situação de rua. Conforme Fernanda, muitas vezes as pessoas estão nesta condição por necessidade ou por causa de um problema específico.

– O nosso papel é o de promover a integração e o diálogo entre os agentes públicos. Procuramos fazer essa articulação para que sejam criadas políticas sociais com ações integradas – destaca Fernanda.

A coordenadora executiva do IDDH em Joinville diz que, hoje, um dos principais problemas da cidade é justamente o de não ter um abrigo para acolhimento.

 – A criação do abrigo no Abel Schülz já é um avanço, mas não é suficiente. Resolver esse problema é algo emergencial. A cidade precisa oferecer uma estrutura adequada para as pessoas que estão ali, muitas vezes, tentando sobreviver – sustenta. Estrutura no Abel Schulz irá funcionar até setembro e nos dias com temperaturas mais baixas

Convênios para acolhimento

A Secretaria de Assistência Social negocia convênios com duas organizações não governamentais (ONGs) que possam servir como casas de passagem para o município. Desde o fechamento da Casa Marta e Maria, de acolhimento temporário, em agosto do ano passado, a cidade está sem uma unidade que seja usada pelos moradores de rua para pernoitar.

O objetivo é que, a partir do conveniamento, as vagas abertas no Ginásio Abel Schulz possam ser absorvidas pelas entidades parceiras.Estão em fase de credenciamento a Casa Padre Pio, que já presta serviços para a secretaria, e a Comunidade Terapêutica Essência de Vida, de Araquari.

Cada uma terá a capacidade para 150 vagas por mês, ou seja, cinco pessoas diferentes por dia.O secretário Vagner Ferreira de Oliveira também reuniu as 36 entidades que oferecem alimentos para os moradores de rua e propôs que elas concentrem a entrega em um único lugar.

A partir da semana que vem, as entidades religiosas terão uma escala em que cada uma atenderá em dias diferentes, das 19h às 21h, no Restaurante Popular do bairro Bucarein. Elas poderão usar a estrutura do local, menos a cozinha. As comidas deverão ser levadas prontas. O objetivo é não incentivar a permanência das pessoas nas ruas.

– Conversando com psicólogos e assistentes sociais de São Paulo, descobri que a cracolândia começou com cerca de 300 pessoas, o que é considerado um número pequeno para eles. As entidades iam lá e davam casacos, cobertor, colchão, alimentos, e acabou gerando um conforto. Todos os dias eles sabiam que teriam isso e viviam disso – diz.

Outra iniciativa será retomar a campanha Não Dê Esmolas nas ruas de Joinville, em parceria com a Polícia Militar e a Guarda Municipal. Serão realizadas rondas para coibir doações, que também fomentam a permanência das pessoas nas ruas.

– É o paraíso para quem quer viver sem lei – explica.

Foto: A Notícia


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