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10 anos de saudade 17/07/2017 | 09h10

Joinvilense relembra morte do pai, vítima da tragédia com voo da TAM

Acidente aéreo com voo JJ3054, em Congonhas, completa dez anos nesta segunda-feira

Joinvilense relembra morte do pai, vítima da tragédia com voo da TAM Salmo Duarte/Agencia RBS
Joinvilense mostra o retrato do pai, que faleceu na tragédia de 17 de julho de 2007 Foto: Salmo Duarte / Agencia RBS

– A gente já passou o período de luto né? Agora é só aprender a conviver com a saudade.

Dez anos após um dos maiores acidentes aéreos ocorridos no País, Andreia Mancia, 46 anos, ainda sente as marcas da tragédia. A joinvilense perdeu o pai, Eduardo Mancia, no voo da TAM 3054. O avião saiu da cidade de Porto Alegre rumo à Belo Horizonte, mas o destino não se completou. Ao fazer uma conexão em São Paulo, a aeronave explodiu após pousar no Aeroporto de Congonhas.


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Investigações do Centro de Prevenção de Acidentes Aeronáuticos apontaram que a aeronave não conseguiu frear após a aterrisagem, extrapolando o limite da pista de pouso. O avião atravessou a av. Washington Luís que fica ao lado do aeródromo e colidiu com um prédio e um posto de gasolina. Além de Eduardo, outras 198 pessoas morreram no desastre.

Desde 2007, o dia 17 de julho tem um sentido diferente para Andreia e os dois irmãos, Marcello, 48, e Luciano, 44. Ela revive o luto a cada ano que a tragédia é relembrada nos jornais. À época, devido a gravidade do incidente, a família só pode enterrar Eduardo 12 dias após o ocorrido, quando o corpo foi reconhecido por meio do exame de DNA. Entretanto, mesmo após o reconhecimento, a gastrônoma demorou para acreditar que o pai estivesse entre as vítimas.

– Eu estava saindo de férias quando vi a notícia nos jornais. Na hora eu liguei para o meu pai, o celular estava desligado e ele nunca deixava o celular desligado. Quando passou em todos os jornais, eu só pensava que ele poderia ter sobrevivido e deveria estar ajudando as pessoas – desabafa.

A confirmação de que Eduardo estava no voo veio mais de cinco horas após o desastre, quando a companhia aérea divulgou a lista de passageiros. Eduardo trabalhava como consultor de recursos humanos e viajava de avião com frequência. Para a filha, o pai morreu de forma repentina deixando muitos sonhos e planos para trás. O consultor queria ver os netos crescerem e aproveitar os bisnetos que ainda estariam por vir.

– Ele fez 60 anos no ano que faleceu. Fez uma grande festa, alugou veículo para irmos daqui de Joinville até Porto Alegre. Hoje, a gente acredita que foi uma espécie de despedida porque ele repetia ‘não poderia ter passado um aniversário melhor, com a família que eu amo e com o pessoal da minha empresa que são tudo para mim’.

Eduardo morava longe da família joinvilense, mas nunca deixou a distância guiar o relacionamento familiar. Ele visitava os filhos com frequência e todo domingo pela manhã dedicava um bom tempo ao telefone para ouvir notícias de todos. A neta mais velha, Aline, 23, ainda era uma adolescente quando o avô faleceu.

– Ele era um avô coruja e se preocupava muito com os netos. Fazia questão de encorajar a gente a estudar, a fazer cursos. Ele batalhou desde cedo e incentivava a gente a fazer o mesmo – recorda.

Certa vez, Aline comentou com o avô que queria aprender a tocar violão. Pouco antes da tragédia, ele entregou à menina um cartão com felicitações pelo aniversário e ao lado da mensagem havia o desenho de um violão. O presente físico veio alguns dias depois para estimular os sonhos da neta.

– Depois ele comprou um violão de verdade para mim – lembra.
 
Réus foram absolvidos

O Centro de Prevenção de Acidentes Aeronáuticos divulgou os resultados da investigação sobre o acidente aéreo da TAM em 2009. O relatório técnico não aponta culpados, mas demonstra possíveis causas que podem ter provocado a tragédia. O documento mostrou que um dos manetes – aparelho que controla a potência da turbina da aeronave – estava em posição irregular. O correto seria estar em ponto morto, quando encontrava-se em posição de aceleração.

O relatório apontou duas hipóteses para o desastre. A primeira,  que teria havido falha no sistema de controle de potência dos motores do avião. A segunda, indicou que o piloto teria executado um procedimento diferente do esperado ao colocar o manete em posição de aceleração. Além disso, o relatório também mostrou outros fatores que contribuíram para a tragédia: uma forte chuva ocorrida no dia do acidente que acarretou na formação de poças e ausência do serviço de grooving – ranhuras – na pista do aeroporto.

Após investigação da Polícia Federal, 11 pessoas foram indiciadas, mas somente três se tornaram réus. Em 2011, o Ministério Público Federal em São Paulo denunciou a ex-diretora da Agência Nacional de Aviação Civil, Denise Maria Ayres Abreu; o vice-presidente de Operações da TAM, Alberto Fajerman; e o diretor de segurança de voo da companhia, Marco Aurélio dos Santos de Miranda e Castro, como responsáveis pelo acidente. Todos os denunciados foram absolvidos em 2015.

O MPF recorreu a decisão e em junho deste ano, o Tribunal Regional Federal manteve a decisão de absolvição em primeira instância. Segundo a assessoria da Procuradoria Regional da República, o processo está na Procuradoria e será distribuído a um procurador, que vai analisar o processo e decidir sobre as medidas eventualmente cabíveis.

Família aguarda desfecho

Andreia carrega o sentimento de impunidade pela morte do pai e lamenta que os denunciados no processo tenham sido absolvidos pela Justiça. Para ela, uma junção de erros tirou a vida de 199 pessoas e as famílias não podem ficar sem uma resposta. Entretanto, acredita que apenas pelo fato de os denunciados terem sido levados ao banco dos réus já pode ser considerado uma vitória.

– O que eu esperaria de toda essa situação é que nada disso tivesse acontecido, mas isso não tem como. Se na justiça dos homens eles não forem condenados, eu acredito na justiça de Deus.

O apoio dos outros familiares das vítimas do acidente foi parte fundamental no recomeço da gastrônoma após a tragédia. A Associação dos Familiares e Amigos das Vítimas do Voo TAMJJ3054 (Afavitam) foi criado pelas famílias para dar assistência aos que perderam os entes naquele 17 de julho. O grupo luta para que o acidente não seja esquecido e os culpados não fiquem impunes. Eles também prestam apoio a famílias vítimas de outros desastres, como o do voo com a delegação da Chapecoense, ocorrido em novembro do ano passado.

Duas homenagens estão agendadas em memória as vítimas do voo 3054 hoje. Uma ocorre em São Paulo e a outra em Porto Alegre. Além disso, tramita na Câmara de Vereadores da Capital gaúcha o projeto para colocar o dia 17 de julho no calendário municipal da cidade como uma data oficial alusiva à memória das vítimas do voo da TAM.

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