"Eu contava com o apoio da família, mas agora eles me querem bem longe", diz homem que vive há dois anos na rua em Joinville - A Notícia

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Infraestrutura20/07/2017 | 09h02Atualizada em 20/07/2017 | 09h06

"Eu contava com o apoio da família, mas agora eles me querem bem longe", diz homem que vive há dois anos na rua em Joinville

Maior problema voluntários escutam dos moradores de rua são casos envolvendo a família

"Eu contava com o apoio da família, mas agora eles me querem bem longe", diz homem que vive há dois anos na rua em Joinville Salmo Duarte/Agencia RBS
Alfredo teve desentendimento amoroso e envolvimento com drogas Foto: Salmo Duarte / Agencia RBS

Alfredo Luiz Iadelka Junior tem 39 anos e há cerca de dois anos vive em situação de rua em Joinville. Ele saiu da prisão em 2010 por um crime que não quis revelar e conseguiu emprego em uma associação. Estudou durante dois anos e meio no curso técnico de gastronomia pelo Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC) em Florianópolis, mas abandonou um semestre antes de concluir. Alfredo tem familiares na cidade, mas que não quiseram dar apoio quando ele teve problemas amorosos e com drogas. A solução foi ficar pelas ruas da cidade.

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– Eu estava contando com o apoio da família. Vim para cá em 2014, mas agora eles me querem bem longe – conta.

Ele frequenta o Centro Pop, onde toma banho e café da manhã diariamente. Durante o dia, circula pela cidade em ¿ocasião do acaso¿, mas adotou a Estação da Memória como uma espécie de casa. Alimenta-se no local e também dorme ¿pouco, a hora em que precisa¿. Depois, volta ao Centro Pop para jantar, tomar banho e ser levado até o Ginásio Abel Schulz.

Segundo o pescador Almir Curvello, 57, o maior problema que ele escuta dos moradores de rua são casos envolvendo a família, como os de Alfredo. Ele mora no bairro Adhemar Garcia e, semanalmente, arrecada alimentos para entregar às pessoas em situação de rua da zona Sul e região central. Pelo contato com eles, Almir percebe que tem muita gente querendo sair dessa vida e precisando de ajuda.Moradores pedem agilidade para cadastro

– Tem alguns que estão há meses sem tomar banho ou trocar de roupa. Às vezes, você chega ali e eles pedem um abraço porque é tudo que precisam. Não adianta dar comida, roupa, calçado, porque o principal que eles precisam é o amor, que eles não têm – explica.

Outro problema visível para Almir é a falta de uma casa de passagem para os moradores de rua poderem dormir. Alguns dizem que conseguem um emprego, mas não têm para onde ir à noite ou tomar um banho. Essa é uma das reivindicações do Movimento de Rua, presidido por Ronald Boddenberg.

Eles querem a oferta definitiva de um local para os moradores pernoitarem, mesmo depois que o Ginásio Abel Schulz deixar de ser usado para essa finalidade.

O grupo ainda critica a demora para a realização do Cadastro Único, que dá direito a eles almoçarem no Restaurante Popular ao preço de R$ 1 por refeição. Segundo Ronald, a espera chega a três meses, em algumas ocasiões. Uma das soluções propostas pelo movimento é de que o Centro Pop entregue tíquetes para os moradores almoçarem diariamente no restaurante público.

Entre as outras reivindicações estão a melhora do atendimento aos moradores nas unidades da Prefeitura e a disponibilização de uma sala dentro do Centro Pop para o movimento acompanhar e fiscalizar os trabalhos desenvolvidos no local.


Foto: A Notícia


 
 
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