Casal se apaixona em hospital durante tratamento em Joinville - A Notícia

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Dia dos Namorados11/06/2017 | 13h00Atualizada em 11/06/2017 | 13h00

Casal se apaixona em hospital durante tratamento em Joinville

Os dois estavam solteiros após relacionamentos terminarem por causa de mudança de vida com descoberta de doença renal

Casal se apaixona em hospital durante tratamento em Joinville Divulgação/Divulgação
Ao pedir Luciane em casamento, Leandro disse 'Tempo é a única coisa que não tenho na vida' Foto: Divulgação / Divulgação

'Meu nome é Luciane Martins, tenho 37 anos e aos 21 fui diagnosticada com insuficiência renal crônica. Esta condição deixou a minha vida de ponta cabeça e abalou muitos sonhos, inclusive o término do meu namoro'. Este é o depoimento de uma paciente da Fundação Pró-Rim, de Joinville, que é referência nacional em tratamento e transplantes renais. A partir desse episódio, Luciane ficou dez anos em hemodiálise até ser transplantada. A esperança virou desencanto. 

— Minha alegria durou pouco. Doze dias depois do transplante, o rim doado sofreu rejeição e então voltei para a máquina de hemodiálise — lembra. 

Mesmo com toda a tristeza, Luciane nunca deixou de acreditar que as coisas pudessem melhorar. Algum tempo depois, recebeu uma nova oportunidade: um novo transplante. Desta vez, correu tudo bem. A condição física, a qualidade de vida e a auto-estima dela melhoraram. 

— Mesmo assim, embora jovem, tomei a decisão de deixar de lado a vida sentimental, não criar expectativas e me dedicar  principalmente aos cuidados com a saúde — conta.

Durante uma avaliação pós-transplante, Luciane conheceu Leandro de Lázaro, também paciente renal. Ele havia sido transplantado um ano antes dela e estava no ambulatório pelo mesmo motivo que Luciane: fazer os exames de manutenção.

— Já havia visto o Leandro algumas vezes na Pró-Rim, mas nunca tinha conversado com ele — diz. 

Luciane percebeu que algo incomodava o Leandro naquele dia. Ele se queixou de dor de cabeça, então ela abriu a bolsa e lhe ofereceu um analgésico. Foi assim que a conversa começou e ambos perceberam que passavam por situações parecidas. Ele então revelou que, entre outras decepções, a doença também tinha provocado o fim do casamento. 

Por conta da insuficiência renal crônica, Leandro estava aposentado e morava em Joaçaba (SC) com a irmã. Ele havia trabalhado boa parte da vida em um grande frigorífico da região. Já Luciane residia com os pais em Itaiópolis, no Norte do Estado. 

Encontros nas consultas e unidos no mesmo tratamento

Luciane recorda que a doença os aproximou ainda mais e a afinidade entre eles aumentou, mas o relacionamento permaneceu apenas no campo da amizade.

— Certo dia, Leandro se ofereceu para me dar uma carona até Joinville, na consulta seguinte, que aconteceria nos próximos dias. Aceitei, pois a minha casa ficava no caminho para a Fundação Pró-Rim. No entanto, não acreditei muito, pois ele nem perguntou o meu endereço. Então, tirou um pedaço de papel do bolso e mostrou o número do meu telefone que ele copiou da minha ficha, que estava no balcão de atendimento. 

No dia marcado, segundo Luciane, o telefone tocou e em poucos minutos o rapaz chegou em sua casa. Surpreendentemente, logo foi pedindo permissão aos seus pais para viajarem juntos. 

— Confesso que pela primeira vez prestei atenção no cavalheirismo dele e na maneira carinhosa como me tratava. Conversamos o dia inteiro e me senti muito bem ao seu lado. Descobri uma pessoa alegre, generosa e com muita vontade de viver — lembra Luciane. 

O casal namorava fazia pouco tempo até que um dia Leandro fez uma surpresa: triou do bolso um estojo e mostrou um par de alianças, me pedindo em noivado, na presença dos pais de Luciane. Quando questionado pela namorada se não era cedo demais, respondeu: `Tempo é a única coisa que eu não tenho na vida¿. 

— Na semana seguinte, alugamos uma casa em Itaiópolis e fomos morar juntos.  O que sinto pelo Leandro é algo maior que amor. É também cumplicidade, companheirismo, carinho e uma vontade imensurável de viver. Estamos juntos há cinco anos e tenho a impressão de que sempre o conheci. Ele vive para me fazer feliz e eu também sinto necessidade de retribuir tanto amor — relembra Luciane. 

 Para o futuro, o cssal diz não ter grandes ambições na vida, quer apenas a felicidade. Para 2018 estão planejando a oficialização do casamento, com direito a uma festa bonita para a família e amigos.

— O mais importante de tudo, porém, é a possibilidade de eu engravidar. Quem me convenceu disso foi o Dr. José Aluísio, fundador da Pró-Rim — conta emocionada. 

O médico diz que muitas pacientes foram mães depois de transplantadas e que Luciane e Leandro podem acreditar nisso. 

Hoje, Luciane mantém uma rotina ativa e muito produtiva. 

— Criei uma pequena empresa que prepara alimentos para eventos e o Leandro me ajuda muito — diz.

— Mesmo diante das dificuldades que passei me considero feliz com a vida conquistada. Somos um casal como qualquer outro, com seus problemas e alegrias. O que nos faz diferentes é a necessidade que temos de um cuidar do outro, o tempo inteiro, incondicionalmente — acrescenta.   

 
 

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