Aumento dos casos de sífilis em Joinville mobiliza Saúde Pública - A Notícia

Versão mobile

Em alerta28/11/2016 | 07h01Atualizada em 28/11/2016 | 12h43

Aumento dos casos de sífilis em Joinville mobiliza Saúde Pública

Números da doença na cidade já cresceram 49% em relação ao ano passado. Principal foco das ações da Vigilância Epidemiológica é impedir a contaminação em gestantes

Aumento dos casos de sífilis em Joinville mobiliza Saúde Pública Maykon Lammerhirt/Agencia RBS
Uso de preservativos nas relações sexuais é o melhor método para evitar a contaminação. Penicilina benzatina é o principal medicamento para o tratamento da doença Foto: Maykon Lammerhirt / Agencia RBS
Alex Sande Magdyel

alex.cardoso@an.com.br

O aumento no número de casos de sífilis no Brasil, que não foi diferente em Santa Catarina, mobilizou os profissionais da saúde. Em Joinville, já foram registrados 1.112 casos da doença até o início deste mês. Para combater e tratar a doença, um grupo de trabalho foi criado exclusivamente para isso.

Nos últimos seis anos, o maior aumento em Joinville foi de 2014 para 2015, quando houve um avanço de 95%, passando de 381 para 744 registros. Em 2016, o aumento já é de 49,5% se comparado ao ano passado. Dos casos registrados em 2016, 33 são de sífilis congênita – doença transmitida da mãe para a criança durante a gestação –, 93 em gestantes e 986 em adultos (excluindo nessa conta as gestantes).

Leia as últimas notícias de Joinville e região

O avanço da doença é justificado pela falta de prevenção das pessoas. Marlon da Silva, clínico-geral e médico da Unidade Sanitária e da Vigilância Epidemiológica de Joinville, diz que percebe isso todos os dias conversando com seus pacientes. Considerada pelo Ministério da Saúde este ano como uma epidemia no Brasil, a sífilis é uma doença infecciosa causada pela bactéria Trepomena Pallidum, transmitida principalmente pela relação sexual desprotegida.

– Muitos não se protegem, as pessoas não usam no sexo oral. Tem que usar sempre. Somos campeões em distribuição de preservativos, mas na prática não está sendo usado – afirma Marlon, que conta que, ao perceberem a gravidade da doença, as pessoas fazem o tratamento, mas muitas acabam se recontaminando. O tratamento é gratuito, mas requer disciplina dos pacientes.

Com o tratamento realizado corretamente, as chances de cura da sífilis são de 100%. É o que garante Silvia Betat, técnica de saúde do homem e da mulher e integrante do grupo criado na Secretaria de Saúde de Joinville para tratar o tema. Silvia explica que depois de diagnosticada a doença, são necessárias três visitas à unidade de saúde para aplicação das injeções de penicilina benzatina (Benzetacil) – duas a cada encontro, realizados num intervalo de sete dias.

Este é o único medicamento capaz de prevenir a transmissão vertical da doença. Silvia revela que a falta da benzatina, antibiótico que também é utilizado no tratamento de outras doenças, fez com que a aplicação fosse restringida às gestantes com sífilis durante pelo menos quatro meses no primeiro semestre deste ano. Agora, ela garante que o atendimento voltou ao normal.

Entenda como Joinville se prepara para receber os recém-nascidos e dá suporte às grávidas atendidas na rede pública

A prioridade no tratamento é para as gestantes, já que, nos casos de sífilis congênita, as consequências para os bebês podem ser muito graves. Entre as complicações da doença estão casos de aborto espontâneo, parto prematuro, má-formação do feto, surdez, cegueira, deficiência mental e morte ao nascer. O diagnóstico nas mulheres grávidas pode ser feito já na primeira consulta do pré-natal, quando é realizado o teste rápido (TR), disponível nos serviços do Sistema Único de Saúde (SUS). Uma das justificativas para a falta de medicamentos é de que, nos últimos anos, o valor cobrado pelos laboratórios para o medicamento cresceu muito.

– Recebemos um estoque do Ministério da Saúde e conseguimos comprar uma quantidade que nos dá uma tranquilidade para a virada de ano e início do ano que vem. Estamos mais tranquilos em relação ao tratamento, pelo menos com as gestantes. Agora, abrimos também para os parceiros – afirma Silvia.

Silvia explica que, quando a pessoa é diagnosticada com a doença, o parceiro ou a parceira também deve iniciar o tratamento, mesmo que não esteja contaminado, pois a pessoa que trata a doença corre o risco de não ser curada ou de ser contaminada novamente.

– Tratar homens é muito difícil.

Os sintomas nem sempre são visíveis

Os sintomas da sífilis primária são feridas, geralmente únicas, no local de entrada da bactéria (pênis, vulva, vagina, colo uterino, ânus, boca ou outros locais da pele). Como muitas vezes não é num local visível e não dói, não coça, não arde e não tem pus, a ferida pode desaparecer e a pessoa não perceber. Mas a doença continua. Se não for tratada, pode chegar na sífilis secundária, quando os sintomas são mais evidentes.

Os sinais aparecem entre seis semanas e seis meses do aparecimento da ferida inicial e após a cicatrização. São manchas no corpo, principalmente, nas palmas das mãos e plantas dos pés. Também não coçam, mas podem surgir ínguas no corpo.
Na sífilis terciária, que pode surgir de dois a 40 anos depois do início da infecção, a doença costuma apresentar sinais e sintomas, principalmente lesões cutâneas, ósseas, cardiovasculares e neurológicas, podendo levar à morte.

Confira a página especial com reportagens sobre saúde e bem estar

Para os recém-nascidos, o medicamento utilizado no tratamento da doença é a procaína. De acordo com a técnica da Secretaria de Saúde de Joinville, este medicamento também esteve em falta neste semestre, mas a situação já foi normalizada. Quando a criança nasce com sífilis congênita, ela deve ficar internada para tratamento por dez dias e precisa passar por uma série de exames antes de receber alta.

A técnica, que trabalha há pelo menos 20 anos com o SUS, afirma que as duas primeiras aplicações são feitas por quase todas as pessoas, mas na segunda visita marcada a adesão já começa a cair. Quando o paciente não comparece a alguma das sessões para injeção da penicilina, o tratamento deve começar de novo, mesmo que a pessoa já tenha sido medicada alguma vez.

Silvia admite que a aplicação do antibiótico é um processo que dói no paciente, mas é necessário. Ela diz que os profissionais da saúde estão sendo orientados a ligar para todos os pacientes lembrando da próxima aplicação.



CONHEÇA A DOENÇA

SÍFILIS

O que é

É uma infecção sexualmente transmissível (IST) causada pela bactéria Treponema pallidum. Pode apresentar várias manifestações clínicas e diferentes estágios (sífilis primária, secundária, latente e terciária). Nos estágios primário e secundário da infecção, a possibilidade de transmissão
é maior.

Formas de contágio

A sífilis pode ser transmitida por relação sexual sem camisinha com uma pessoa infectada, ou da mãe infectada para a criança durante a gestação ou o parto. O uso correto e regular da camisinha masculina ou feminina é uma medida importante de prevenção da sífilis. O acompanhamento da gestante durante o pré-natal contribui para o controle da sífilis congênita.

Sinais e sintomas

Sífilis primária
Ferida, geralmente única, no local de entrada da bactéria (pênis, vulva, vagina, colo uterino, ânus, boca ou outros locais da pele), que aparece entre dez a 90 dias após o contágio. Não dói, não coça, não arde e não tem pus, podendo estar acompanhada de ínguas (caroços) na virilha.

Sífilis secundária
Os sinais e sintomas aparecem entre seis semanas e seis meses do aparecimento da ferida inicial e após a cicatrização espontânea. Manchas no corpo, principalmente, nas palmas das mãos e plantas dos pés. Não coçam, mas podem surgir
ínguas no corpo.

Sífilis latente – fase assintomática
Não aparecem sinais ou sintomas. É dividida em sífilis latente recente (menos de um ano de infecção) e sífilis latente tardia (mais de um ano de infecção). A duração é variável, podendo ser interrompida pelo surgimento de sinais e sintomas da forma secundária ou terciária.

Sífilis terciária
Pode surgir de dois a 40 anos depois do início da infecção. Costuma apresentar sinais e sintomas, principalmente lesões cutâneas, ósseas, cardiovasculares e neurológicas, podendo levar à morte.

Diagnóstico
O teste rápido (TR) de sífilis está disponível nos serviços de saúde do SUS, sendo prático e de fácil execução, com leitura do resultado em, no máximo, 30 minutos, sem a necessidade de estrutura laboratorial. O TR de sífilis é distribuído pelo departamento de DST, aids e hepatites virais/Secretaria de Vigilância em Saúde/Ministério da Saúde (DDAHV/SVS/MS), como parte da estratégia para ampliar a cobertura diagnóstica dessa IST. Quando o TR for utilizado como triagem, nos casos positivos (reagentes), uma amostra de sangue deverá ser coletada e encaminhada para realização de um teste laboratorial (não treponêmico) para confirmação do diagnóstico. Em caso de gestante, o tratamento deve ser iniciado com apenas um teste positivo (reagente), sem precisar aguardar o resultado do segundo teste.

Tratamento
O tratamento de escolha é a penicilina benzatina, mas recomenda-se procurar um profissional de saúde para diagnóstico correto e tratamento adequado, dependendo de cada estágio.

A NOTÍCIA

Notícias Relacionadas

Portal 11/11/2016 | 07h32

Saavedra: Avanço do número de casos de sífilis em Joinville impressiona

Nos últimos cinco anos, registros da doença na cidade deram um salto de 876%, segundo dados da Secretaria de Saúde

Portal Jaraguá  05/11/2016 | 08h02

Cinthia Raasch: Natal deverá ter mais contratações em Jaraguá do Sul

Expectativa é de que entre 500 e 700 funcionários temporários sejam recrutados pelo comércio

Saúde 11/08/2016 | 09h28

Saúde de Joinville está em alerta para casos de caxumba

As 44 pessoas infectadas em junho e julho deixam as autoridades preocupadas

Joinville que Queremos 18/06/2016 | 07h01

Entenda como Joinville se prepara para receber os recém-nascidos e dá suporte às grávidas atendidas na rede pública

No ECA, há um capítulo inteiro sobre a vida e a saúde como direitos fundamentais

Colunista 30/04/2016 | 07h02

Jefferson Saavedra: Joinville fica em 5º em ranking da saúde no País

Dados mostram que 41,04% da receita com impostos na cidade foram gastos no setor

 
 

Siga A Notícia no Twitter

  • anonline

    anonline

    Jornal A NotíciaHemosc de Joinville concentra a coleta de sangue no Norte até fevereiro https://t.co/2jdcNytUhPhá 2 horas Retweet
  • anonline

    anonline

    Jornal A NotíciaPM divulga distribuição dos novos policiais militares de Santa Catarina https://t.co/kDVclFOQRchá 7 horas Retweet

Veja também

  •  
A Notícia
Busca
clicRBS
Nova busca - outros